FMI e Banco Mundial prometem mais poder de voto a países emergentes | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 07.10.2009
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Economia

FMI e Banco Mundial prometem mais poder de voto a países emergentes

Assembleia Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) na Turquia terminou com apelo para que a crise econômica mundial seja aproveitada como chance de reformas.

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Strauss-Kahn, presidente do FMI, saiu fortificado com crise

Após quatro dias de conversações, terminou em Istambul, nesta quarta-feira (07/10), a reunião anual dos ministros das Finanças e do Desenvolvimento dos 186 países-membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Os ministros discutiram sobre as consequências da dura recessão global, como também sobre possíveis estratégias para o período pós-crise.

Como resultado do encontro, foi acertado que países emergentes e em desenvolvimento passarão a ter maior poder de voto nas organizações. Os dois próximos encontros anuais, em 2010 e 2011, acontecerão na capital norte-americana Washington, sede das duas organizações.

Demanda recorde de empréstimos

Krawalle bei Jahrestagung von IWF und Weltbank in Istanbul

O encontro também foi marcado por protestos

Até o início do próximo ano, o Banco Mundial pretende elevar o poder de voto dos países mais pobres em pelo menos três pontos percentuais, ou seja, para 47%, no mínimo. O FMI, por sua vez, planeja um aumento em pelo menos cinco pontos percentuais, o que deverá ser decidido até 2011.

O G24, grupo que reúne países emergentes e em desenvolvimento, criticou os planos do FMI e exige seis pontos percentuais a mais no Banco Mundial e sete junto ao FMI.

Devido à demanda recorde de empréstimos por parte dos países mais pobres, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, defendeu em Istambul o aumento das verbas das organizações de ajuda ao desenvolvimento. Caso não haja um acréscimo de capital, paira a ameaça de um "sério impasse" na alocação de empréstimos, em meados do próximo ano, afirmou Zoellick.

Com vista à melhora conjuntural ainda incipiente, o FMI e o Banco Mundial alertaram durante o encontro para que não se veja a crise como superada. As ajudas estatais bilionárias ainda devem ser mantidas. Além disso, os especialistas das organizações mostraram-se preocupados com o crescimento do desemprego.

Fortalecimento do FMI

Türkei Istanbul Robert Zoellick Jahrestagung IWF und Weltbank

Robert Zoellick alerta para impasse nos empréstimos

A crise financeira, todavia, teve outro aspecto: o renascimento e aumento da simpatia por uma instituição antes odiada. Ao Fundo Monetário Internacional cabe agora desenvolver um sistema de alerta contra uma eventual próxima crise financeira.

Dominique Strauss-Kahn, presidente do FMI, aproveitou o momento positivo para reformular sua instituição. Para ele, é vantajoso dar agora maior peso a países emergentes como China, Rússia e Brasil. Além de granjear a eterna gratidão dos emergentes, o FMI reduz assim sua dependência em relação os EUA.

Strauss-Kahn poderá entrar para a história do fundo como aquele que lutou por mais justiça, pelo menos dentro do mundo do FMI. No entanto já se erguem as primeiras vozes contra suas pretensões.

Recado de Istambul

Por exemplo: em seu discurso, o presidente do Banco Central alemão, Axel Weber, exigiu que após a crise o FMI retorne a suas atividades normais. Deve-se prestar atenção para que não se forme uma competição entre as instituições de ajuda, disse Weber. Bancos centrais, governos, FMI, todos oferecem dinheiro, mas chegará o dia em que eles terão de recuperá-lo. De outra forma, dívidas e juros atingirão níveis incontroláveis, explicou.

Apesar da retórica de boa vontade, não é fácil para a economia tradicional outorgar influência ao Brasil, China e Rússia. A longo prazo, todavia, os países industrializados irão lucrar com isso, pois com o aumento da demanda nos países emergentes, nações exportadoras como a Alemanha serão beneficiadas.

Sem a ajuda dos países emergentes, a recuperação da economia mundial será ainda mais lenta. Esse é também um recado que se leva de Istambul: a economia se recupera. Nesse processo, no entanto, as recaídas são mais do que prováveis.

Autor: Sabrina Fritz / Carlos Albuquerque
Revisão: Augusto Valente

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