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Eleição na Alemanha

Fora do Bundestag pela primeira vez, liberais têm de se reinventar

Nos 64 anos de existência da República Federal da Alemanha, os liberais do FDP sempre estiveram representados na câmara baixa. A derrota do fim de semana foi um duro golpe.

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Rösler renunciou à presidência do FDP após o desastre

A queda foi grande e dolorosa. Quando as primeiras projeções eleitorais foram divulgadas, o político liberal alemão Christian Lindner disse que esta seria "a hora mais amarga do Partido Liberal Democrático". O resultado oficial preliminar confirma as projeções: o partido recebeu 4,8% dos votos. Uma perda de quase 10 pontos percentuais em relação à última eleição.

Pela primeira vez desde 1949, ano da constituição da República Federal da Alemanha, o Partido Liberal Democrático (FDP, na sigla em alemão) não alcançou o percentual mínimo de 5% que lhe garantiria um lugar no Bundestag, câmara baixa do Parlamento em Berlim.

Lindner, o carismático e eloquente líder da bancada estadual do FDP no estado da Renânia do Norte-Vestfália, enfrentou com dificuldade sua primeira entrevista na TV durante a noite, tal foi a decepção.

Principalmente porque na eleição parlamentar anterior, em 2009, o FDP vivenciara seu melhor resultado: 14,6%. Um declínio nunca visto – de uma alta histórica para uma queda sem precedentes. E agora?

"Foi o resultado da política partidária", disse o cientista político Ulrich Von Alemann. "O FDP cometeu erros na sua política, no seu programa, na sua campanha eleitoral e na escolha de seus líderes."

Clientelismo

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Líder dos partidos da antiga coalizão de governo em Berlim: Rösler, Merkel e Seehofer

Na Alemanha, um período legislativo dura quatro anos – para o FDP, foram quatro anos de altos e baixos. E a queda começou logo após a eleição de 2009: sob pressão dos liberais e da União Social Cristã (CSU), aliada bávara do partido de Angela Merkel, a União Democrata Cristã (CDU), o governo decidiu reduzir o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) do setor hoteleiro. Quase simultaneamente, soube-se de uma contribuição milionária de uma empresa de hotelaria para o partido.

"Imediatamente, o FDP passou a ser visto como partido clientelista, como partido de interesses, disposto a facilitar a vida de grandes contribuintes", disse Von Alemann.

Além disso, houve brigas pessoais internas no partido. Também devido à queda de popularidade, Guido Westerwelle teve de renunciar ao cargo de vice-chanceler federal e à presidência do FDP em 2011. Mas a tendência de queda continuou sob o novo líder Philipp Rösler. Nas eleições para a assembleia legislativa do Sarre, em 2012, o partido atingiu seu ponto mais baixo: 1,2% dos votos – o pior resultado dos liberais num estado do Oeste alemão.

Altas eram registradas, principalmente, quando candidatos se distanciavam em nível estadual da política partidária em Berlim: foi o caso de Lindner na Renânia do Norte-Vestfália. Ele alcançou 8,6% dos votos na eleição para a assembleia legislativa. Ou Wolfgang Kubicki em Schleswig-Holstein, com 8,2%.

Era uma vez um clássico parceiro de coalizão

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Durante quatro anos, Guido Westerwelle foi ministro do Exterior na Alemanha

Lindner e Kubicki ajudaram a melhorar o perfil do partido, algo que faltava em nível federal: embora se diga que Westerwelle tenha amadurecido no cargo de ministro do Exterior, "ele não tem nada para provar que, em termos de política de Relações Exteriores, ele alcançou isso e aquilo", criticou o cientista político Von Alemann.

Nesse contexto, deve-se dizer que o FDP tem longa experiência administrativa. Nos 64 anos de existência da República Federal da Alemanha, o partido sempre esteve representado no Bundestag, fosse no governo, fosse na oposição.

Os liberais chegaram até mesmo a governar ininterruptamente entre 1969 e 1998, apesar da troca de parceiros: primeiramente com o Partido Social-Democrata (SPD), e depois com a CDU/CSU. Nenhum outro partido ficou tanto tempo continuamente no poder. Mas o FDP sempre foi o partido menor na coalizão de governo.

Culpa também é da AfD

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Apoiadores do FDP na noite da eleição: martirizados após uma série de fracassos

A condição de parceiro menor acabou virando um problema. "A força de Merkel se tornou um desastre para o FDP. A dimensão da perda se deve principalmente à chanceler federal e à CDU/CSU", considera Von Alemann. O sucesso eleitoral de 2009 foi baseado principalmente em eleitores que vieram de outros partidos. Eles estavam decepcionados com a grande coalizão formada por conservadores e social-democratas, mas principalmente com a CDU. E agora esses eleitores foram embora.

De acordo com o cientista político, o fato de o FDP ter perdido seu lugar no Bundestag se deve também a outro fator: "Sem a Alternativa para a Alemanha (AfD), o FDP estaria certamente de volta ao Bundestag". O partido eurocético alcançou 4,7% dos votos, avançando sobre o tradicional eleitorado liberal.

Nas pesquisas de opinião pré-eleitorais, a possível saída do FDP já se anunciava: o partido oscilava entre 4% e 6%, sempre próximo ao limite. E, então, uma semana antes das eleições parlamentares, os cidadãos da Baviera deixaram o FDP de fora da assembleia legislativa do estado. Também nas eleições no estado de Hessen, que ocorreram paralelamente às eleições parlamentares alemãs, os liberais saíram da assembleia legislativa.

Atualmente, o FDP só está presente nas assembleias legislativas de oito dos 16 estados alemães. Em somente um deles, o partido faz parte do governo estadual.

E agora?

Hora para o canto do cisne? Não, disse o cientista político Von Alemann: "O FDP é resistente. Tem uma grande história. Tem representantes eleitos por todos os lugares, também nas prefeituras. O partido está firmemente enraizado na sociedade, no público – e por isso ainda não é o fim para o FDP."

Segundo Von Alemann, uma condição é que as alas econômica e liberal do partido estejam, de forma clara e confiável, novamente interligadas. Para tal, o homem certo seria Lindner, ex-secretário-geral do FDP. Na noite da eleição, ele disse que a derrota seria tão fundamental e tão profunda que "a partir de amanhã o FDP deve se reinventar".

A reconstrução será difícil. Mas para isso os liberais têm agora quatro anos – até a próxima eleição parlamentar. E o processo de renovação já começou: nesta segunda-feira, Rösler renunciou à presidência do partido.

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