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Cultura

Festival de Cinema de Berlim: violência e música dão o tom

Mostra na capital alemã começa com grande número de filmes que tematizam a violência entre crianças e jovens. Para compensar, a dose de glamour vem das contribuições que explicitam a interseção entre cinema e música.

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Tapetes vermelhos em noite de gala: dez dias dedicados ao cinema

A Berlinale, como o Festival Internacional de Berlim é denominado no país, foi aberta na quinta-feira (07/02) com apelo nitidamente popular: a exibição de Shine a Light, documentário de Martin Scorsese sobre um show dos Rolling Stones para milhares de pessoas.

Deutschland Berlinale Eröffnung mit Gala in Berlin Mick Jagger und Martin Scorsese

Mick Jagger (esq.) e Martin Scorsese, na capital alemã

Ao invés de correr mais uma vez atrás dos membros da "banda mais documentada do mundo", Scorsese se concentra nos detalhes do show para multidões e na performance dos músicos, que, mesmo sessentões, se desdobram no palco como nos velhos tempos. "É claro que se trata também da história de amor de Scorsese pelos Stones, cujas canções muito inspiraram o ritmo da montagem de seus filmes", lembra o diário alemão Süddeutsche Zeitung.

A abertura de festival, que, além do filme, trouxe os Rolling Stones para a capital alemã para um show ao vivo, serve de contraponto a um dos principais fios temáticos do festival: a violência e deliqüência entre crianças e jovens, que vai desde os tiroteios aleatórios em escolas européias até a violência cotidiana nas cidades de países pobres.

Problemática global

Tropa de elite | The Elite Squad | Tropa de elite Land: BRA/ARG 2007 Sektion: Wettbewerb

Cena de 'Tropa de Elite'

Além dos brasileiros Tropa de Elite e Cidade dos Homens (nas mostras competitiva e Generation 14plus respectivamente), também o alemão Berlim – Primeiro de Maio e o francês Regarde-moi se ocupam do assunto violência urbana. Enquanto o primeiro gira em torno do personagem de um menino turco de 11 anos no bairro berlinense Kreuzberg, às voltas com seu ódio à força policial, o segundo retrata os conflitos nos banlieues franceses.

De outras regiões são exibidos o filipino Tribu (ficção), que tem como protagonista um menino de 10 anos nas ruas de Manila, e Flipping Out (co-produção do Canadá e Israel), sobre grupos de jovens israelenses que, após os três anos de serviço militar, em meio a ataques psicóticos de medo e sob tensão absoluta, se entregam ao ócio e às drogas numa província do norte da Índia.

Interseção entre realidade e ficção

Como prova de que na disputa entre a realidade e a ficção, a primeira costuma superar a segunda, a gama de filmes sobre o assunto no festival em Berlim torna difícil, à primeira vista, separar o documental da encenação. Alguns diretores, como por exemplo Luigi Falorni em Feuerherz, produção austro-alemã que concorre ao Urso de Ouro, optam em seus filmes ficcionais por atores leigos e cenários reais, na busca clara pela "autenticidade" na tela.

Deutschland Berlinale Jury der 58. Berlinale

Júri desfalcado do festival: seis e não oito

Apesar da ausência anunciada de última hora de dois membros do júri (a diretora dinamarquesa Susanne Bier e a atriz francesa Sandrine Bonnaire), e em meio aos tumultos em torno do ator de Bollywood Shah Rukh Khan (um verdadeiro ídolo na Índia, de onde vieram vários fãs a Berlim para a estréia de seu novo filme Om Shanti Om), o festival de Berlim vai, no fim, certamente convencer não pelas grandes produções nem pelo show dos Stones na abertura, mas pelas pequenas descobertas do espectador, que, na maioria das vezes, se dão por acaso na hora de folhear o programa com centenas de filmes em cartaz. (sv)

Filmes de diretores brasileiros presentes no Festival Internacional de Cinema de Berlim: Tropa de Elite (José Padilha), Cidade dos Homens (Paulo Morelli), Maré, nossa história de amor (Lúcia Murat), Mutum (Sandra Kogut), Estômago (Marcos Jorge), Mr. Bené goes to Italy (Manuel Lampreia Carvalho), Dreznica (Anna Azevedo), Tá (Felipe Sholl), Café com Leite (Daniel Ribeiro) e Bruce Lee in the Land of Balzac (produção francesa da brasileira Maria Thereza Alves na seleção de curtas do ciclo Forum Expanded).

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