Fornecimento de armas aos rebeldes líbios divide potências aliadas | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 30.03.2011
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Mundo

Fornecimento de armas aos rebeldes líbios divide potências aliadas

Hipótese sugerida por EUA, França e Reino Unido é descartada pela Rússia, pela Itália e pelo comando da Otan. Não há consenso se o armamento dos rebeldes estaria previsto na recente resolução da ONU sobre a Líbia.

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Rebeldes líbios em Ras Lanuf

Estados Unidos, França e Reino Unido enfrentam severas críticas da Otan, da Rússia e também de aliados ocidentais após levantarem a possibilidade de fornecer armas aos rebeldes líbios.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, admitiu nesta terça-feira (29/03) a possibilidade de fornecer armas à oposição líbia. Em entrevista à emissora NBC, ele sublinhou todavia que uma avaliação da relação de forças no conflito ainda estaria em curso.

Obama afirmou ainda que o ditador Muammar Kadafi poderá ceder à pressão internacional, tanto militar como diplomática, sobre o regime. "Nossa expectativa é que, no final, Kadafi venha a ceder se continuarmos a pressioná-lo constantemente." Obama admitiu que a renúncia de Kadafi seria o "objetivo estratégico" da coalizão internacional, enquanto sua meta política seria a proteção da população civil da Líbia.

Questionado sobre a possibilidade de os EUA fornecerem armas à oposição líbia, Obama respondeu: "Não a excluo, mas também não digo que vá ocorrer".

Suspeita terrorista

Libyen Krieg Gaddafi NATO Konferenz London

Reunião em Londres decidiu continuar missão

O tema também foi abordado pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e por seu colega de pasta francês, Alain Juppé, à margem da conferência sobre a Líbia em Londres. "Pela nossa interpretação, a recente resolução da ONU [1973] suspendeu o embargo total de armas para Líbia. O fornecimento legal de armas pode vir a ocorrer caso um Estado se decida por tal", disse Clinton.

Também o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que, na sua interpretação, a Resolução 1973 permite o armamento dos rebeldes face a determinadas circunstâncias, como, por exemplo, a proteção de civis. "Não descartamos essa hipótese, mas ainda não decidimos nada."

Clinton assinalou, todavia, que ainda faltariam informações sobre a oposição líbia. "Nós estamos começando a conhecê-los", disse a secretária de Estado. Recentemente, espalharam-se boatos de que entre os rebeldes líbios também estavam terroristas.

Segundo informações do serviço secreto norte-americano, membros da organização terrorista Al Qaeda e do movimento xiita Hisbolá podem ter se infiltrado entre os que lutam contra as forças de Muammar Kadafi.

Comando da Otan

O porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Mahmud Jaman, disse a jornalistas em Londres que, com o equipamento adequado, os rebeldes poderiam sair vitoriosos em questão de dias. "Nós pedimos mais apoio político do que armas", disse Jaman. "Mas seria grandioso se recebêssemos ambos."

O armamento dos rebeldes líbios sofre objeção, no entanto, do secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen. "Nossa tarefa é proteger as pessoas, e não armá-las", disse Rasmussen à emissora britânica Sky News na noite de terça-feira.

Nesta quarta-feira (30/03), a Otan vai assumir os comandos de todas as operações militares da coalizão internacional na Líbia. O tenente-general canadense Charles Bouchard foi escolhido para chefiar as operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte no país.

Reações contrárias

Libyen Krieg Gaddafi Rebellen

Tropas de Kadafi recuperam terreno

O fornecimento de armas aos rebeldes contemplado por EUA, França e Reino Unido enfrenta resistência dentro e fora da Otan. Nesta quarta-feira, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, disse que o mandato do Conselho de Segurança da ONU não abrangeria o suprimento de armas aos rebeldes.

Lavrov afirmou que concordava plenamente com a posição do secretário-geral da Otan, que disse ser contrário ao envio de armas aos insurgentes. Já o diplomata russo na Otan, Dimitri Rogosin, disse que o comportamento da aliança militar nesse caso será um teste para as futuras relações bilaterais.

Países-membros da Aliança Atlântica também expuseram abertamente seu ceticismo sobre a questão. Um porta-voz do Ministério do Exterior italiano afirmou nesta quarta-feira que se trataria de uma "medida extrema, controversa" e que poderia levar a uma "cisão na comunidade internacional". A Noruega, por sua vez, descartou o envio de armas aos opositores de Muammar Kadafi. A ministra da Defesa em Oslo, Grete Faremo, disse à emissora NRK que, para a Noruega, a questão "não é atual".

Em visita à China nesta quarta-feira, o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, teve de ouvir críticas do anfitrião, o presidente chinês Hu Jintao. O objetivo da Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU seria pôr um fim à violência na Líbia e proteger a população civil, disse Hu segundo a emissora CCTV.

Mas quando a ação militar traz consequências desastrosas para "civis inocentes" e faz piorar a "crise humanitária", isso pode vir a "violar o espírito inicial das Nações Unidas", disse Hu.

CA/dpa/rtr/lusa/afp
Revisão: Alexandre Schossler

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