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Mundo

Filha do rei Juan Carlos é interrogada pela Justiça espanhola

Durante interrogatório num tribunal de Palma de Maiorca, Cristina de Bourbon afirma ter assinado tudo que o marido e sócio lhe pedia. Casal é acusado de crimes de fraude fiscal, enriquecimento ilícito e corrupção.

Pela primeira vez em mais de 40 anos um membro da família real espanhola sentou-se diante de um juiz para prestar esclarecimentos à Justiça. Neste sábado (08/02), a infanta Cristina de Bourbon, filha mais nova do rei Juan Carlos, foi ouvida pelo juiz José Castro em um tribunal de Palma de Maiorca no processo que investiga o suposto envolvimento dela e do marido, Iñaki Urdangarin, em

crimes

de fraude fiscal, enriquecimento ilícito e corrupção.

Durante as primeiras cinco horas de interrogatório, Cristina, 48, reiterou desconhecer aspectos da gestão da empresa Aizoon, da qual era proprietária com seu marido – em quem disse confiar plenamente. De acordo com o advogado de acusação da Frente Cívica, Manuel Delgado, a infanta respondeu à maioria das perguntas de maneira tranquila e serena. Segundo ele, porém, "95%" de suas respostas, aparentemente treinadas, eram evasivas.

Fontes que acompanharam as perguntas conduzidas por Castro contaram que Cristina afirmou ter assinado tudo o que Urdangarin lhe pedia. A sétima na linha de sucessão ao trono espanhol disse ainda desconhecer vários elementos apontados pelo juiz, inclusive faturas da empresa.

Gastos excessivos e corrupção

No interrogatório que teve início pela manhã e prosseguiu ao longo da tarde, Cristina foi questionada sobre gastos que fez com o cartão de crédito da empresa e sobre o empréstimo de 1,2 milhão de euros que recebeu do rei Juan Carlos para a compra da mansão onde vive, em Barcelona.

Spanien Protest in Mallorca

Protestos contra a monarquia espanhola ocorreram a poucos metros do tribunal onde a infanta foi interrogada

Urdangarin é acusado de vários crimes, incluindo um desfalque de 6 milhões de euros de dinheiro público através de uma fundação sem fins lucrativos – o Instituto Nóos – dirigida por ele e da qual princesa espanhola fazia parte do conselho diretor. O dinheiro teria ido parar nas contas da holding Aizoon, que os investigadores suspeitam ser uma empresa de fachada. Cristina controla 50% do capital da Aizoon, e seu marido, os restantes 50%. Os crimes teriam ocorrido entre 2004 e 2006.

O casal, que não representa a coroa espanhola em eventos oficiais desde 2011, supostamente a pedido do rei Juan Carlos, nega todas as acusações.

Protestos contra a monarquia

Cristina chegou ao tribunal de Palma de Maiorca minutos antes do depoimento, marcado para as 10h (hora local). Ao caminhar até a entrada do prédio, sorriu para a imprensa. A poucos metros dali, porém, centenas de manifestantes protestavam com apitos, roncos de motores de motos e buzinas de carros contra a monarquia espanhola, restaurada em 1975 após a morte do ditador Francisco Franco.

As acusações envolvendo a filha mais nova do rei Juan Carlos vêm ajudando a arranhar a imagem da monarquia espanhola em um momento delicado da economia do país, que enfrenta uma taxa de 26% de desemprego, protestos contra corrupção, arrochos fiscais e cortes em programas do governo.

MSB/rtr/lusa/dpa/ap

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