Fernando Botero em Berlim | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 26.09.2007
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Cultura

Fernando Botero em Berlim

Fernando Botero conquista Berlim. Desde final de setembro podem ser admiradas suas esculturas monumentais em lugares tão emblemáticos como o Portão de Brandemburgo. DW-WORLD entrevistou o pintor e escultor colombiano.

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Gigante colombiana na capital alemã

Dezesseis esculturas monumentais do pintor e escultor colombiano Fernando Botero, entre elas um cavalo de dimensões gigantescas, estão expostas desde terça-feira (25/09), em Berlim. A maior delas encontra-se diante do Portão de Brandemburgo, as outras 15, no parque "Lustgarten", na ilha dos museus.

DW-WORLD: A exposição vem de Milão e foi apresentada no Museu Cívico de Arte Contemporânea, um dos locais onde os maiores artistas do mundo expõem...

Fernando Botero: A verdade é que eu tenho feito a exposição de 19 esculturas monumentais em todo o mundo – nos Campos Elíseos de Paris, em Nova Iorque, na Piazza della Signoria , em Florença, em Veneza – em todos os lados expus 19 dessas esculturas monumentais, agora acontece o mesmo em Berlim. Parte da coleção esteve exposta em Milão, mas somente seis obras. A exposição de Milão foi completamente diferente porque era uma retrospectiva de pintura e escultura, e a de Berlim será somente de escultura.

São esculturas novas, não vistas em outras cidades do mundo?

Não, foram vistas, pois a escultura monumental é uma coisa que toma muito tempo e não se pode fazer uma exposição nova porque cada escultura leva um ano para ser produzida. Estas esculturas são basicamente as mesmas que tenho mostrado em muitas cidades, mas há uma ou duas peças que são inéditas. O trabalho para fazer uma escultura monumental é enorme e é muito difícil reunir 16 obras.

Como tem sido a recepção do público alemão às suas obras, sejam esculturas ou pinturas?

Tenho exposto muito na Alemanha. A partir de 1970, comecei a mostrar seriamente minha obra neste país. Houve nos últimos anos várias exposições em museus alemães dedicadas ao meu trabalho: a primeira foi em Weil am Rhein, e depois Hamburgo, Bielefeld, Berlim, Frankfurt, Munique, etc. E tive uma boa conexão com o público alemão desde o início.

Em seus últimos trabalhos, o senhor pintou o massacre, as violações contra os direitos humanos no Iraque, mais precisamente na prisão de Abu Ghraib. Qual foi a reação do público mundial a essas obras?

A reação tem sido muito favorável. As pessoas tiveram um choque com a revelação de que os norte-americanos estavam torturando os iraquianos na mesma prisão usada como centro de tortura do regime de Saddam Hussein, e isto produziu uma repulsa geral no mundo.

As obras que fiz são nascidas dessa perplexidade. Eu diria que a recepção tem sido extraordinária, mas também muita gente reage com ódio às obras e tem feito manifestações violentas nos locais em que as expus.

Diz-se que isto foi sua resposta da civilização contra a barbárie.

Com certeza. Essa tem sido minha resposta, porque, como o mundo em geral, eu estava perpleco e em estado de choque.

Você acredita que sua obra surtiu efeito sobre o pensamento de alguns políticos envolvidos com a guerra no Iraque?
Fernando Botero, Künstler, Kolumbien

Botero e uma de suas respostas ao terror de Abu Ghraib



Não, a arte não tem essa função nem é capaz de mudar nada. A arte não é um elemento político que possa mudar algo. Ela é importante no sentido de que é um testemunho que permanece quando o público já não fala do assunto. Quando os jornais já não falam mais do assunto, a arte segue para recordar para sempre algo que aconteceu e é inaceitável. Nesse sentido, a arte tem uma força, mas, no momento em que é produzida, não muda nada.

Esta exposição de Abu Ghraib já esteve em Roma, Milão, na Alemanha, no museu nacional de Atenas, na galeria Marlborought de Nova Iorque, na Universidade de Berkeley na Califórnia, e agora vai ser mostrada, em 6 de novembro, na American University de Washington e depois há outros locais, como no México e na Espanha, que também receberão a exposição.

Comentam que você teria doado os quadros de Abu Ghraib à Universidade de Berkeley. O que há de verdade nisso?

Isto é exato e não é exato. Sim, doei-os, mas propus à Universidade de Berkely que eu queria fazer uma doação com a condição de que as obras sejam expostas de forma permanente. Não quero que essas obras terminem num depósito.

Qual tem sido a importância da sua obra na América Latina?

Eu tenho mostrado minha obra em toda América Latina, desde Santiago, Buenos Aires, Montevideu, Rio de Janeiro, São Paulo, Venezuela, México, Peru, em todas as partes. Meu trabalho tem uma grande comunicação com o povo latino-americano. Primeiro, porque tem muita conexão com a arte latino-americana popular, a temática em muitas dessas obras foi a América Latina. Entre a linguagem e a temática obviamente há uma identificação do público com meu trabalho, o que me dá uma grande satisfação.

Justamente em algumas de suas obras tem-se visto como que uma caricatura do que são as sociedades latino-americanas, como a hipocrisia, o militarismo, etc. Você também vê isso dessa forma?

O termo "caricatura" não é o apropriado. Em meu trabalho há uma deformação, como em toda a arte. Em todo caso, sim, há um elemento satírico, que está muito presente em certos quadros e temas políticos.

Para onde caminham as sociedades latino-americanas na arte?

Na América Latina há um grande interesse por arte, há muitos pintores, muitos artistas de todo o tipo. Pode-se dizer que se espera que surja alguém com muito talento em qualquer uma das artes, e, com interesse, eventualmente se produzirá algo importante.

O senhor acredita que infuenciou o surgimento de novos artistas latino-americanos?

Bom, quando comecei como pintor, na Colômbia, essa era uma profissão que não agradava aos pais. Era uma profissão que tinha nenhum futuro ou nenhum atrativo. Como tive êxito, imagino que os pais se oponham menos a que seus filhos sejam pintores.

Agora há um prêmio na Colômbia que se chama Prêmio Fernando Botero, concedido a pintores jovens para estimular a arte. E o que mais estimula é ver a obra do artista para que os outros também queiram promover as obras.

Que espera do público alemão nesta visita?

Que disfrutem da minha exposição como arte, que a visitem e a vejam com prazer, como se admira qualquer obra de arte. É o que eu espero.