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Cultura

Filarmônica de Bruxelas substitui música impressa por "tablets"

A orquestra da capital belga é a primeira do mundo a utilizar a tecnologia dos "tablets" no lugar das tradicionais partes instrumentais impressas. Projeto é colaboração com fabricante coreana e firma de software musical.

A revolução digital parece ter conquistado um dos últimos bastiões que restavam: o reino da música erudita. Gênero originário da era pré-industrial, ele estabelece associações com luz de velas e calor de lareiras. Mas agora está também fazendo uso da tecnologia de ponta, na forma de computadores em formato tablet.

Quando, durante um concerto lotado no Centro Cultural Flagey, a Filarmônica de Bruxelas jogou no lixo as suas partes orquestrais de papel, na presença da plateia, trocando-as por tablets, o aplauso foi estrondoso. Ao executarem as obras de Richard Wagner e Maurice Ravel, os músicos simplesmente roçavam com o dedo os seus monitores touch screen, em vez de virar páginas.

Orquestra inovadora

Filmstill The Artist

Cena de "O artista": Oscar para a Filarmônica de Bruxelas

A Filarmônica de Bruxelas ganhou evidência fora das salas de concerto por sua participação no filme mudo O artista, Oscar de Melhor Trilha Sonora em 2012. Agora, a cooperação com a fabricante de tablets Samsung irá multiplicar essa fama. Em parceria com a gigante coreana da tecnologia e a empresa de software neoScores, no decorrer dos próximos anos a orquestra substituirá todas as suas partituras convencionais por uma versão digital.

"Há poucos meses, a Samsung nos abordou e perguntou se poderíamos imaginar a execução de peças musicais com o uso de tablets", conta Michel Tabachnik, diretor artístico da Filarmônica. "Enquanto tocamos, só precisamos encostar na tela, para virar a página. E podemos até mesmo escrever na partitura – anotar os movimentos de arco para as cordas, onde se deve tocar um forte, ou todo tipo de indicação musical. É algo totalmente novo, mesmo."

Brüsseler Philharmoniker nutzen Tablets anstatt Papier Noten

Papel promete desaparecer das salas de concerto

Tabachnik está plenamente convencido de que o futuro será assim, embora admita que o caminho será longo até lá. "Este projeto tem que continuar a ser desenvolvido. Precisamos de pelo menos um ano para que tudo fique mais praticável. Ainda estamos no início."

O projeto dos tablets não é o primeiro contato da Filarmônica com o universo da tecnologia. Em setembro deste ano, ela gravou uma série de toques de celulares, que podem ser baixados do seu site, de graça. O credo pessoal de Tabachnik é: a Filarmônica de Bruxelas não é um museu, mas sim uma plataforma para música viva. "Olhamos além do que é rotineiro, para encontrar novas formas de fazer e executar música", resume.

Streichquartett

Futuro: Beethoven a um clique de mouse?

Os tempos mudam

O fenômeno da digitalização poderia transformar o mercado das partituras da mesma forma como fez com o do mercado editorial: Beethoven, Debussy ou Brahms disponíveis a um clique do mouse. Há também um argumento ecológico em prol da nova tecnologia: as partituras digitais são mais baratas. Segundo suas próprias estimativas, Filarmônica de Bruxelas gasta cerca de 25 mil euros por ano com partituras e partes orquestrais impressas.

Metade do trabalho de desenvolvimento do novo software foi feito por Jonas Cooman. Ele toca fagote na orquestra e criou, junto com o programador Bob Hamblok, o programa neoScore. "A visualização digital vai fazer com que os músicos tratem as partituras de outra forma", prevê Hamblock.

"Os tablets oferecem muito mais possibilidades do que as partituras tradicionais em papel. Tenho certeza que eles vão se estabelecer no mercado. Mesmo porque a geração atual e a próxima já estão crescendo com as novas tecnologias, que, além disso, estão cada vez mais fáceis de manusear."

Sem o peso do papel

Brüsseler Philharmoniker nutzen Tablets anstatt Papier Noten

Nada de virar páginas e anotações à vontade: o sonho de muitos músicos de orquestra

Os entusiastas da ideia já preveem o adeus às viagens com partituras pesadas e de difícil manuseio. Graças aos computadores em formato tablet, quase todas as partituras do mundo podem ser arquivadas em um único aparelho, pesando menos de um quilo. Um dos defensores dos tablets para as orquestras é o violista da Filarmônica de Bruxelas Stephan Uelpenich.

Embora preferisse ter, nos concertos, uma tela maior de PC à sua frente, ele aposta plenamente na nova tecnologia. "Posso levar o tablet todo dia no trem e ir dando uma olhada na partitura mais uma vez", comenta. "As montanhas de papel no meu arquivo em casa ficam supérfluas – todos os meus estudos cabem nesse aparelhinho, é realmente inacreditável. Só de La Valse de Ravel, eu tenho aqui mais de dez versões", alegra-se o músico.

Autoria: Laurens Cerulus (sv)
Revisão: Augusto Valente

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