1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Fotos de José Medeiros ganham duas exposições em Lisboa

Imagens do fotógrafo piauiense, que trabalhou para a revista O Cruzeiro e ficou famoso por registrar a sociedade com um olhar sensível e crítico, contam parte da História do Brasil entre os anos 1940 e 1950.

Durante a carreira de fotojornalista, José Medeiros dedicou-se a registrar as camadas mais carentes e oprimidas da sociedade brasileira, sobretudo no período pós-guerra e numa abordagem sempre de proximidade à figura humana. Ao mesmo tempo, trabalhando para O Cruzeiro, a principal revista ilustrada do país na época, retratou o glamour do Rio de Janeiro dos anos 1940 e 1950.

Agora, 23 anos após sua morte e de carona no ano do Brasil em Portugal, o fotógrafo piauiense ganhou duas exposições em Lisboa – uma para cada estilo das imagens que captou. A chamada Mostra José Medeiros, dividida nos espaços “Crônicas brasileiras” e “O Rio é uma festa”, reúne cerca de 190 fotografias, reveladas a partir dos negativos originais, conservados no Instituto Moreira Salles, e quase 30 documentos, entre revistas e publicações.

Um olhar sobre o Brasil oculto

A exposição “Crônicas brasileiras” é dedicada às origens do país. As fotos de Medeiros mostram aspectos da cultura e da história que até então eram desconhecidos. O papel do negro na sociedade brasileira, o lugar do Nordeste num Brasil moderno, a cultura afro-brasileira e as comunidades indígenas.

Ausstellung Crônicas brasileiras

Fotografia de uma das filhas-de-santo na exposição "Crônicas brasileiras", em Lisboa.

O visitante poderá ver as fotografias feitas por Medeiros em rituais secretos de candomblé, na Bahia. Ele registrou, por exemplo, a iniciação de três noviças para se tornarem filhas de santo. Em 1951, O Cruzeiro publicou a reportagem “As noivas dos deuses sanguinários”, com 38 fotografias marcantes que mostram diversas fases da cerimônia. Esse foi considerado um dos mais importantes trabalhos fotográficos sobre a cultura afro-brasileira.

Um grande acervo também é dedicado aos índios do Xingu, bem como a imagens do Nordeste e das terras do interior do Brasil. José Medeiros acompanhou a expedição Roncador-Xingu, entre os anos 1940 e 1950, e registrou os primeiros contatos entre os índios xavantes e caiapós, no Centro-Oeste e no Pará, com os homens brancos.

Medeiros se integrava nas tribos para que o resultado de seus registros fosse o mais espontâneo e natural. A visão humanista do trabalho contribuiu para transformar, no imaginário brasileiro, a percepção das lutas e dos dilemas do povo indígena.

O Rio é uma festa

Ausstellung José Medeiros

Mercedes Batista e Valter Ribeiro na Gafieira Estudantina Musical, 1960, Rio de Janeiro.

Esta exposição é dedicada à celebração da cidade do Rio nos anos dourados. A esperança de paz e de crescimento se materializava na cidade do Rio de Janeiro, nas festas, no carnaval, nos desfiles de 7 de Setembro, nas praias e paisagens urbanas.

“Medeiros mergulha de forma intensa, mas também crítica, nesse Rio festivo e despreocupado”, diz Sergio Burgi, curador e coordenador do Departamento Fotográfico do Instituto Moreira Salles.

Em suas fotografias, ele retrata o luxo dos coquetéis à beira de piscinas, no Jockey Club ou nos bailes à fantasia. Mas não abandona o interesse pelo elemento popular, à margem da vida burguesa.

Esse olhar ambivalente entre o social e o popular pode ser visto em toda a obra fotográfica de José Medeiros e é um importante registro da sociedade brasileira e carioca daquela época.

Fotografia e Cinema

Ausstellung Crônicas brasileiras (Brazilian chronicles)

Edições da revista "O Cruzeiro" com fotografias de José Medeiros.

José Medeiros trabalhou por quase 15 anos na revista O Cruzeiro, realizando importantes reportagens fotográficas e relatando as transformações do país.

Entretanto, em 1965, abandonou o fotojornalismo e iniciou uma importante carreira cinematográfica, como diretor de fotografia, e trabalhou para os mais prestigiados cineastas do Cinema Novo brasileiro. Desde então, José Medeiros nunca mais realizou um trabalho fotográfico.

“Crônicas brasileiras” está em exposição na Fundação Portuguesa das Comunicações e «O Rio é uma festa», no espaço Bes Arte & Finança, em Lisboa. Ambas podem ser visitadas até o dia 4 de abril.

Autor: Antônio Netto, de Lisboa
Revisão: Rafael Plaisant Roldão

Leia mais