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Mundo

Final muda rotina de domingo na Alemanha

Grandes cidades espalham telões nas ruas para alemães torcerem juntos. Polícia faz vista grossa. Eventos param na hora do jogo ou só começam após apito final. Élber e Zé Roberto lamentam não entrar em campo em Yokohama.

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Mais de 150 mil pessoas devem acompanhar jogo nas ruas de Hamburgo

"A necessidade faz o improviso", diz um ditado alemão. Sem prever que a seleção nacional tivesse condições de chegar à final da Copa do Mundo, a Alemanha vê-se obrigada a mudar sua rotina. E para quem está acostumado a "improvisar com um ano de antecedência", como disse certa vez um embaixador brasileiro, até que os alemães parecem estar conseguindo transformar a decisão do mundial no principal acontecimento deste domingo, alterando qualquer outra programação.

Inúmeras cidades estão providenciando telões de última hora para que os torcedores possam vibrar juntos nas ruas a cada lance em Yokohama. Somente em Hamburgo, estima-se que 150 mil pessoas assistirão ao jogo lado a lado em locais públicos, apesar da previsão de chuva e 15 graus para a hora da partida. Em Hanôver, mais de 40 mil espectadores são esperados no Niedersachsen-Stadion para acompanhar a transmissão ao vivo.

Enquanto os alemães se preparam para torcer em multidões, os 30 mil brasileiros que vivem na Alemanha manterão sua preferência por bares e restaurantes sul-americanos e reuniões em casas de amigos. Contra a torcida local, será mais prudente evitar os telões públicos, como o da praça Potsdamer Platz, em Berlim, onde muitos brasileiros marcaram presença nos jogos anteriores. Desta vez, devem sobrar poucos lugares diante do "mando de campo" dos alemães.

Magoados, Élber e Zé Roberto torcem pelo penta

O atacante Giovane Élber é um dos que promoverá festa para amigos no jardim de sua casa em Munique. Mas alemão não entra. "Até domingo, não tenho amigos alemães", avisa o jogador do Bayern de Munique, que ainda lamenta não ter sido convocado. "Claro que dói muito ficar daqui assistindo. O melhor seria estar lá. Mas não era pra ser. Por outro lado, tive pela primeira vez férias de cinco semanas."

Élber está confiante na conquista do penta. "Vai ser difícil encarar os alemães. Eles não jogam bonito, mas são eficientes. Claro que eles têm chance, mas, para os alemães, chegar à final já foi um êxito. E derrotar o Brasil também não é mole. Acho que vamos ganhar", opina o centro-avante, que no entanto acha que "a Seleção Brasileira igualmente pode estar satisfeita por estar na decisão, pois também não fizemos uma copa sensacional".

Seu novo colega de clube, Zé Roberto, confessa ter ficado magoado por não ter sido lembrado por Scolari. "Foi como se tivessem acertado no meio do meu coração. Mesmo assim, meu coração baterá domingo pelo Brasil", diz o ex-meia esquerda do Bayer Leverkusen que assistiu com Élber a vitória sobre a Turquia, mas contra a Alemanha vai preferir a tranqüilidade do quarto do hotel onde está hospedado até encontrar uma residência em Munique.

No Bayern, Zé quer esquecer o fim melancólico da última temporada, quando amargou três vice-campeonatos. "Leverkusen é passado, assim como a Seleção. Meu futuro chama-se Bayern. Aqui quero ser finalmente campeão alemão", afirma o líder de assistências do campeonato 2001/2002.

Autoridades e eventos mostram-se flexíveis

A polícia está desde já em estado de alerta, mas informou que fará vista grossa nas manifestações dos torcedores, especialmente carreatas. Porém, as autoridades não irão tolerar arruaças – contra os EUA, hooligans invadiram e quebraram um bar americano em Colônia; após a vitória sobre a Coréia do Sul, houve quebra-quebra em Mannheim, Essen e Düsseldorf – e motoristas embriagados.

Vários eventos tiveram sua programação alterada devido à final. O Festival Mundial Eqüestre (CHIO), em Aachen, transferiu a primeira sessão da principal prova do dia para a parte da manhã. A segunda só acontecerá após o jogo. O Congresso Católico, em Speyer, seguiu o exemplo. O tradicional ato público de encerramento foi cancelado e os participantes do encontro religioso poderão ver o jogo em dois telões. Em Munique, a Ópera Nacional Bávara decidiu só dar início à estréia da nova montagem de A Valquíria, de Richard Wagner, quando já se conhecer o novo campeão mundial, caso a partida vá para a prorrogação. A princípio, a apresentação estava marcada para as 16 horas, ou seja, cerca de 45 minutos após o fim do tempo regulamentar.

Mas nem todos mudarão seus planos por causa da final. Dependente das condições do tempo e já com regatas canceladas na quinta-feira por excesso de vento e atrasos nesta sexta, os organizadores da Semana de Kiel não se vêem em condições de adiar as provas de domingo, último dia da competição. (mw)