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Cultura

Foucault e as Artes

Exposição no Centro de Artes e Mídia de Karlsruhe, na Alemanha, celebra a trajetória de Michel Foucault. As ligações do filósofo francês com a arte estão documentadas em áudios, vídeos, instalações, fotos e textos.

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Mostra na Alemanha é dedicada ao universo de Michel Foucault

Se estivesse vivo, Michel Foucault completaria 75 anos no próximo 15 de outubro. Mais de uma década após sua morte, ocorrida em 1984, a comunidade de adoradores das teorias do filósofo francês – considerado um dos principais pensadores do século 20 – reúne-se em sua facção alemã. "Ele praticava um pensar ao mesmo tempo único e diverso, longe de quaisquer escolas, ismos ou ideologias", anuncia Peter Gente, curador da exposição.

Em cooperação com a Merve Verlag – editora do filósofo no país – a mostra Foucault e as Artes, sediada em um dos mais importantes centros artísticos e de mídia do país, destrincha para leigos e especialistas o universo do pensador francês. "Suas grandes monografias sobre psiquiatria, medicina e sexualidade retomam, historicamente, pontos longínquos, embora sejam escritas sob a perspectiva de hoje", observa Gente.

Os documentos expostos em Karlsruhe testemunham, através de textos escritos por e sobre Foucault, as afinidades do filósofo com as artes desde meados dos anos 50 até trabalhos publicados após sua morte. "Seus livros sobre a loucura, a clínica médica, as ciências humanas, a prisão e a sexualidade são acompanhados de livros sobre Raymond Roussel e René Magritte, de textos sobre a história da literatura e a literatura contemporânea, a pintura e a arquitetura", ressalta a curadoria.

Pop art da teoria – Rejeitando qualquer espécie de fio condutor, a exposição parece querer "defender a tese – hoje já vulgarizada – de que o pós-moderno não tem nada a oferecer exceto a indiferença e o vazio de sentidos", observa o diário suíço Neue Zürcher Zeitung. Desvencilhado do peso de palavras introdutórias e explicativas, o primeiro bloco da mostra reúne fotos, excertos de jornais e entrevistas concedidas pelo filósofo para rádio e televisão. "Na exposição, entende-se com que intensidade Foucault foi uma figura cultuada nos anos 60 e 70, um artista pop da teoria", arrisca o diário Süddeutsche Zeitung.

Um segundo bloco resgata do arquivo do Centro de Artes e Mídia de Karlsruhe trabalhos de outros artistas que remetem à obra do pensador francês, como a escultura multimídia Identidades Flutuantes, do holandês Frank den Oudstens, ou clássicos da videoarte como o interativo Lorna, da norte-americana Lynn Hershman. Também presente está uma gravação em vídeo do Crespúsculo dos Deuses, de Pierre Boulez, uma das composições que abriram para Foucault o universo das artes, segundo suas próprias declarações.

Arte e tecnologia – O questionamento levantado por Foucault sobre os elos que unem as artes à tecnologia foi um dos pilares de um novo conceito, que levou à criação de novas escolas e centros de arte em todo o mundo. Entre estes, está o Centro de Karlsruhe, que sedia a exposição. Logo, trata-se aqui de relembrar as palavras de Foucault a respeito "da relação entre arte e tecnologia, desde que esta foi dividida, há 200 anos, na querela entre o antigo e o moderno".

O que se procura em Karlsruhe – que ao lado da mostra promoveu uma série de discussões e um ciclo de filmes – não é apenas um debate acadêmico sobre Foucault, mas um apanhado dos temas que o filósofo pensa em sua obra: literatura, pintura, cinema, música, arquitetura e, last but not least, a própria filosofia daquele que preferia ser chamado de arqueólogo da cultura.

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