Fim de missão militar na Líbia gera controvérsia dentro da Otan | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 21.10.2011
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Mundo

Fim de missão militar na Líbia gera controvérsia dentro da Otan

Parte dos países prefere esperar declaração do Conselho Nacional de Transição sobre fim da guerra civil na Líbia. Circunstâncias da morte de Kadafi geram polêmica: autoridade de direitos humanos da ONU quer investigação.

epa02973900 Libyans celebrate the fall of Sirte and death of fugitive former Leader Muammar Gaddafi, in Tripoli, Libya, 20 October 2011. According to media report, Libyans poured into the streets to celebrate the news of Muammar Gaddafi's death on 20 October, as Western leaders called on the country's transitional government to embrace a new era of democracy after decades of despotism in the in the North African state. EPA/SABRI ELMHEDWI +++(c) dpa - Bildfunk+++

Júbilo pela morte de Kadafi domina o país

Os embaixadores dos países da Otan reuniram-se nesta sexta-feira (21/10) no quartel-general da organização em Bruxelas, para deliberar sobre o término da operação Unified Protector. No entanto, a reunião resultou em discórdia.

Parte dos participantes considera "politicamente desaconselhável" encerrar a missão militar internacional na Líbia logo após a morte do ex-ditador Muammar Kadafi. Eles preferem esperar a declaração do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio sobre o futuro do país, a ser divulgada neste sábado. O CNT deverá declarar o país oficialmente liberto, dando fim a quase oito meses de guerra civil, cujo número de vítimas é calculado em mais de 30 mil.

"Grande dia"

** FILE ** In this April 21, 2008 file photo, Adm. James Stavridis, talks with reporters during a news conference in Lima, Peru. Stavridis is expected to be President Barack Obama's choice to be the next NATO commander, succeeding Army Gen. Bantz J. Craddock. (AP Photo/Karel Navarro, File) ** EFE OUT **

General James Stavridis

Antes, o supremo comandante da aliança na Europa, general norte-americano James Stavridis, comunicara que aconselharia o fim da operação. O chefe da diplomacia francesa, Alain Juppé, igualmente disse considerar "concluída" a Unified Protector.

Stavridis anunciou sua intenção de encerrar o mandato na Líbia através do portal de internet Facebook. "Um bom dia para a Otan. Um grande dia para o povo líbio", comentou.

A missão da Otan, que durou quase sete meses, incluiu 9.600 bombardeios aéreos contra as instalações das tropas governamentais. Segundo a resolução das Nações Unidas, sua finalidade era proteger a população civil do assédio pelas forças de Kadafi. Doze dos 28 Estados-membros da Aliança Atlântica participaram da operação, ao lado de quatro outros países.

Morte polêmica

Nesta sexta-feira, a Organização do Tratado do Atlântico Norte confirmou que seus aviões bombardearam o comboio armado de 11 veículos em que o ex-líder líbio tentava escapar do cerco a sua cidade natal, Sirte.

A Libyan former rebel fighter kicks a graffiti depicting Moammar Gadhafi with Allah Hakbar, God is Great written on top, on a checkpoint border of Ras Ajdir between Tunisia and Libya, late at night Thursday Oct. 20, 2011. The death Thursday of Gadhafi, two months after he was driven from power and into hiding, decisively buries the nearly 42-year regime that had turned the oil-rich country into an international pariah and his own personal fiefdom. (AP Photo/Francois Mori)

Ex-rebelde líbio expressa desprezo pelo ditador morto

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, criticou a manobra. Segundo ele, o comboio não representava perigo para os civis, e a missão da Otan era unicamente proteger a população. Por sua vez, a aliança assegurou que uma quantidade considerável de armas e munição estava sendo transportada, e afirmou ter ignorado que Kadafi se encontrasse num dos veículos.

A comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, exigiu que sejam investigadas as circunstâncias da morte de Kadafi.

Segundo o ministro da Informação do novo governo líbio, Mahmoud Shamam, ainda não está decidido quando e onde o ex-líder será enterrado. Como no caso de Saddam Hussein e Osama bin Laden, a intenção é impedir que a sepultura do protagonista de quatro décadas de ditadura se torne local de peregrinação.

AV/dpa/afp
Revisão: Carlos Albuquerque

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