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Mundo

Fischer espera unanimidade do governo Bush

Por causa das recentes declarações contraditórias do governo americano, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, acredita que os EUA precisam redefinir a tática em relação ao Iraque.

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Joschka Fischer, ministro alemão do Exterior

O governo americano parece estar dividido na questão do Iraque. Enquanto o secretário de Estado, Colin Powell, defende o retorno dos inspetores de armas da ONU, o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, apóia uma ação militar contra o Iraque.

No último final de semana, Powell voltou a frisar que o primeiro passo em relação ao Iraque é o envio de inspetores de armas da ONU. Ele também defende que a comunidade internacional tenha um acesso mais amplo às informações, inclusive confidenciais, para conhecimento dos reais perigos e riscos. Só assim seria possível tomar uma decisão conjunta sobre o emprego de medidas mais drásticas.

O secretário de Estado americano apontou ainda a necessidade de um debate a nível mundial antes de um ataque contra o regime de Saddam Hussein. "É preciso que haja um debate na comunidade internacional para que todos possam fazer um julgamento próprio".

A declaração de Powell contradiz a afirmação feita na semana passada pelo vice-presidente americano, Dick Cheney, para quem o retorno de inspetores da ONU não faz mais sentido, tendo chegado o momento de preparar uma ação militar contra o Iraque.

A Casa Branca desmentiu a existência de qualquer controvérsia no alto escalão americano. Em entrevista concedida à rede britânica CNN, um porta-voz do governo Bush garantiu que Powell e Cheney defendem a troca de governo no Iraque.

Powell também negou que exista algum desacordo, lembrando que Bush quer que os inspetores da ONU voltem ao Iraque, de onde foram expulsos em 1998, para continuar examinando o arsenal de armas e a produção bélica no país. O Iraque é suspeito de possuir armas de destruição em massa.

Instabilidade no Oriente Médio

As mais recentes declarações do governo americano, entretanto, não apontam uma unanimidade de pensamento, conforme esclareceu o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer.

A exigência feita por Cheney, de tomar medidas preventivas contra o Iraque, foi bastante criticada, tanto nos EUA quanto no exterior. A União Européia rechaça a possibilidade de destituir Saddam Hussein com o uso da violência. O governo alemão teme que uma invasão no Iraque cause instabilidade em todo o Oriente Médio e coloque em risco a segurança no continente europeu.

Decisão irrevogável

Fischer salientou que a decisão da Alemanha de não participar de um ataque militar contra o Iraque é irrevogável e não há risco de uma mudança de postura após a eleição parlamentar no país, que será realizada no dia 22 de setembro.

"No momento não existem provas de uma ligação entre o regime iraquiano e o terrorismo islâmico. O que existe é um risco desproporcional para toda a região no caso de uma invasão. Nós não vamos participar disso. A decisão vale para antes e depois da eleição", garantiu o ministro alemão do Exterior.

Iraque não descarta possibilidade

O governo iraquiano esclareceu que não descarta a possibilidade de um retorno dos inspetores de armas da ONU ao país. Durante a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em Johanesburgo, o vice-presidente do Iraque, Tarek Asis, disse que o assunto continua sendo avaliado pelas autoridades.

Em agosto, o Iraque manteve conversações com as Nações Unidas sobre o assunto, sem que houvesse um consenso. A ONU exige que o Iraque aceite o retorno dos inspetores de armas sem impor restrições.

Amizade russa

O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Nadschi Sabri, esteve em Moscou, onde conversou com seu colega de pasta, Igor Ivanov, com o objetivo de sondar qual será a posição da Rússia perante um possível ataque militar americano em solo iraquiano.

O Iraque mantém boas relações com a Rússia há muito tempo. Recentemente, os dois países redigiram um acordo de cooperação econômica no montante de 40 bilhões de dólares. Visando o apoio russo, o Iraque já anunciou que o documento está pronto para ser assinado.

A Rússia é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Com seu veto, ela poderia bloquear qualquer resolução sobre uma ofensiva militar contra o Iraque.

Schröder e Chirac

O chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, irá receber o presidente da França, Jacques Chirac, em sua residência particular na cidade de Hanôver, no próximo sábado (8/9).

Os dois chefes de governo irão trocar idéias sobre a expansão da UE para o Leste Europeu, a situação no Oriente Médio e ainda tratar da questão do Iraque. Joschka Fischer e o ministro francês do Exterior, Dominique de Villepin, também participarão do encontro.