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Cultura

Festival de Cannes aposta em diretores consagrados

Brasileiro Walter Salles é um dos diretores que concorrem à Palma de Ouro na 65ª edição do festival. Nenhum filme dirigido por uma mulher participa da mostra competitiva.

O longa Paradies: Liebe manda suas protagonistas – senhoras maduras da rica Europa – para o litoral de águas azuis do Quênia. Elas vão em busca de amor e sexo com jovens negros africanos.

O diretor austríaco Ulrich Seidl, especialista em dissecar com seu olhar os abismos dos instintos humanos, volta-se para um aspecto pouco debatido do turismo sexual global: as viagens a países africanos de mulheres brancas mais velhas, que buscam saciar suas fantasias com homens negros. O olhar crítico de Seidl deverá certamente levar o espectador à reflexão, mesmo que na croisette ensolarada de Cannes.

Bildergalerie Filmfestival Cannes 2012 Filmszene Liebe von Michael Haneke

Emmanuelle Riva em 'Liebe', de Michael Haneke

Seidl não é o único austríaco a concorrer este ano à Palma de Ouro. Michael Haneke, que levou o prêmio máximo de Cannes há três anos por A fita branca, está presente com Liebe (amor), um drama familiar íntimo, que tem no elenco nomes como Isabelle Huppert, Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant.

Da mostra competitiva participam 22 filmes de 15 países, nenhum deles dirigido por uma mulher.

Encontro de "senhores idosos"

É fácil constatar que o diretor do festival, Thierry Frémaux, resolveu apostar este ano em nomes consagrados. A maioria dos diretores tem mais de 60 anos e muitos deles já participaram várias vezes do festival. Uma forma de fugir do risco, com uma seleção de filmes feita em nome da segurança?

Bildergalerie Filmfestival Cannes 2012 Logo

Palma de Ouro: prêmio cobiçado

A pergunta só poderá ser respondida daqui a 11 dias, quando o presidente do júri, o diretor italiano Nanni Moretti, anunciar os nomes dos vencedores. Fato é que, de qualquer forma, o festival na Côte D'Azur não pode ser considerado, ao contrário do de Berlim, um fórum para novos talentos.

Da França participa da competição até mesmo o lendário Alain Resnais, do alto de seus 90 anos. Vous n'avez encore rien vu conta a história de uma trupe de atores, que se reúne para abrir o testamento de um dramaturgo. O filme é baseado numa peça de teatro de Jean Anouilh.

Outra curiosidade será Holy Motors, o novo filme do ex-diretor prodígio Leos Carax (Os amantes da Ponte Neuf) sobre a trajetória de um homem que experimenta diversas formas de vida. O filme de Carax tem no elenco, entre outros, a cantora pop australiana Kylie Minogue.

Presença de Hollywood

A mostra competitiva de Cannes será aberta este ano pelo filme Moonrise Kingdom, do diretor norte-americano Wes Anderson. Com seu olhar grotesco e profundo sobre o presente dos EUA, Anderson apresenta ao espectador uma história de escoteiros, situada nos anos 1960.

Bildergalerie Filmfestival Cannes 2012 Filmszene Moonrise Kingdom von Wes Anderson

'Moonrise Kingdom', de Wes Anderson: filme de abertura do festival

A cinematografia da América do Norte está ainda presente em Cannes com a exibição de outros longas não apenas na mostra competitiva, mas também em diversas mostras paralelas. Diretores como Philip Kaufman e Jeff Nichols e o canadense David Cronenberg, bem como o australiano Andrew Dominik, apresentam em seus filmes nomes como Robert Pattinson, Nicole Kidman, Brad Pitt e Reese Witherspoon.

O cinema europeu marca sua presença com ex-vencedores da Palma de Ouro como Ken Loach (Reino Unido), Christian Mungiu (Romênia), Thomas Vinterberg (Dinamarca) e Matteo Garrone (Itália). A América Latina está representada pelo brasileiro Walter Salles, com Na estrada, e pelo mexicano Carlos Reygadas. O egípcio Yousry Nasrallah e o iraniano Abbas Kiarostami também participam da competição. Há ainda uma contribuição notável da Coreia do Sul na mostra competitiva, com os novos filmes dos diretores Hong Sang-soo e Im Sang-soo.

Bildergalerie Filmfestival Cannes 2012 Filmszene Müll im Garten Eden von Fatih Akin

Documentário de Fatih Akin representa a Alemanha em Cannes

Cinema alemão: presença periférica

Já o cinema alemão este ano está fracamente representado em Cannes, confirmando a dificuldade das relações do festival francês com os filmes da Alemanha. Embora não se saiba ao certo o porquê de tal animosidade – os especialistas divergem sobre a questão –, fato é que da Alemanha só há este ano um punhado de curtas-metragens, algumas coproduções de filmes de diretores não alemães e um longa de Fatih Akin.

O diretor de Hamburgo, de ascendência turca, traz a Cannes este ano seu Müll im Garten Eden (O lixo no Jardim do Éden) – um documentário baseado em anos de observação de um povoado turco que se volta contra a construção de um depósito gigantesco de lixo.

Autor: Jochen Kürten (sv)
Revisão: Alexandre Schossler

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