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Mundo

Fischer conclama Washington a esclarecer acusações no Iraque

Ministro alemão do Exterior exige punição para os responsáveis de torturas de prisioneiros no Iraque. Joschka Fischer também fez uma iniciativa pela retomada do processo de paz no Oriente Médio.

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Condoleeza Rice e Fischer

O ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, condenou a decapitação do norte-americano Nicolas Berg no Iraque, que chamou de um "ato de barbárie e assassínio a sangue frio", após um encontro com a conselheira de segurança Condoleeza Rice na Casa Branca. Fischer mostrou-se preocupado com a escalada da violência naquele país.

Ao encerrar nesta quarta-feira (12) sua visita aos Estados Unidos, o político alemão também comunicou ao governo norte-americano o choque e a estupefação dos alemães e de todos os europeus ao tomarem conhecimento das humilhações e maus-tratos a que soldados americanos submeteram prisioneiros iraquianos.

Um caso para o Tribunal Penal Internacional

Fischer conclamou as autoridades em Washington a esclarecerem completamente os casos de tortura e maus-tratos, lembrando o papel especial que os Estados Unidos representam na defesa dos direitos humanos, da democracia e da liberdade. Os culpados devem ser punidos e também seria preciso "mudar as coisas para que esse tipo de transgressão não mais possa acontecer".

Joschka Fischer também manifestou o desejo de que os Estados Unidos reconheçam o Tribunal Penal Internacional, o que Washington tem se recusado a fazer. Isso permitiria que soldados americanos fossem julgados por crimes cometidos em missões internacionais.

O futuro do Iraque

Quanto à passagem do poder aos iraquianos, prevista para 30 de junho, ambas as partes concordaram em que é preciso aguardar o resultado das sondagens do enviado das Nações Unidas, Lakhdar Brahimi. Depois, seria necessária uma nova resolução da ONU, para o que o ministro alemão ofereceu sua cooperação no Conselho de Segurança.

Fischer precisou a posição alemã: "eu creio que um amplo apoio internacional seria muito útil, e não apenas o consenso interno dos iraquianos. É preciso incluir os vizinhos, o mundo árabe, o Conselho de Segurança da ONU. Mas a questão do apoio financeiro [...] também é importante e deveríamos expor nossa concepção."

Oriente Médio – um primeiro passo em Berlim

Outro tema da conversa com Condoleeza Rice foi seu encontro com o primeiro-ministro palestino, Achmed Kurei, a realizar-se na próxima semana em Berlim. Após meses de silêncio entre Washington e os israelenses, por um lado, e os palestinos, de outro, está na hora de retomar o diálogo. O encontro em Berlim é uma iniciativa de Fischer, que assim expôs a visão da diplomacia alemã:

"A paz só se estabelece quando as partes contrárias estão dispostas a concessões dolorosas e o acordo final pode ser assinado e respeitado por ambas as partes. Nesse contexto, é decisivo se restabelecer a capacidade de negociação dos palestinos."

O governo norte-americano tem sido criticado por sua posição unilateral pró-israelense e também por descuidar do conflito no Oriente Médio, ao se concentrar no Iraque.

Encontro de cúpula teuto-francês

De Washington, Joschka Fischer partiu para Paris, onde informará a França sobre sua visita nos EUA. Na capital francesa se realiza nesta quinta-feira (13) mais um encontro de cúpula teuto-francês. Reúnem-se não apenas Jacques Chirac, Gerhard Schröder e seus ministros do Exterior, como os dois gabinetes quase completos. A pauta inclui questões de segurança e de competitividade, entre outros assuntos.

Temendo a transferência de fábricas e empregos aos novos membros do Leste Europeu, Paris e Berlim pretendem lançar uma iniciativa contra a guerra fiscal na União Européia. Trata-se de um acordo-base para a tributação de empresas, com o objetivo de impedir concorrência desleal entre os 25 membros da UE, na disputa pelo estabelecimento de indústrias.

Por trás dos bastidores também discute-se outro aspecto da política industrial. Entre Berlim e Paris houve desentendimentos ultimamente porque o governo francês fez uma clara intervenção a favor das empresas Sanofi e Alstrom, alegando interesses nacionais. O governo alemão teme que a Aventis, incorporada pela Sanofi, e a Siemens, que tem projetos conjuntos com a Alstrom, saiam prejudicadas.

Em princípio, tanto Schröder como Chirac estão interessados em um fortalecimento das empresas européias, através de fusões, para evitar que elas acabem sendo engolidas por grupos financeiros externos.

Também o Pacto de Estabilidade está na agenda, diante da dificuldade de ambos países cumprirem o limite de 3% do PIB fixado para o déficit orçamentário. Segundo o presidente francês, a Europa passa "pela pior crise econômica dos últimos 60 anos", cujas conseqüências seriam perceptíveis em toda a UE, mas principalmente na França e na Alemanha.

O chefe de governo alemão, Gerhard Schröder, por sua vez, usou uma nova formulação para exigir um afrouxamento do Pacto de Estabilidade. Sua aplicação deveria "orientar-se pelo crescimento", a fim de não abafar os primeiros sinais de uma recuperação econômica.

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