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Mundo

"Força de resposta" da Otan: pronta para a ação

Após quatro anos de preparação, tropas da Otan aptas a entrar em ação imediata estão prontas para os próximos desafios. Só não se sabe quem vai pagar a conta.

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Força de Resposta da Otan, próximo a Cabo Verde

Após os atentados terroristas nos EUA em 2001 e da participação de tropas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão, os países-membros da aliança militar exigiram do governo norte-americano uma resstruturação do organismo em prol de uma maior flexibilidade frente aos novos desafios a serem enfrentados. Criada em tempos de Guerra Fria, a aliança deveria hoje, segundo o ministro norte-americano da Defesa, Donald Rumsfeld, passar a ser usada como uma "caixa de ferramentas" em caso de ameaças internacionais.

Em 2002, os membros da Otan aprovaram, diante da necessidade de criar uma nova estrutura para a aliança, a criação de uma Força de Resposta, que fica disponível a partir deste domingo (01/10). Os últimos testes foram feitos em meados deste ano nas Ilhas de Cabo Verde, depois dos quais o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, afirmou estar "convencido da capacidade de ação" das tropas.

Adeus às estratégias da Guerra Fria

NATO Generalsekretär Jaap de Hoop Scheffer

Jaap de Hoop Scheffer, secretário-geral da Otan

Neste domingo, os cerca de 26 mil soldados da nova Força de Resposta da Otan (NRF) estarão prontos para entrar em ação em qualquer território de crise, com capacidade para se auto-abastecer por pelo menos 30 dias. Desta forma, afirma o general norte-americano James Jones, comandante da Força, a Otan se despede definitivamente das estratégias militares dos tempos de Guerra Fria e das tarefas exclusivamente de defesa do território de seus países-membros. "Isso é um dado novo para a aliança, pelo qual trabalhamos nos últimos quatro anos", diz Jones.

Os países-membros da Otan são responsáveis, em sistema rotativo, por disponibilizar suas tropas para entrar em ação onde for necessário. Em princípio, estas tropas ficam estacionadas em seus países de origem, a postos para serem enviadas, caso seja necessário. Os soldados permanecem disponíveis por pelo menos seis meses. Antes deste período, passam por meio ano de treinos em companhia de tropas de outros países.

Grande contingente de soldados alemães

Gerhard Back

Gerhard Back, comandante da NRF

No momento, as Forças Armadas alemãs, sob o comando de Gerhard W. Back, disponibilizam o maior contingente de soldados para a NRF. "Nem todos os 26 mil soldados da nova tropa serão recrutados ao mesmo tempo", explica Back. Ao invés disso, eles estão divididos em várias unidades, cada uma com capacidades distintas, como transporte aéreo, desativamento de minas ou combate em terra. Isso faz com que os comandantes, dependendo da necessidade, possam acionar uma outra unidade da tropa.

"Pois não sabemos qual será a próxima missão da NRF, onde estará a próxima região em crise ou para onde seremos enviados. Mas, se isso acontecer, posso colocar em ação o contingente adequado", diz Back.

As missões da Força de Resposta serão definidas pela Otan dependendo de cada situação. Ou seja, as tropas da aliança militar não devem permanecer em regiões de crise a longo prazo, como os "capacetes azuis" da ONU, por exemplo, mas, quando muito, preparar o terreno para a ação de forças internacionais de paz.

Afeganistão e Líbano?

O financiamento das novas tropas ainda é um ponto polêmico dentro da Otan. Países menores e economicamente menos representativos dentro da aliança defendem um sistema, segundo o qual todos os membros dão a contribuição que podem para financiar as missões das tropas. De um fundo comum seriam então tirados os recursos necessários para as missões.

Já países como a Alemanha defendem a perpetuação do atual sistema de financiamento da aliança, segundo o qual cada país arca com as despesas de seus próprios soldados, quando estes são recrutados para agir em nome da Otan. O secretário-geral Jaap Hoop de Scheffer vê a discussão com otimismo: "Chegamos a um ponto, a partir do qual vamos encontrar um equilíbrio sobre o quanto cada país deverá pagar e o que deve sair do orçamento geral da Otan".

Em seus tempos de preparação, a NRF só foi enviada para auxiliar vítimas de um terremoto no Paquistão e do furacão em Nova Orleans, nos EUA. Críticos da criação da Força de Resposta Rápida temem que, uma vez a postos para agir em qualquer região, a Otan queira ampliar o leque de ação das tropas.

Um envio da NRF ao Líbano ou ao Afeganistão, porém, foi, pelo menos até agora, revidado pelos 26 países-membros da aliança. No caso da Alemanha, antes que os soldados do país sigam para qualquer região, o envio tem que ser aprovado pelo Parlamento. Para muita discussão, no entanto, não sobra tempo. Pois as regras ditam que, uma vez recrutados, os soldados da NRF têm que seguir dentro de cinco dias para o destino em questão.

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