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Economia

Fim da globalização no WestLB

Prejuízo derruba presidente do maior banco estatal alemão e deve reverter sua política de investimentos pelo mundo afora. Como acionistas da instituição, caixas econômicas e prefeituras querem WestLB atuando localmente.

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Sede do banco em Düsseldorf

Quinto maior banco da Alemanha, o WestLB vive uma crise de estratégia pela qual Deutsche Bank, Dresdner Bank, HypoVereinsbank e Commerzbank já passaram. Na instituição estatal da Renânia do Norte-Vestfália, a história se repete. O debate só entrou na ordem do dia para valer após a divulgação de prejuízo bilionário. Em 2002, o balanço do WestLB fechou negativo em quase 1,7 bilhão de euros, antes do pagamento de impostos. O maior déficit dentre os grandes bancos alemães no ano.

Jürgen Sengera

Responsabilizado pelo prejuízo, Jürgen Sengera ganhou 3,25 milhões de euros para deixar a presidência do banco antes do fim do contrato

A primeira conseqüência imediata foi, na semana passada, a demissão do presidente Jürgen Sengera, indenizado com 3,25 milhões de euros por ter seu contrato rompido antes de seu fim em 2006. Sengera é acusado pelo Instituto Federal de Fiscalização dos Prestadores de Serviços Financeiros (BaFin) de ter levado o WestLB a arriscadas aventuras no exterior.

Financiamento a fundo perdido

Um dos casos mais gritantes foi a concessão de 430 milhões de euros em empréstimos à abalada empresa britânica Boxclever, de aluguel de televisores. No balanço de 2002, a quantia consta como dinheiro perdido. Para o BaFin, o ex-presidente e a banqueira Robin Saunders, da filial londrina do WestLB, falharam na avaliação dos riscos da operação.

As autoridades suspeitam que não se trata de incompetência. O Ministério Público de Düsseldorf investiga a possibilidade de funcionários do banco em Londres terem se beneficiado do negócio ou sido subornados, assim como de os diretores na Alemanha saberem de irregularidades cometidas do outro lado do Canal da Mancha e poderem ser acusados de deslealdade.

Crise da aviação desvaloriza patrimônio

Ao caso Boxclever somam-se outros negócios polêmicos, como o da Boullioun, comprada em 2000 ao Deutsche Bank por iniciativa de Sengera. Seu antecessor, Friedel Neuber, havia sido contra o negócio. O controle acionário da companhia norte-americana está hoje 100% nas mãos do WestLB. Apesar da crise na aviação civil, o banco garante que todas as 90 aeronaves da subsidiária de leasing estão alugadas. Mais 31 aviões estão encomendados. Entre os clientes da Boullioun está a brasileira Rio Sul, do combalido grupo Varig.

No entanto, desde os atentados de 2001, os preços estão em queda. O aluguel mensal de um Boeing 737-300, por exemplo, despencou de 300 mil dólares para 100 mil, valor insuficiente para cobrir os custos de capital. O preço de venda deste avião, ano 1999, caiu de 31 milhões para 17 milhões de euros. Na sede do banco, em Düsseldorf, discutem-se os números da desvalorização patrimonial.

Criticas dos ecologistas

Greenpeace Demonstration in Düsseldorf

Ativista do Greenpeace pendurou-se na fachada do banco para denunciar e protestar contra o oleoduto no Equador

Os investimentos no exterior do WestLB também são alvo de críticas de ecologistas. O Greenpeace e outras organizações protestam sobretudo contra o financiamento de um oleoduto em meio à Floresta Amazônica no Equador. Segundo ONGs alemãs, mais de 65% dos empréstimos do banco em países em desenvolvimento e emergentes envolvem empreendimentos em "áreas ecológica e politicamente muito sensíveis".

Urgewald, Rettet den Regenwald (Salvem as Florestas Tropicais) e o instituto Südwind alertam para os danos ambientais marítimos da exploração de uma mina de cianita no vulcão Luise Caldera, na Papua Nova Guiné, além dos altos riscos de rompimento, por terremoto, do duto que transporta o venenoso mineral. Da mesma forma, elas condenam a participação do WestLB no financiamento da represa de Sawalkote, na região de Caxemira. O projeto de 1,6 bilhão de euros seria um poço de corrupção, levaria a uma catástrofe ecológica e seria economicamente injustificável.

Olho para o próprio umbigo

A expansão dos negócios do banco estatal pelo mundo afora parece estar com seus dias contados, após a demissão do presidente Sengera. A maior parte dos acionistas do Landesbank NRW, dono do WestLB, está descontente e deseja que a subsidiária concentre-se em seus clientes locais.

Caixas econômicas municipais e prefeituras detêm 56,8% da instituição estatal, enquanto o governo estadual da Renânia do Norte-Vestfália é o sócio majoritário, com o restante. Especialmente as caixas econômicas rejeitam o financiamento de minas de cobre no Brasil e da construção do novo estádio de Wembley, em Londres, e reivindicam mais créditos para investir no desenvolvimento de regiões interioranas e fracas economicamente, geralmente desprezadas pelos bancos privados.

Reforma estrutural

Se a visão provinciana vingar, o banco não precisará mais de 8700 funcionários distribuídos em 30 estabelecimentos pelo mundo, inclusive Buenos Aires, Nova York, Dubai, Xangai e Pequim. Com isto, demissões e fechamento de unidades serão inevitáveis, contribuindo para o enxugamento das despesas.

Tal como existe hoje, o WestLB tem pouco mais de um ano. Em meados de 2002, o banco teve de ser desmembrado, por exigência da Comissão Européia, que via em suas atividades e forma de financiamento um desrespeito à livre concorrência no setor. Foi criado então o banco estadual Landesbank NRW, ao qual o WestLB ficou submetido.

A função de banco de fomento ao desenvolvimento regional e de investimentos estatais foi transferida para o Landesbank, e a subsidiária passou a atuar no mercado como uma instituição comercial de créditos. Mas se o WestLB registrou prejuízo de 1,7 bilhão de euros no ano passado, o Landesbank fechou o mesmo período com superávit de 86,3 milhões.

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