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Alemanha

Fotos provam redução dramática das geleiras alpinas

Um estudo conjunto da Sociedade de Pesquisa Ecológica de Munique e da organização Greenpeace logrou provas inusitadas do aquecimento da atmosfera no hemisfério norte.

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O estudo usou fotos atuais e antigas das geleiras alpinas, para constatar a sua redução

A análise das fotos pela Sociedade de Pesquisa Ecológica de Munique e a organização ecologista Greenpeace mostra com uma clareza sem precedentes até que ponto as geleiras dos Alpes já derreteram. O estudo é ímpar na sua precisão, documentando a diminuição de volume das geleiras em toda a região alpina.

A base da pesquisa é formada por mais de 2.000 fotos originais antigas, além de cartões postais, que constituíram o ponto de partida para uma comparação com fotos atuais, feitas dos mesmos ângulos. A fotografia mais velha data do ano de 1893.

As geleiras foram fotografadas sempre no final do verão, a fim de garantir exatamente as mesmas condições das fotos antigas. Nessa época, a neve do inverno já derreteu inteiramente e a verdadeira dimensão da geleira se torna visível. Desta forma foi possível documentar com exatidão a enorme perda de volume dos colossos brancos.

Conseqüências dramáticas

Desde os primórdios da industrialização, no início da século XIX, até o ano de 1975, as geleiras perderam um terço da sua superfície e a metade de seu volume. Nos últimos anos, elas vêm diminuindo ainda mais rápido. No espaço de um ano, as geleiras perdem em média uma camada de 30 centímetros de espessura da sua superfície gelada.

O que mais assusta é a rapidez com que o clima se modifica. O efeito estufa, provocado principalmente pelas emissões proveniente dos países industrializados, continua se agravando. "A redução das geleiras é um sinal alarmante que anuncia uma catástrofe climática ameaçadora. Se a temperatura global continuar aumentando, as geleiras alpinas praticamente desaparecerão até o final deste século", diz Wolfgang Lohbeck, especialista em questões climáticas da Greenpeace.

Erosão e inundações

Wolfgang Zängl, o iniciador do arquivo de fotos, explica: "Nós somos testemunhas da mais rápida redução de geleiras desde séculos. Nossos filhos já terão dificuldades de ver geleiras verdadeiras." Os cientistas contam com a perda de três quartos das atuais geleiras alpinas até o ano 2050. A diminuição das geleiras também gera conseqüências para os grandes rios da Europa, como o Reno, o Ródano ou o Pó, cujo nível sobe. Isto ameaça os habitantes e o povoados dos vales fluviais, em decorrência da rápida erosão.

Um pequeno povoado italiano da região do monte Rosa, por exemplo, está enfrentando atualmente um outro problema, que tem a mesma causa: a água do gelo derretido transformou um pequeno charco num enorme lago. Caso o aquecimento do clima leve a geleira a despedaçar-se, os peritos temem que um vagalhão de água, gelo e lama se despeje sobre o vale. As autoridades italianas tentam adotar medidas de prevenção, construindo pontões, tubulações de drenagem e sensores de pressão.

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