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Mundo

"Foi muito comovente participar da escolha do Papa", conta cardeal alemão

Reinhard Marx, arcebispo de Munique, foi um dos seis cardeais alemães que participaram do conclave que elegeu o novo líder da Igreja Católica. Em entrevista à DW, ele conta sobre a experiência e como avalia o resultado.

O cardeal Reinhard Marx, de 59 anos, é arcebispo de Munique e Freising desde 2007. Em 2010 ele foi nomeado pelo então papa Bento 16 para o Colégio de Cardeais. Em sua primeira participação num conclave, o que escolheu o papa Francisco em 13 de março de 2013, ele foi um dos seis cardeais alemães com direito a voto.

Deutsche Welle:Eminência, esse foi o seu primeiro conclave. Como foram seus sentimentos? Isso poderia ser revelado ou também é segredo?

Cardeal Reinhard Marx:Não, os sentimentos podem ser revelados, sim. É uma coisa comovente. Eu já estive, naturalmente, algumas vezes nesses corredores, na Capela Sistina, na Capela Paulina, onde estão as pinturas maravilhosas de Michelangelo. Mas se está reunido para um ato como esse, se ora junto, canta-se aLadainha de Todos os Santos e, então, se entra em procissão na Capela Sistina, é preciso ser muito empedernido para não se comover. Claro, a gente tem na cabeça imagens de filmes como O cardeal, As sandálias do pescador. Claro que eu assisti a esses e outros filmes semelhantes, quando criança. Nunca sonhei que um dia eu vivenciaria isso, que eu estaria presente. Algumas vezes eu tive que me beliscar no braço para dizer: isto é realidade? É você, o pequeno Reinhard Marx de Geseke, aqui, agora, elegendo o Papa? Mas era isso mesmo. Aconteceu!

Após a eleição, enquanto o Papa era vestido, o senhor teve um pouco de tempo para tentar adivinhar com seus colegas cardeais como o novo papa se chamaria. Foi uma grande surpresa para o senhor, ele ter escolhido o nome Francisco?

Sim, isso foi uma surpresa para nós, porque é a primeira vez. Quando o nome Francisco foi pronunciado e ele disse que seria uma homenagem a São Francisco de Assis, nós nos demos conta: é a primeira vez da história da Igreja que um papa se chama assim. É uma coisa comovente, pois se sabe que alguém pretende emitir um sinal através dessa escolha de nome, como fizeram outros papas. Bento 16, vez isso, ao mostrar que São Bento, pai dos monges, era importante para ele. Ora et labora – Reza e trabalha – uma grande personagem espiritual da Europa. E agora este Papa: o santo dos pobres! Isso, naturalmente, já estabelece um programa.

O Papa saiu à sacada da Basílica de São Pedro vestido de batina branca singela, na quinta-feira de manhã atravessou a cidade num veículo simples, até a Igreja Santa Maria Maggiore. Isso faz parte do programa papal? A Igreja está dando sinais de que agora será mais pobre e de que cuidará mais dos pobres?

Sim, eu acredito que ele quer deixar claro que não aprecia essa ostentação exterior. Ele terá também de se adaptar em alguns pontos. É preciso se locomover. Ele terá que viajar de avião, caso vá para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. Isso é óbvio. Mas ele quer deixar claro: esta não é uma igreja da pompa e dos hábitos de corte ou algo assim. Nesse ponto eu acho que ele é reservado, e eu acho isso bom.

A primeira visita de Francisco será ao papa emérito Bento 16. Surpreende-lhe o fato de o novo papa buscar um contato tão estreito assim?

Não, eu não acho surpreendente. Na verdade, acho normal. Ele está dizendo: "Agora eu sou o Bispo de Roma e o Papa". Na verdade, é mais do que adequado ir visitar e falar com o seu antecessor. Isso é muito natural e também positivo. E a primeira visita foi à Mãe de Deus, em Santa Maria Maggiore, diante do grande ícone Salus populi romani [Protetora do povo romano]. Ele tem um significado absoluto para os romanos: trata-se da imagem protetora da cidade de Roma. Com isso, ele quis mostrar: "Eu sou um de vós, como vosso bispo".

No conclave, teoricamente qualquer um pode ser o escolhido. Qualquer cardeal pode ser eleito. Vossa Eminência já havia considerado um nome, caso…

[ri] ...Não, pois a probabilidade era realmente mínima, minimalista, até. De forma que não perdi tempo pensando: "Como você quer se chamar?". Não, eu não fiz isso.

Entrevista: Bernd Riegert, de Roma (jor)
Revisão: Augusto Valente

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