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Alemanha

Forças Armadas alemãs completam 50 anos

Alemanha passou de país desarmado no pós-guerra para líder de missões de paz. Forças Armadas devem se preparar para intervir em guerras, diz ministro da Defesa.

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Alemanha mantém hoje cerca de 6,5 mil homens no exterior

Soldados alemães participando de missões de manutenção da paz em lugares tão distantes como Kosovo e Afeganistão e – num futuro não muito distante – até mesmo no Oriente Médio: a idéia seria considerada completamente absurda nos primeiros anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, mas é hoje a realidade. A Alemanha mantém 6,5 mil homens no exterior, principalmente em Kosovo, no Afeganistão e na Bósnia-Herzegovina, em missões de manutenção da paz da ONU.

No futuro, os alemães também podem ser exigidos para ações militares em zonas de conflito, ao menos se depender da vontade do ministro da Defesa, Peter Struck. Ele concedeu entrevista à revista Focus, equivalente alemã à brasileira Época. Struck defendeu que as forças alemãs estejam prontas para agir caso a situação nos locais em que elas já atuam degenere para um conflito armado.

Soldados alemães podem vir a morrer

Die Bundeswehr in Feyzabad Afghanistan

Forças alemãs em ação no Afeganistão

Ele também propôs que, no futuro, o seu ministério considere missões além das de paz e estabilização para a Bundeswehr, as Forças Armadas alemãs. Soldados alemães devem estar prontos para "cumprir missões de imposição da paz em qualquer lugar do mundo" em apoio a aliados da Alemanha, disse Struck. Como exemplo, o ministro mencionou que a Bundeswehr pode ser solicitada a representar um papel mais atuante na África no futuro.

Struck disse ainda que não há como descartar a hipótese de que, no futuro, soldados alemães possam morrer em operações de combate. "Para os que nasceram após a guerra essa é uma idéia desagradável, mas nós devemos ser realistas", afirmou.

Início difícil

As Forças Armadas alemãs foram recriadas em 1955, como o nome de Bundeswehr. No mesmo ano, nasceu o Ministério da Defesa. Na verdade, tratava-se apenas de dar um novo nome ao departamento que, desde 1950, já se ocupava com questões de defesa. Era a assim chamada "agência Blank", alocada na caserna Ermekeil, em Bonn. O nome era uma referência ao deputado democrata-cristão Theodor Blank, que comandava o departamento e se tornou o primeiro ministro alemão da Defesa.

O primeiro empurrão para a discussão sobre uma colaboração armada alemã foi dada pela Guerra da Coréia, em 1950. Antes havia se desenvolvido a idéia de um exército europeu com um contingente alemão. O acordo para a criação da Comunidade Européia de Defesa estava prestes a sair do papel quando foi frustrado, em 1954, com a recusa dos britânicos e dos franceses em assiná-lo.

A procura por uma solução para o impasse levou aos acordos de Paris: a Alemanha foi aceita na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e sua soberania foi reconhecida com o fim da ocupação aliada. Estavam preenchidas as précondições para a criação da Bundeswehr.

Jovens armados

Mas não sem polêmica. Apenas dez anos após o final da Segunda Guerra Mundial, jovens poderiam novamente pegar em armas – o assunto foi amplamente discutido na sociedade alemã. Quem era favorável à nova situação mencionava as precárias condições de segurança durante a Guerra Fria e o perigo de um ataque soviético. Havia ainda o desejo de que a Alemanha voltasse a ser um estado soberano, capaz de cuidar de sua própria segurança.

60 Jahre Bundeswehr Vereidigung der ersten Soldaten der neuen Bundeswehr

Primeiros soldados da Bundeswehr prestam juramento, em 12 de novembro de 1955

A oposição, principalmente o SPD, argumentava não apenas com a pesada herança da Segunda Guerra Mundial, mas também afirmava que, com a criação da Bundeswehr, a divisão da Alemanha em duas partes ganharia ainda mais força e a União Soviética (que administrava a então Alemanha Oriental) se sentiria provocada.

A proposta de Forças Armadas ancoradas na Constituição e controladas pelo Parlamento, defendida pelo governo do chanceler Konrad Adenauer, se sobrepôs aos argumentos da oposição e, em 12 de novembro de 1955, os primeiros 101 soldados voluntários prestaram juramento à bandeira. O nome Bundeswehr surgiu apenas em 1956.



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