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Economia

Fomento à energia eólica é questionado na Alemanha

Crescem os protestos contra a poluição da paisagem, causada por mais de 15 mil turbinas eólicas. Segundo os críticos, a energia eólica consome altas subvenções e não traz muitas vantagens para o meio ambiente.

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Cata-ventos contribuem para poluição visual no campo

No momento em que o Brasil está para regulamentar o fomento às fontes renováveis de energia, na Alemanha a questão é um dos pontos de discórdia entre o ministro do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, do Partido Verde, e seu colega da Economia, Wolfgang Clement, do Partido Social Democrata.

O fomento às fontes renováveis de energia tornou-se o carro-chefe da política ambiental alemã, após a desistência da energia nuclear, com a paulatina desativação das usinas atômicas. A meta é aumentar a parcela das energias renováveis - que cobrem atualmente 8% do consumo - para 12,5% em 2010 e 20% até 2020.

Das renováveis, a energia eólica parece ser a menina dos olhos de Trittin, sendo a mais privilegiada: no final de 2003, havia 15.387 turbinas instaladas no país, com uma capacidade de 14,6 gigawatts. E a previsão é de que a capacidade irá duplicar até 2010.

Novo movimento de protesto

Os protestos de antes contra usinas atômicas ou depósitos de lixo atômico agora cederam lugar a manifestações locais contra a destruição das paisagens, repletas dos "moinhos de vento" do século 21. "Essa é a pior devastação desde a Guerra dos Trinta Anos", para o professor Hans-Joachim Mengel, que lançou uma iniciativa contra a presença maciça das turbinas com seus mastros brancos na região de Uckermark, ao norte de Berlim.

Mengel é citado na matéria de capa da última edição do semanário Spiegel, intitulada Die grosse Luftnummer (Castelos no ar). Ridicularizado como "o D. Quixote do Uckermark", em sua luta contra os moinhos de vento, o professor virou herói quando muitos se sentiram incomodados com um número cada vez maior de turbinas eólicas. Além da poluição visual, elas emitem luzes de advertência à noite, o chamado "efeito discoteca", e também fazem ruído.

Os senões do fomento à energia eólica

A reportagem reúne argumentos contra a proliferação dos rotores e questiona o sentido de se continuar fomentando a energia eólica. E demonstra, em suma: que as subvenções são demasiado altas e não provocariam grande alívio nas emissões de CO 2; que o Estado perderia arrecadação por conceder facilidades tributárias exageradas; que as distribuidoras de energia elétrica terão que investir muito dinheiro (500 milhões de euros) para fazer as alterações necessárias nas redes e armazenar energia para, assim, equilibrar as oscilações da força do vento; e que, em última análise, caberia ao consumidor pagar a conta, isto é, mais caro pela eletricidade - 10% a mais, segundo calcularam especialistas.

Em junho próximo, quando delegações do mundo inteiro vierem a Bonn participar de uma conferência internacional sobre energias renováveis, o governo alemão quer brilhar com o fato de as empresas do setor faturarem cerca de 3 bilhões de euros, tendo criado 40 mil empregos. A Alemanha é, de fato, campeã em energia eólica, com uma capacidade instalada muito maior que a da Dinamarca, Espanha e os Estados Unidos juntos. Só que na Dinamarca o governo praticamente cancelou as subvenções há dois anos.

Na Alemanha, que terá de substituir nos próximos anos as usinas nucleares que aos poucos forem desativadas e as velhas usinas a carvão, formaram-se duas frentes de batalha em torno da energia eólica. De um lado estão os fabricantes de rotores, proprietários de firmas geradoras desse tipo de energia e o ministro do Meio Ambiente, Trittin. Do outro, ambientalistas e moradores das regiões invadidas pelos cata-ventos viram-se na companhia do lobby das indústrias nuclear e do carvão. Ao seu lado está o ministro da Economia, Clement.

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