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Cultura

Floresta Negra guarda tesouro cultural alemão

Os bens culturais sempre foram um símbolo de identidade nacional e, por isso, muitas vezes tornam-se alvos em guerras. Precavidos, os alemães guardaram seu patrimônio cultural numa mina desativada.

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Manuscrito de Goethe tem sua cópia guardada na Floresta Negra

A galeria subterrânea Barbara, localizada numa mina de prata a 15 quilômetros de Freiburg (sudoeste da Alemanha), deixou de ser explorada há muito tempo. Hoje, a montanha de 1300 metros de altitude virou importante área de lazer para ciclistas, fãs do motociclismo e das caminhadas.

Um simples e estreito caminho no interior da mata leva ao "centro de resgate" da Alemanha, onde está depositado tudo o que se refere à cultura alemã e que ainda pode ser de interesse em centenas de anos.

Chuva ácida e radioatividade

Até o começo dos anos 90, poucos sabiam da existência de documentos tão importantes nas profundezas da Floresta Negra. A 500 metros da entrada do corredor subterrâneo, estão arquivados mais de 600 milhões de fotografias. Depositados em contêineres de aço, protegidos da chuva ácida e de radioatividade, os microfilmes guardam, na forma de cópias, os mais importantes documentos da história da Alemanha.

Por trás do portão que dá acesso ao depósito, o visitante atravessa um corredor frio e úmido, de paredes brancas iluminadas por uma fraca luz de néon. Para que os dados arquivados resistam a tudo o que acontecer no planeta ao menos nos próximos 500 anos, a temperatura é mantida sob constantes 10ºC e, a umidade do ar, em 75%.

Top secret

Freiburg Berg Schauinsland

O morro que abriga o arquivo, perto de Freiburg

A galeria foi reformada tendo em vista a Convenção de Haia, de 1954, para a proteção dos bens culturais em caso de conflito armado. As obras foram iniciadas em 1972, sendo que os primeiros microfilmes começaram a ser trazidos três anos depois. Tudo se deu de forma secreta, sem o conhecimento da imprensa ou da população.

Hoje, não é mais assim, conta o presidente do Arquivo Central Alemão, Hartmut Weber. Já é de conhecimento público que, a cada ano, chegam ao local três a quatro remessas de microfilmes, cuidadosamente protegidos em pequenos barris de metal.

Durante muito tempo, propagaram-se justificativas das mais exóticas para explicar o que acontecia ali. Enquanto alguns especulavam ser um depósito de munição, outros acreditavam tratar-se de um quartel-general secreto das Forças Armadas.

Na realidade, o abrigo guarda 16 mil quilômetros de microfilme, testemunhos da vida, do pensamento e da atuação da civilização alemã. O administrador deste tesouro é a Central Alemã de Defesa Civil, com sede na cidade de Bonn. Por tratar-se do maior arquivo de imagens da Europa, é considerado a "sala dos tesouros da nação".

Preservação de peças raras

A microfilmagem de documentos históricos é prática usual na Alemanha desde 1961. A destruição do original, seja por conflitos armados, catástrofes naturais ou um simples acidente, já seria uma perda irreparável, mas a cópia continua sendo um testemunho de que existiu algum dia. No arquivo estão, por exemplo, cópias dos planos de construção da catedral de Colônia, das ameaças de excomunhão a Lutero e de um manuscrito original de Voltaire.

A decisão sobre o que será microfilmado cabe às administrações regionais e federal do Arquivo Central. Seus responsáveis baseiam-se, para isso, em diretrizes para a proteção de bens culturais, que visam "uma amostragem representativa sob os mais diferentes aspectos".

As prioridades foram divididas em três níveis, mas as verbas – três bilhões de euros ao ano – e os funcionários disponíveis permitem a realização apenas do considerado estritamente necessário. Uma verba modesta, se considerarmos que a microfilmagem de todo o acervo da Biblioteca Estadual da Baviera custaria cerca de 120 bilhões de euros.

Testamento de Hitler

A decisão final sobre o que será guardado cabe aos arquivistas. "Escolhemos um pouco de cada século", explica Uwe Schaper, vice-diretor do Arquivo Central do Estado de Brandemburgo. "Poderia ser, por exemplo, a entronização do Otto, o Grande, ou o testamento de Hitler."

Decisões sempre estão sujeitas a críticas, também as dos arquivistas, acusados de se preocuparem demasiadamente com os interesses do Estado. Entrementes, esta tendência está se revertendo, em favor da documentação existente em arquivos particulares, bibliotecas e em poder de colecionadores, explica.

A cada ano, o acervo do arquivo aumenta em 15 milhões de microfotografias, implicando um enorme trabalho de catalogação. Um esforço que leva Uwe Schaper a questionar: "Realmente temos de deixar tudo aos nossos descendentes?"

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