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Cultura

Festival de Berlim com quatro brasileiros

Dois longas de ficção, um documentário e um curta-metragem representam o Brasil nas mostras paralelas da Berlinale. Da competição pelo Urso de Ouro participam, entre outros, filmes de Eric Rohmer e Theo Angelopoulos.

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'Contra todos', de Roberto Moreira

Longe de ser um fórum aberto à cinematografia brasileira –como ocorre apenas raramente nos festivais internacionais de grande porte – Berlim traz este ano ao público, entre 5 e 15 de fevereiro, o que chega a chamar até de "ponto forte: América Latina". O número de filmes do continente, no entanto, é reduzido, principalmente considerando-se que a produção brasileira do último ano não deixou a desejar.

Entre os selecionados para o festival estão dois longas de ficção ( Contra Todos, de Roberto Moreira, e O Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein), um documentário ( Fala Tu, de Guilherme Coelho) e o curta Truques, Xaropes e Outros Artigos de Confiança, de Eduardo Goldenstein.

Situações-limite à margem do cartão-postal

Galerie Berlinale 2004 Hauptplakat

Contra Todos é o longa de estréia de Moreira, professor de Cinema da Escola de Comunicação e Artes da USP e co-roteirista de Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral. O filme retrata, em uma narrativa descontínua, quatro membros de uma família de classe baixa na periferia de São Paulo, que testemunham a miséria em situações-limite.

Por outro viés, a miséria das cidades brasileiras também será tema do único documentário brasileiro no festival, Fala Tu, que acompanha três rappers (desconhecidos do público) e um DJ na zona norte carioca. Abrindo espaço para um Rio à margem do cartão-postal, Fala Tu foi inspirado no Racionais MCs e considerado pelo público da última Mostra de Cinema de São Paulo um dos melhores documentários.

Já o curta de Goldenstein coloca no Largo da Carioca, centro do Rio, um vendedor de bonecos, um mágico e um vendedor de xaropes, para discutir o tema "confiança".

Repolitização do cinema

Galerie Berlinale 2004 Trilogia To livadi pou dakrisi

'Trilogia', do grego Theo Angelopoulos

Em relação à competição oficial, o diretor do festival, Dieter Kosslick, acentuou uma "repolitização do cinema", que tende a refletir cada vez mais os conflitos histórico-políticos da atualidade. Um dos exemplos de tal tendência no festival deste ano é o novo filme do grego Theo Angelopoulos, que usa de uma trilogia épica para retratar a história de seu país. A primeira parte ( Trilogia: A Terra Chora) poderá ser vista em Berlim.

Além de Angelopoulos, ninguém menos que o mestre francês Eric Rohmer traz um thriller de viés político em Triple Agent, enquanto Ken Loach usa uma história de amor em Ae Fond Kiss para discutir os conflitos culturais na Escócia de hoje.

Sem Walter Salles

Da América Latina, após a divulgação de que Diários da Motocicleta, de Walter Salles, não virá a Berlim – ao contrário do que havia sido dito anteriormente – participam da mostra competitiva apenas o argentino El Abrazo Partido, de Daniel Burman, e a co-produção colombiano-norte-americana Maria, llena de gracia, de Joshua Marston.

Nas mostras paralelas, o Fórum do Jovem Cinema será mais uma vez um cartão de visitas para o cinema asiático, enquanto o Panorama expõe na série Dokumente desde a saga de crianças palestinas, passando pela situação de mulheres iranianas, desabrigados nas ruas de Hollywood, até um portrait da lendária banda The Ramones. Entre os alemães, destaca-se a presença de Die Spielwüchtigen (Viciados em Atuar), de Andres Veiel ( Caixa Preta Alemanha), o retrato de um grupo de jovens atores.

Uma prova de "Paris, je t'aime"

Na mostra de curtas (com 17 contribuições de 12 países), que via de regra é um espaço reservado para iniciantes, o detalhe sui generis deste ano fica por conta da participação de True, do veterano Tom Tykwer ( Corra, Lola, Corra). Trata-se de um dos episódios do projeto "Paris, je t'aime", que reúne curtas de 20 cineastas, entre eles Walter Salles e Daniela Thomas, Jean-Luc Godard, Woody Allen e Agnès Varda.

Cada diretor, no caso, toma um dos bairros ( arrondissements) da capital francesa, para levar à tela um reencontro amoroso. Juntos, esses episódios deverão formar uma unidade narrativa, construindo um longa. Até então, o espectador há de se conformar com o sabor do "amor a Paris", que poderá ser agora visto em Berlim sob as lentes do bem-sucedido Tom Tykwer, mentor da apressada Lola.

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