Fim da moratória abala negociações de paz no Oriente Médio | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 26.09.2010
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Mundo

Fim da moratória abala negociações de paz no Oriente Médio

Israel se recusa a prolongar a moratória para construção de assentamentos na Cisjordânia. Apesar de Autoridade Palestina não pretender interromper imediatamente o diálogo, processo de paz ameaça estagnar.

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Colônia judaica em Maale Adumim, na Cisjordânia

Poucas horas antes de expirar a moratória para construção de novos assentamentos judaicos na Cisjordânia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, conclamou os colonos judeus à moderação. Um comunicado nesse sentido foi divulgado em Jerusalém neste domingo (26/09). Anteriormente, os colonos haviam anunciado que retomariam a construção de novas moradias assim que a moratória expirasse, na meia-noite deste domingo.

George Mitchell / Nahost / Jerusalem / USA

George Mitchell

No sábado, o mediador norte-americano George Mitchell havia se reunido com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, em Nova York. O ministro isralense da Defesa, Ehud Barak, também se encontrou com representantes do governo norte-americano paralelamente à Assembleia Geral da ONU, ocorrida esta semana em Nova York. No entanto, nenhuma solução de última hora foi encontrada para resolver o impasse.

Segundo informações do jornal israelense Yedioth Ahronot e do site de notícias Ynet, Barak está tentando convencer Netanyahu e seus ministros a estender a moratória. Em entrevista à BBC, Barak declarou, no entanto, que "existe 50% de chance de um consenso sobre a moratória", acrescentando que "as chances do processo de paz são maiores". Um eventual prolongamento foi novamente rejeitado pelo premiê Netanyahu em declarações dadas neste domingo.

Autoridade Palestina consulta Liga Árabe

A construção de colônias na Cisjordânia é um dos principais obstáculos para o processo de paz no Oriente Médio. A pressão dos Estados Unidos também não foi suficiente para mover o governo isralense a prolongar a moratória de dez meses de duração.

Netanjahu / Abbas / Jerusalem

Benjamin Netanyahu e Mahmoud Abbas, em Jerusalém, em 15 de setembro de 2010

Os palestinos, por sua vez, ameaçam interromper as negociações de paz, caso os colonos judeus sejam autorizados a continuar construindo nos territórios ocupados. Antes da Assembleia Geral da ONU, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, desafiou Netanyahu a "se decidir pela paz ou pela continuidade da construção de assentamentos".

Posteriormente, numa entrevista publicada no domingo pelo jornal árabe Al-Hayat, Abbas declarou que não pretende interromper as negociações logo após a moratória expirar. Caso ela não seja prolongada, ele consultará a Liga Árabe. Um porta-voz de Abbas afirmou que o presidente da Autoridade Palestina já convocou uma reunião do grêmio para os próximos dias, no Cairo.

O Hamas, grupo radical palestino que governa a Faixa de Gaza, exigiu que as negociações com Israel sejam imediatamente suspensas, caso os israelenses retomem a construção de assentamentos. Neste domingo, Fausi Barhum, porta-voz do Hamas, afirmou que "a melhor resposta palestina à obstinação de Netanyahu será o recuo de Abbas das negociações e o fim das mesmas". Barhum acusou o governo israelense de usar as negociações de paz apenas como disfarce para prosseguir a atividade de colonização e "judaização do país".

O Hamas está excluído das negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos entre o governo isralense e o Fatah, grupo moderado palestino sob liderança de Abbas. O Hamas também advertiu o presidente da Autoridade Palestina a desistir do diálogo com Israel e se dedicar mais a uma reconciliação palestina.

Retomada da construção de assentamentos judaicos

A partir desta segunda-feira (27/09), os colonos judeus estão autorizados pelo governo israelense a construir mais de duas mil novas moradias, para as quais eles já dispõem da documentação oficial necessária. A organização israelense de direitos humanos Peace Now se refere a 13 mil novas construções e afirma que, pouco antes de a moratória entrar em vigor, as autoridades israelenses emitiram 30% mais de licenças de construção.

O deputado direitista Danny Danon, pertencente ao Likud (partido de Netanyahu) e incentivador dos assentamentos judaicos, se declarou contente com o fim do que denominou uma "moratória absolutamente supérflua". Apesar de o fim da pausa ser motivo de comemoração entre os colonos, eles pretendem retomar gradativamente as construções, em respeito ao premiê Netanyahu e diante da delicada situação política. Isso foi o que noticiou o Yedioth Ahronot.

No entanto, em Revava, no norte da Cisjordânia, os colonos anunciaram que pretendem colocar a pedra fundamental para a construção de um novo jardim de infância ainda neste domingo. A celebração deverá contar com a participação de milhares de pessoas.

Israel Palästinenser Baustelle Siedlungsbau in Ostjerusalem

Construção de moradias para a minoria judaica em Jerusalém Oriental

A moratória para construção de novas colônias judaicas na Cisjordânia, uma região palestina ocupada desde 1967 por Israel, onde hoje vivem cerca de 300 mil colonos israelenses, fora declarada em 25 de novembro de 2009 por pressão do governo dos EUA.

A pausa a expirar neste domingo não implicava, no entanto, uma suspensão completa da atividade de construção de assentamentos israelenses nos territórios palestinos. Projetos de infraestrutura, escolas e sinagogas, por exemplo, continuaram a ser edificados durante a pausa de dez meses. Além disso, a medida não valia para Jerusalém Oriental, onde cerca de 200 mil israelenses convivem com uma população árabe majoritária.

SL/afp/dpa/dw/rtdt
Revisão: Soraia Vilela

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