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Mundo

Fracassa segunda tentativa de formação de governo na Grécia

Líder da esquerda radical não obteve acordo para uma coalizão governamental. O chefe dos socialistas, Evangelos Venizelos, anunciou que continuará esforços. Analistas apontam disputas partidárias como causas do impasse.

A segunda tentativa para a formação de um governo de coalizão em Atenas fracassou nesta quarta-feira (09/05). O líder do segundo maior partido no Parlamento, a Coalizão da Esquerda Radical, Alexis Tsipras, não conseguiu um acordo para a formação de uma aliança governamental, em conversas separadas com os líderes dos conservadores, Antonis Samaras, e dos socialistas, Evangelos Venizelos. O ex-ministro das Finanças Venizelos anunciou que pretende continuar nesta quinta-feira os esforços para formar um governo.

"Tsipras quer algo totalmente diferente de nós", disse Samaras. "Ele quer invalidar o pacote de austeridade, o que seria uma catástrofe para o país", afirmou o líder conservador. Ele acrescentou que seu partido está pronto a apoiar qualquer governo, contanto que a Grécia permaneça na zona do euro.

O líder do partido Coalizão da Esquerda Radical, Alexis Tsipras, pretende devolver o mandato para formação de governo nesta quinta-feira. Os socialistas, como terceira maior bancada parlamentar, deverão ser os próximos a prosseguir nos esforços. Na segunda-feira, os conservadores, maior força no Parlamento, fracassaram na primeira tentativa de obter uma aliança governamental.

Caso fracassem todas as conversações para formação de um novo governo, uma reunião de todos os líderes partidários junto com o presidente do país, Karolos Papoulias, pode ser a última chance para evitar novas eleições no prazo de 30 dias.

Tática partidária impede acordo, dizem analistas

Alexis Tsipras

Alexis Tsipras, líder do partido Coalizão de Esquerda

"É tudo apenas tática partidária", acusa o comentarista Alexis Papachelas, da emissora de tevê Skai. "Os três principais partidos não querem nada mais do que forçar novas eleições dentro de algumas semanas com intuito de melhorarem seus resultados eleitorais e poderem misturar as cartas novamente", afirma o respeitado jornalista grego.

"É um jogo tático. No momento, nenhum dos três partidos quer assumir a responsabilidade pela realização de novas eleições, porque as pessoas não querem novas eleições", diz. Por esta razão, os políticos, segundo ele, tentam jogar a culpa para os outros pela falta de uma solução. Uma nova eleição obrigaria os grandes partidos a se reinventar em apenas 20 dias.

Sem tradição em coalizões

Somente sete vezes nos últimos 140 anos os políticos gregos conseguiram formar um governo suprapartidário. A cultura do acordo é algo desconhecido para muitos neste país. A política é geralmente entendida como um jogo em que um só pode ganhar se o outro perde.

No entanto, a fixação grega por governar sozinho tem outra razão, no entender de Nikos Karavitis, professor na Universidade Panteion de Atenas. "No passado, influentes grupos clientelistas exerciam uma intensa pressão sobre a política", disse Karavitis em entrevista à televisão. A classe política teve que tomar distância desses grupos de interesse. "Só então os políticos podem tentar implementar reformas em espírito de cooperação. Problemas que parecem simples, mas que se mostram complexos na hora de serem resolvidos", diz o economista.

Karavitis crê que o clientelismo desenfreado atrasou significativamente uma ação conjunta das forças políticas na Grécia para implementar uma modernização do Estado. Como exemplo, ele cita as reformas fiscais há muito necessárias, que na verdade já foram definidas e são apoiadas pelos credores internacionais, mas que, na prática, são frustradas por restrições políticas.

Jogos táticos à beira do abismo

Vorsitzender der griechischen Konservativen, Nea Dimokratia, Antonis Samaras

Líder dos conservadores, Antonis Samaras

"No mais tardar em junho, o governo grego deve apresentar uma nova lei fiscal que simplifique as regras existentes e combata a evasão fiscal efetivamente", comenta o professor. Na opinião dele, as forças políticas que negociam neste momento um governo de coalizão devem conversar, deixar de lado a retórica partidária, ter a coragem de abolir a brechas fiscais. "Mas eles não o fazem porque têm medo de irritar seus eleitores", reclama Karavitis.

Deputados como o socialista e ex-ministro da Saúde Dimitris Kremastinos ou o conservador Hatzidakis Kostis, que há anos lutam por uma cooperação entre os partidos em tempos de crise, são alvos de incompreensão dentro de seus próprios partidos. Após a derrocada histórica na eleição deste domingo, ao menos os líderes dos grandes partidos se dizem a favor de um governo de unidade nacional, embora os dois já tivessem descartado essa hipótese apenas algumas horas antes de as urnas se abrirem.

"Mas esse jogo tático está longe de terminar", lamenta o jornalista Alexis Papachelas. "É quase certo que ainda veremos o líder socialista e ex-ministro das Finanças, Venizelos, sugerir o esquerdista Tsipras como primeiro-ministro, com autoridade para renegociar o pacote de resgate grego", especula. O que, na opinião dele, seria um mero movimento tático.

"O próprio Venizelos já se reuniu para negociar por horas a fio, até a madrugada do dia seguinte, com o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, e com representantes do FMI. Ele sabe como é sentir a ameaça de ter a torneira de dinheiro fechada. E Venizelos vai querer que também Tsipras passe pela mesma experiência", aposta Papachelas.

Autor: Jannis Papadimitriou (md)
Revisão: Roselaine Wandscheer