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Cultura

Filosofia européia perde Baudrillard, delator da simulação midiática

O filósofo francês Jean Baudrillard morreu em Paris, deixando uma crítica extremamente atual contra a sociedade de consumo e a manipulação da mídia.

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Jean Baudrillard

Para ele, o gesto humanitário era de causar aversão; a democracia, um jogo virtual de sombras; o mundo do consumo, um jogo ilusório. Em dezenas de livros, o filósofo e sociólogo francês Jean Baudrillard analisou a perda de uma percepção imediata da realidade e sua deformação pela mídia. O mestre da provocação intelectual morreu na terça-feira (6/3), aos 77 anos, em Paris.

Hiper-realidade e perda do real

Baudrillard nasceu em 20 de julho de 1929, na zona rural de Reims. Após estudar Letras Germânicas, traduziu Karl Marx, Bertold Brecht e Peter Weiss para o francês, tornando-se docente na Universidade de Paris-Nanterre.

O movimento estudantil e as discussões sobre marxismo e psicanálise marcaram o sociólogo. Posteriormente, sob influência do mentor da Pop Art, Andy Warhol, viria a refletir sobre a sociedade de consumo e seus símbolos, formulando uma crítica veemente em seu primeiro ensaio, Sistema dos Objetos (1968). Para Baudrillard, a liberdade do consumidor era uma ilusão, pois o mundo hiper-real seduz e manipula o comprador.

O fundador da revista Utopie se voltava especialmente contra a compatibilidade mercadológica dos meios de comunicação. Em sua aguda crítica à mídia, Baudrillard denuncia que as imagens por ela esboçadas são mais poderosas que a realidade. Constatando que o abismo entre verdade e símbolo implica a perda de liberdade, a ambição do filósofo era reaproximar esses dois pólos. Se bem que ele não esperasse muito de seus contemporâneos: "A covardia intelectual é a verdadeira disciplina olímpica dos nossos dias".

Nada por trás das imagens

Na obra O Crime Perfeito (1995), Baudrillard descreve o "assassinato da realidade" pelas teorias intelectuais, pelo mundo virtual e pelas conquistas tecnológicas. "Todos os nossos valores não passam de simulacros", afirmava ele. A superpotência EUA era, para ele, uma utopia tornada realidade, mas – por outro lado – uma "simulação do poder" que não serviria como ideal de democracia. "O que significa liberdade? Ter a opção de comprar um carro ou outro? Essa é uma liberdade ilusória."

Baudrillard sempre gerou controvérsia com suas provocantes teses, como a da "nulidade" da arte moderna. "Infelizmente a literatura francesa conseguiu chegar à morte mesmo sem ajuda da teoria", disse ele certa vez, sem medir palavras. Em Madonna Deconnection (1996), ele analisa a imagem da cantora Madonna para discutir sexo na mídia e luta de gêneros. "É preciso conviver de forma inteligente com o sistema e se voltar contra suas conseqüências", exigia o filósofo.

O terrorismo está em toda parte

Obras como A Guerra do Golfo não ocorreu (1991) e seu Power Inferno (2002), um "réquiem para as Twin Towers ", voltaram a provocar escândalo. Por sua análise da lógica do terrorismo, Baudrillard chegou a ser acusado de simpatia pelos terroristas. "Sou terrorista no sentido de que tento ler o terrorismo lá onde ele está", replicou ele.

Para Baudrillard, o terrorismo está "em toda parte, em forma de vírus ou na forma de evento", sendo que os terroristas teriam feito "o que queríamos". Segundo sua argumentação, o Ocidente substituiu Deus pelas máximas da globalização e declarou guerra contra si mesmo de uma forma suicida. "O inimigo está no cerne da cultura que o combate", conclui ele.

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