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Economia

FMI critica europeus e defende perdão da dívida grega

Relatório afirma que a dívida da Grécia é totalmente insustentável e expõe profunda divergência entre a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu nesta terça-feira (14/07) que a Grécia precisa de um alívio muito maior do que os governos europeus estão dispostos a oferecer. Em relatório sobre a dívida grega, o FMI sublinhou que a zona do euro precisa ir muito mais longe do que o acordo fechado nesta segunda-feira, podendo até mesmo ter que perdoar uma parte da dívida da Grécia.

O relatório técnico do FMI considera que a dívida grega é totalmente insustentável, podendo se aproximar de 200% do seu Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos dois anos, por causa da situação devastadora da economia e dos bancos do país. Atualmente a dívida chega a 175% do PIB.

Para o FMI, a Europa não tem outra escolha a não ser uma iniciativa mais radical de alívio da dívida, opção a que a Alemanha se opõe. Falando sob anonimato, funcionários de alto escalão do FMI alertaram que, do contrário, o fundo pode não participar da assistência financeira à Grécia. Um representante da instituição financeira, em declarações à agência de notícias AFP, sugeriu que o FMI deve participar do resgate somente se a Europa apresentar um plano claro.

O FMI sugeriu três alternativas à Europa. A primeira consiste em ampliar para 30 anos o período de carência das atuais dívidas. A segunda passa pela transferência anual de fundos para a Grécia. A terceira prevê pura e simplesmente um perdão de parte da dívida.

O relatório foi enviado para os líderes da zona do euro antes da reunião de cúpula do fim de semana passado, em Bruxelas. Já se sabia que havia divergências entre os europeus e o FMI em relação à Grécia, mas agora está claro que essas divergências são muito grandes.

A Grécia recentemente não pagou duas parcelas de sua dívida com o FMI, no valor total de 2 bilhões de euros.

O parlamento da Grécia vota nesta quarta-feira as primeiras reformas exigidas pelos países da zona do euro para que o país receba um terceiro pacote de resgate financeiro. Antes do debate no parlamento, o primeiro-ministro Alexis Tsipras assumiu perante a população grega, num programa de televisão, a responsabilidade pelas difíceis negociações com os credores. “

"Eu assumo a responsabilidade por um texto que assinei para evitar o desastre do país, o colapso dos bancos. Um primeiro-ministro precisa lutar, dizer a verdade, chegar a decisões e não fugir", disse.

MP/rtr/ap/lusa/afp

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