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Copa do Mundo

Fifa garante resultado de testes antidoping na Copa em até dois dias

Sem laboratório credenciado no Brasil, exames durante o Mundial terão que ser feitos na Suíça. Entidade máxima do futebol assegura que arcará com os custos e que viagem não afetará prazos.

Até 11 de junho, véspera do início da Copa, mais de 400 jogadores que devem disputar o torneio terão passado por um teste surpresa antidoping da Fifa. Durante a competição, dois atletas de cada seleção serão sorteados para fazer o controle no final de cada uma das 64 partidas. A rotina se repete a cada Mundial.

O diferente da Copa de 2014 é que as amostras de urina e sangue colhidas dos jogadores terão que viajar do país-sede até um laboratório na Suíça. Isso porque o único laboratório credenciado no Brasil pela Agência Mundial Antidoping (Wada) perdeu a licença em setembro de 2013.

Apesar da viagem, a Fifa, que vai arcar com todos os custos dos exames, garante que a divulgação dos resultados sairá em até 48 horas. "Agora que o credencimento do laboratório do Rio de Janeiro foi revogado pela Wada, é de responsabilidade da Fifa fazer com a análise aconteça em outro lugar, inclusive os custos", explica a entidade máxima do futebol à DW Brasil.

Segundo Eduardo Henrique De Rose, membro do conselho de fundação da Wada, o valor de um exame de doping varia dependendo do laboratório. No Brasil, a análise mais simples de urina custa em torno de 1.500 reais. Além do valor do teste, a Fifa também terá de arcar com as despesas do transporte das amostra enviadas à Suíça.

"O Brasil assumiu com tempo suficiente essa Copa do Mundo, e esse fato talvez desgaste a imagem do país. Penso que pode haver algum desgaste pelo fato de que mais ou menos mil controles de doping em um evento terão que ser mandados para a Suíça e isso tem um custo inesperado muito alto, não só econômico, como também político e de imagem", avalia De Rose.

Apesar de a análise das amostras colhidas durante uma Copa do Mundo acontecerem no país que recebe a competição, essa não será a primeira vez que a Fifa precisa recorrer a laboratórios em outros países. Situação semelhante foi vista em outros torneios, como no Mundial de Clubes de 2013, realizado no Marrocos, no Mundial feminino sub-17, na Costa Rica, e no Mundial sub-20 de 2013, na Turquia.

Licença cassada

O Laboratório de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (Ladetec), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, perdeu sua licença por não estar adequado aos padrões técnicos da agência. Segundo a Wada, a decisão foi tomada após uma revisão profunda sobre a situação do Ladetec. Essa não foi a primeira vez que o laboratório foi descredenciado. Em janeiro de 2012, ele já havia sido suspenso por nove meses.

Symbolbild Sport Fußball Füße und Ball

Doping no futebol ocorre principalmente por falta de orientação

Segundo o laboratório, as circunstâncias que ocasionaram o descredenciamento são resultado de um déficit de funcionários e de infraestrutura acumulado durante anos. Mas a instituição avalia a decisão da agência de forma positiva.

"[A decisão] reforçou a percepção das necessidades reais do laboratório e levou as autoridades a aportarem os recursos necessários para eliminação das deficiências logísticas e de infraestrutura", informou por nota o laboratório. Os esforços necessários para a recuperação do credenciamento estariam em andamento para que os exames antidoping das Olimpíadas de 2016 sejam feitos no Rio.

Questionado sobre o porquê de não haver um preparo maior para evitar que o único laboratório credenciado pela Wada mantivesse o padrão internacional, o Ministério do Esporte afirmou que a responsabilidade do controle de dopagem durante a Copa é da Fifa.

Livre de doping

Em busca da sexta Copa do Mundo livre de doping, a Fifa iniciou em março a realização de exames surpresa entre os jogadores. Desde 1996, a entidade máxima do futebol adotou um programa de combate ao doping, e os testes passaram a ser rotina em suas competições oficiais.

"O futebol é um jogo muito complexo e é difícil dopar um atleta, porque ao aumentar determinada variável física, haverá uma redução em outras áreas", diz De Rose.

Em caso positivo, a punição para atletas e equipes depende de uma série de fatores, como substância ilícita e quantidade de jogadores do time pegos no teste. Ela pode variar em sanções de até dois anos para o atleta e a desclassificação da seleção.

Segundo De Rose, a maioria dos casos de doping no futebol não é intencional e é causada por substâncias usadas pelo jogador para outros fins, como para perder peso. "O doping no futebol tem um forte componente de falta de instrução ou educação do atleta sobre o que ele pode usar ou não", reforça.

Na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, todos os 552 testes antidoping com amostras de urina e sangue deram negativos.

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