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Cultura

Ferruccio Busoni: um músico toscano em Berlim

A eterna atração da capital alemã sobre os artistas: no início do século 20, um de seus "filhos adotivos" foi um italiano. Compositor, virtuose , regente, pensador: 140 anos de Busoni, vanguardista ou neoclássico?

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Ferruccio Busoni (1866–1924)

Ferruccio Dante Michelangiolo Benvenuto Busoni nasceu em 1º de abril de 1866 em Empoli, na região italiana de Toscana. Filho de um clarinetista e de uma pianista de origem alemã, ele foi desde cedo incentivado a estudar ambos os instrumentos.

Logo revelou-se menino-prodígio, nada ficando a dever a um Mozart. Já aos dez anos de idade conquistara reputação como pianista, compositor e improvisador, e em 1878 regia seu próprio Stabat mater. Aos 15 anos, após uma estada de Ferruccio na Real Academia Filarmônica de Bolonha, sua família mudou-se para Viena, onde ele travou contato com o compositor Johannes Brahms.

Fugindo da severa tutela artística paterna, e seguindo o conselho do colega alemão, Busoni partiu para Leipzig em 1886. Na então meca musical, conviveu com a nata dos compositores, de Gustav Mahler a Piotr Tchaikovsky, Edvard Grieg e o inglês Frederick Delius. Foi nessa época que se intensificou seu interesse pela música de Johann Sebastian Bach.

Redescobrindo o eterno Bach

Bach Busoni BWV 552

Prelúdio BWV 552 para órgão: o original de J.S. Bach...

De nosso ponto de vista atual, a história da música ocidental parece impensável sem a figura do genial compositor natural da Turíngia. E quase esquecemos que, após a morte em 1750, Bach esteve relegado ao ostracismo. Durante mais de 70 anos, boa parte de seus manuscritos ficou enterrada em porões úmidos ou foi mesmo vendida a peso pelos herdeiros, como papel de embrulhar peixe!

A partir da redescoberta da Paixão segundo São Mateus em 1829, por Felix Mendelssohn, o renascimento bachiano se deu em diversas "camadas". E Ferruccio Busoni contribuiu decisivamente para esse processo, no final do século 19. Não apenas como pianista de sucesso, mas através da atividade de professor, revisor musical e arranjador, tornou o repertório de Bach acessível a um número maior de músicos e, sobretudo, vivo.

Bach Busoni BWV 552

... e a versão para piano de F. Busoni

Suas transcrições da obra organística do mestre barroco são verdadeiras recriações. Longe de simplesmente transpor as notas de um instrumento para o outro, Busoni emprega todos os recursos do piano – infinitas nuances de toque, combinações dos três pedais – para reproduzir as riquezas tímbricas do órgão.

Uma prova eloqüente de qualidade dessas "transmutações" da obra de J.S. Bach: em pleno século 21, sua adaptação pianística da Chacone em ré menor (último movimento da Partita BWV 1004, para violino solo) reconquista lugar de honra no repertório dos maiores concertistas.

Continue lendo sobre as conexões com Berlim e com Schoenberg, sobre um tratado musical revolucionário e o lugar de Busoni na história da música.

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