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Cultura

Finanças: estrela dos palcos alemães em 2002

Um balanço do ano teatral mostra uma arte ameaçada de extinção e possivelmente condenada a submeter-se à ditadura das leis do mercado.

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Diretora Andrea Breth: uma das protagonistas da batalha nos teatros alemães

De início, os cortes de orçamento eram tratados como um mal necessário, mas agora o aperto financeiro ameaça a existência de numerosos teatros nos países de língua alemã. A crise vem espalhando o pânico entre as direções dos teatros e espectadores. A Associação dos Palcos Alemães exige que todos os aumentos salariais sejam sustados, pois, embora nos últimos anos os teatros alemães hajam cortado seis mil de um total de 45 mil vagas de trabalho, aumenta o perigo de fechamento de mais casas e de corpos artísticos.

Antes mesmo das eleições de setembro na Alemanha, a vice-presidente do Parlamento federal, Antje Vollmer, pedira a convocação de uma conferência da Unesco em prol da "ameaçada paisagem teatral alemã". Em 11 de dezembro deste ano a Aliança pelo Teatro, uma comissão nomeada pelo presidente Johannes Rau em pessoa, divulgou relatório sobre o futuro das casas de espetáculo da Alemanha. Segundo este, entre as precondições para a sobrevivência do setor estão: maior autonomia e segurança de planejamento, menos burocracia e, sobretudo, meios de financiamento adequados.

Ditadura dos números

Em contraste à liberdade artística quase ilimitada de que gozaram nas últimas décadas, tudo indica que os teatros subvencionados dos países de língua germânica terão que se dobrar, mais cedo ou mais tarde, à pressão do sucesso numérico. Em setembro, o diretor do Teatro Municipal de Zurique, Chistoph Marthaler, foi inesperadamente demitido, devido à baixa freqüência de espectadores. Apenas três meses antes, a população daquela cidade suíça votara, em plebiscito, pelo aumento das subvenções teatrais. Posteriormente decidiu-se manter Marthaler no cargo até 2004, embora sob a condição de que economize verbas e atraia um público maior.

Também em Hamburgo se faz sentir a pressão sobre as artes cênicas. O diretor da Deutsches Schauspielhaus, Tom Stromberg, é acusado por seus detratores de levar a casa à ruína financeira. A secretária de Cultura, Dana Horakova, considera o desempenho de Stromberg "desapontador e pouco inspirador", e a situação financeira daquele teatro, "dramática". O superintendente, por sua vez, classifica o déficit apresentado de 60 mil euros como uma "quantia negligenciável". Como contra-argumento aponta justamente para a freqüência crescente e sucesso artístico da Deutsches Schauspielhaus.

Popularidade ou ousadia?

A oposição entre gosto popular e livre exploração de novos caminhos se fez também sentir no tradicional Encontro Teatral de Berlim, que reúne as grandes casas dos países de língua germânica. Para irritação dos superintendentes e do público, a 39ª edição da mostra deixou de fora os grandes sucessos da temporada. Seu júri adotou um papel de pioneiro, indo farejar e premiar as tendências mais experimentais, em meio aos diretores da mais jovem geração, como Nicolas Steemann, René Pollesch e Stefan Pucher.

Claus Peymann, diretor do Berliner Ensemble, que foi fundado por Bertolt Brecht, lamentou a ausência do "teatro do prazer sensorial". A seleção deixou deliberadamente de fora montagens celebradas como a Maria Stuart, de Friedrich Schiller, que Andrea Breth dirigiu para o Burgtheater de Viena, ou a Esperando Godot (Samuel Beckett), com o popular apresentador de TV alemão Harald Schmidt, uma das favoritas do público.

A segurança dos clássicos

Apesar de tudo, a maioria dos grandes teatros continua mantendo resistência artística contra a pressão financeira e o temor pela própria sobrevivência. Significativo é o fato de um dos autores contemporâneos mais representados ser a austríaca Elfriede Jelinek, cujos textos sacodem sem cessar os alicerces das normas sociais, encarando de frente duras realidades.

Suas peças – criadas com rapidez espantosa – vivenciaram um verdadeiro boom de interesse este ano: da montagem de Chistoph Marthaler de In den Alpen (Nos Alpes) – uma dramatização do acidente com o teleférico de Kaprun em novembro de 2000 –, à de Prinzessinenn-Dramen (Dramas de princesas), tanto no Teatro Municipal de Hamburgo como no Berliner Ensemble de Berlim. Além disso, Jelinek foi laureada com o Prêmio de Dramaturgia de Mülheim, o Prêmio Heinrich Heine de Düsseldorf e o Prêmio Teatral de Berlim.

De resto, mesmo nos mais ousados experimentos formais, os diretores alemães preferiram a segurança de textos dramatúrgicos consagrados ou de adaptações literárias. Alguns exemplos: O Idiota (sobre Fiodor Dostoiévski), de Frank Castorf, com seis horas de duração; Cabala e Amor (Schiller) e Liebelei (Arthur Schnitzler), do Thalia Theater de Hamburgo; a reinterpretação de Nora (Henrik Ibsen), por Thomas Ostermeier, da Schaubühne de Berlim; ou A Noite do Iguana, do norte-americano Tennessee Williams, para a qual o velho mestre Peter Zadek empregou estrelas das telas, como Angela Winkler ( O Tambor) e Ulrich Tukur ( Amém).

Por último, cite-se entre os destaques do ano a manifestação teatral do provocador Christoph Schlingensief, em Düsseldorf, dirigida contra o político Jürgen Möllemann, do Partido Liberal alemão, acusado de anti-semitismo. A Aktion 18 suscitou intervenção policial, devido à drasticidade dos meios utilizados, misturando rituais de vudu com símbolos judaicos e cristãos.

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