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Copa do Mundo

Figurinhas da Copa viram sensação entre adultos alemães

A febre pelo álbum da Copa do Mundo chegou até ao Bundestag. Deputados marcam encontros em seus dias de folga para trocar figurinhas e não estão sozinhos – são milhares de adultos loucos para completar o caderninho.

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'Puxa, só falta o Asamoah...'

De todos os álbuns da Copa 2006 que se abarrotam nas bancas de jornais, o da italiana Panini é o mais famoso. Desde 1970, a empresa contagia o mundo com a febre de comprar pacotinhos, colar figurinhas em seu lugar correspondente e acumular as repetidas para trocá-las com outros colecionadores.

Em princípio, uma atividade que pode ser descrita como algo para crianças. Mas este Mundial está provando que os Panini mexem mais com a cabeça dos pais do que com a de seus filhos: adultos chegam a trocar uma figurinha por um dia de folga com seus empregados.

Mais de cem milhões de pacotinhos

WM 2006 - Panini-Sammelbilder

Na torcida para não vir nenhuma figurinha repetida

"Pelo menos 70% dos que compram são adultos", diz um jornaleiro de Munique. Completar o álbum não é barato. Levando em conta que cada pacotinho com dez figurinhas custa 50 centavos de euro, caso alguém tivesse a sorte muito improvável de conseguir todos os jogadores sem comprar nenhum repetido, o álbum já teria custado 60 euros. A realidade é que o gasto geralmente alcança pelo menos o triplo dessa quantia.

Quanto mais dinheiro se tem, mais se gasta com as figurinhas. E é assim que o negócio da Panini ferve com a participação dos adultos. Mais de cem milhões de pacotinhos já foram lançados no mercado alemão e outros 4,5 milhões são impressos constantemente.

Mesmo a empresa não esperava êxito tão grande: "Nunca havíamos vivido algo assim. Realmente é incrível", confessa Birgit Barner, porta-voz da companhia na Alemanha.

No trabalho ou no bar

Com tantas figurinhas compradas, há muitas mais para serem trocadas. Os endereços de e-mails de trabalho dos alemães estão repletos de mensagens desesperadas que apelam pela bondade dos colegas: "Preciso urgentemente de Klose!".

A comida já é coadjuvante na hora do almoço, onde as mesas viram verdadeiras arenas de negócios e apostas. Ao mais puro estilo de organização alemão, em algumas empresas os funcionários encontram na intranet (sistema interno de mensagens) uma tabela onde estão discriminadas as figurinhas de que cada um precisa ou dispõe para troca.

WM 2006 - Deutschland - Panini-Sammelbilder

Empresa não esperava tanto êxito com o álbum da Copa 2006

Também nos bares, os casuais encontros entre amigos tornaram-se oportunidades ideais para preencher uma página a mais ou conseguir o jogador que está faltando da seleção holandesa, por exemplo.

Já foram organizadas inclusive feiras de intercâmbio de cromos, onde centenas de figurinhas passam de uma mão a outra por dia. Por meio da internet, o jogo toma dimensões internacionais e pode-se até encontrar o tão sonhado cromo do Ballack no outro lado do planeta.

As figurinhas também podem ser encomendadas diretamente à Panini, mas os colecionadores mais aficionados afirmam que preencher o álbum assim não tem graça.

Um investimento para o futuro

Todos sabem que o segredo do negócio das empresas que fabricam este tipo de álbum é que algumas figurinhas são mais fáceis de serem encontradas do que outras. Uma vez que o álbum está completo, em alguns anos ele geralmente passa a valer muito mais do que se gastou para completá-lo.

Existe também uma série de cromos curiosos. Depois de os álbuns já terem sido impressos, o técnico Jürgen Klinsmann anunciou, contra todos os prognósticos, que Lehmann ficaria com a vaga de goleiro principal da seleção alemã, em vez de Oliver Kahn.

A empresa italiana precisou correr atrás do tempo para estampar o rosto de Lehmann em suas figurinhas. Algo similar aconteceu com Kevin Kuranyi, que aparece nos álbuns porque ninguém contava que ele não seria convocado. Estas curiosidades também aumentam o valor futuro dos cadernos completos.

Até você, ministro?

Todo alemão torcedor de futebol que se preze tem o seu álbum. E não são poucos os adultos que, entusiasmados com a nova coleção, esquecem-se de suas obrigações diárias.

Foi o que sucedeu a Oliver Wittke, ministro de Transportes da Renânia do Norte-Vestfália, que causou grande revolta por ter sido pego em flagrante colando figurinhas em seu álbum durante uma sessão do Parlamento regional. A oposição chegou a dirigir oficialmente ao primeiro ministro do Estado Federado a pergunta: "colar figurinhas também está entre nossas obrigações?". Em tempos como esses, não seria de se estranhar se a resposta fosse afirmativa.

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