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Mundo

Financial Times aconselha voto na direita

O "Financial Times Deutschland" rompeu um tabu no jornalismo alemão e aconselhou seus eleitores a votarem na direita democrata-cristã. Os concorrentes reagiram com ceticismo e prometeram não recomendar partido algum.

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Edição do Financial Times com recomendação de voto

"Apesar de todos os escrúpulos, a aliança (CDU e CSU) oferece as melhores perspectivas para uma política que garanta crescimento econômico e integração internacional", escreveu o diário econômico Financial Times Deutschland num editorial intitulado "É tempo para uma mudança", em sua edição desta segunda-feira (16). Numa ação fora do comum, o jornal recomendou que na eleição do novo Parlamento, no próximo domingo (22), se vote contra a coalizão de governo de centro-esquerda. É o primeiro jornal interregional na Alemanha que faz uma recomendação desta natureza aos eleitores.

A edição alemã do jornal britânico Financial Times orienta-se pela tradição dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. A decisão de recomendar votos nas legendas irmãs de centro-direita não foi tomada pela maioria da redação, mas pelos dois redatores-chefe do jornal na Alemanha, depois de uma discussão acirrada que durou seis horas. Os redatores que tenham opinião contrária podem se expressar em comentários assinados, segundo o redator-chefe Christoph Keese.

O jornal apresentou vários argumentos para a sua tomada de posição: "O chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, provou, em quatro anos, que rejeita reformas radicais do Estado social, enquanto com o seu concorrente Edmund Stoiber existe pelo menos a esperança justificada de que essas reformas sejam ousadas. O Partido Social Democrático (SPD) correspondeu em parte às esperanças de muitos alemães, mas decepcionou mais tarde".

A posição do Financial Times espelha a da maioria do empresariado alemão, que vê um retorno da CDU e CSU ao poder como esperança de fim da crise econômica. Ela confirma também a opinião do cientista político Joachim Raschke de que há duas maiorias na Alemanha: uma maioria cultural, a favor da coalizão governamental social-democrata e verde e uma maioria econômica, que quer a substituição, a volta dos democrata-cristãos e social-cristãos ao poder.

Parcialidade e denúncia

Os jornais concorrentes, como o Handelsblatt de Düsseldorf, parecem céticos com a parcialidade do Financial Times em relação à eleição parlamentar de domingo, que vai decidir sobre o futuro da Alemanha. "Todo jornal tem de ser crítico em relação a todos os governos, mas isso simplesmente não justifica uma recomendação eleitoral", criticou seu redator-chefe, Bernd Ziesemer. A editora Axel Springer também garantiu que não recomendará votos para partido algum. A editora foi, todavia, acusada, inclusive pelo chefe de governo Schröder, de ter tentado prejudicar a coalizão de centro-esquerda.

O jornal mais popular da Alemanha, o Bild Zeitung, que pertence ao grupo Axel Springer, divulgou nomes de deputados governistas e outros de esquerda, que constavam numa lista de políticos de todos os partidos envolvidos num escândalo de vôos de caráter particular com bônus da Lufhansa adquiridos com milhas voadas a serviço do Estado. Em conseqüência, o deputado federal do Partido Verde que é filho de imigrantes, Cem Özedemir, foi obrigado a renunciar. O mesmo aconteceu com a estrela máxima do partido neocomunista PDS, Gregor Gisy.

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