Filmes alemães conquistam aos poucos mercado internacional | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 21.09.2009
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Cultura

Filmes alemães conquistam aos poucos mercado internacional

O cinema alemão passa por uma boa fase de reconhecimento internacional. Josef Wutz, ex-diretor do Festival de Cinema de Hamburgo, realizou um estudo detalhado sobre a indústria cinematográfica do país.

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Cena de 'Alle Anderen', um dos mais recentes filmes de Maren Ade, representante da 'Escola de Berlim'

Deutsche Welle: Para a German Films [órgão de representação do cinema alemão no exterior], você fez uma análise mercadológica sobre a presença internacional do cinema alemão. Antigamente dizia-se que os filmes nacionais obtinham sucesso dentro do país e às vezes em festivais, mas no exterior não. A situação ainda continua assim?

Josef Wutz: Tudo é uma questão de como se vê a coisa. Acredito que o cinema alemão seja bem-sucedido, embora, para isso, seja necessário analisar os mercados individualmente, inclusive detectando as devidas diferenças.

É óbvio que os filmes alemães ocupam uma parcela muito maior do mercado na Áustria e na Suíça do que no Japão e na Coreia, por exemplo. Mas é preciso dizer que até mesmo nesses países tidos como exóticos há cada vez mais filmes vindos da Alemanha, dos quais não se pensaria, à primeira vista, que seriam capazes de cruzar as fronteiras do país.

Isso melhorou realmente nos últimos anos? Se melhorou, por quê?

Buchcover Der deutsche Film im Ausland

'O cinema alemão no exterior': análise feita por Josef Wutz

Para minha análise me concentrei nos anos de 2005 a 2007. E somente quando as fontes e os documentos eram de fácil acesso, me dedicava também ao estudo de um período anterior. O que mudou, por exemplo, é o fato de que filmes relativamente pequenos, como por exemplo os da chamada "Escola de Berlim", tenham uma presença cada vez mais forte no exterior. O que não significa automaticamente que tenham muito público.

Mas o volume de filmes que são simplesmente exibidos fora do país aumentou definitivamente. No que diz respeito a parcelas de mercado, não arrisco a fazer projeções para o futuro baseadas apenas nesses três anos que analisei. De qualquer forma, não há razão para pessimismo.

Hollywood domina o mercado internacional. Antes era comum dizer que os filmes alemães só eram exibidos em cineclubes na costa leste dos EUA, ou seja, em Boston, Nova York e Washington. Isso ainda é assim hoje?

De modo geral, os cinemas da costa leste norte-americana exibem filmes alemães muito mais regularmente do que os de outras regiões do país. Mas fato é também que os filmes alemães deixaram os cineclubes. Dito de outra forma: os filmes chegaram às salas normais, regulares de cinema, aos cinemas arthouse, onde são exibidos filmes de qualidade com o devido sucesso.

No entanto, não se deve esquecer que a parcela do mercado norte-americano ocupada pelos filmes alemães vai de 0 a 0,2%. Isso parece e é muito pouco do ponto de vista relativo, mas em números absolutos nem é tão pouco assim.

Isso significa que algumas centenas de milhares de espectadores assistem a esses filmes, às vezes?

Mais do que isso. Em 2005, os filmes alemães tiveram 1,2 milhão de espectadores nos EUA. Em 2007, 2,2 milhões. Embora esses números tenham sido registrados infelizmente só graças a grandes sucessos como A vida dos outros ou Adeus, Lênin. Esses são filmes que, no mercado internacional, fazem com que o cinema "puramente alemão" tenha uma presença mais forte no mercado.

Adolf Hitler (Bruno Ganz) in einer Szene des Kinofilms Der Untergang

Cena de 'A queda': filmes que tratam do nazismo costumam atrair espectadores

Confere que "alemães de uniforme" atraem sempre público? As pessoas continuam querendo ver isso na tela?

É verdade. Falando especificamente dos EUA, os filmes que alcançaram maior sucesso de público foram A vida dos outros; Adeus, Lênin; A queda; Sophie Scholl e Os falsários. Esses são os filmes que mais apareceram no mercado internacional e que, salvo exceções, fornecem as maiores receitas de bilheteria.

Autor: Jochen Kürten
Revisão: Augusto Valente

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