1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Feira de máquinas e utilitários é vitrine internacional para brasileiros

Segurança no setor aeronáutico é secundária, diz fabricante. Sete expositores brasileiros querem aproveitar expansão da usinagem para começar atividades na Europa.

default

Máquina da empresa DS Technologie, que fornece para o setor aeronáutico

A firma alemã Dörries Scharmann Technologie é uma das 2.118 empresas com um estande na maior feira mundial de fabricantes de máquinas e utilitários. Durante uma semana, 42 países estiveram representados na EMO, em Hannover, norte da Alemanha. A feira termina neste sábado (22/09).

EMO Werkzeugmaschinenbau-Messe in Hannover 2007

Michael Schedler, da DS: no setor aéreo, "produtividade vem antes da segurança"

A DS mostra máquinas que produzem peças para fabricantes da indústria aeronáutica. O representante Michael Schedler fala das vantagens competitivas dos produtos da empresa, que fornece maquinário para a Airbus e para a Embraer no Brasil.

Mas, para além da inovação tecnológica e da expansão internacional – palavras de ordem que concorrem com o barulho das máquinas –, Michael Schedler comenta um assunto que não aparece tanto em feiras como a EMO.

Perguntado sobre a relação entre as máquinas e a segurança na indústria aeronáutica, à luz do acidente com o Airbus A320 da TAM que matou 199 pessoas em 17 de julho último, Schedler salienta que "a indústria aeronáutica prioriza a produtividade, quer saber como produzir uma peça da maneira mais rápida e eficaz".

Segundo ele, "a segurança aparece só numa segunda fase, quando a peça é utilizada. É nesse momento que se testa se ela responde aos critérios da indústria", explica. Mas alerta: "Pela minha experiência, a maioria dos acidentes aéreos acontece por falha humana ou problemas de manutenção. Pode até haver falhas de produção, mas é um percentual muito pequeno dos acidentes".

Brasileiros querem aproveitar expansão do mercado

A indústria alemã de máquinas e utilitários está em plena expansão. Para 2007, os fabricantes esperam um aumento de 15% nos lucros, o equivalente a 12 bilhões de euros. Os números impressionam pelo tamanho relativamente reduzido do setor no país, que emprega 65 mil trabalhadores em empresas de pequeno e médio porte.

EMO Werkzeugmaschinenbau-Messe in Hannover 2007

Artur Klink, alemão naturalizado brasileiro, quer carona no sucesso alemão

Os sete expositores brasileiros presentes na EMO de Hannover querem pegar carona no sucesso dos fabricantes alemães. "Queremos ter um pé na Europa, um pé na Alemanha. Porque a Alemanha é a vitrine da tecnologia européia e do mundo", afirma Arthur Klink, cuja empresa de mesmo nome veio para a EMO pela segunda vez.

Klink é um alemão de Pforzheim, sudoeste do país. Se naturalizou brasileiro e estabeleceu a Arthur Klink em Sorocaba, no Estado de São Paulo, em 1962. Desde então, os 130 empregados da empresa produzem maquinário principalmente para a indústria automobilística. Klink quer abrir uma fábrica em seu país natal em 2008.

EMO Werkzeugmaschinenbau-Messe in Hannover 2007

Com máquinas 20% mais barata que as européias, a Boneli de Sérgio Cruz quer deixar concorrência para trás

Sérgio Cruz, diretor comercial da Boneli, sediada em Piracicaba (SP), concorda com a imagem da Alemanha como líder mundial no setor. "No ramo de máquinas, ferramentas e mecânica, a Alemanha é o país com a tecnologia mais avançada."

Cruz quer distribuir seus produtos em vários países do mundo. Em especial a retífica Centerless, que desenvolveu com o pai, projetista e fundador da empresa. A máquina corrige as imprecisões de peças milimetricamente. "Nossa máquina vai chegar na Europa com um preço 20% menor que o preço da concorrência", explica Cruz, que vende a retífica por 470 mil reais no Brasil.

Dólar fraco pode favorecer brasileiros

Mesmo com a expansão do setor automobilístico – principal cliente de empresas como a Boneli –, o mercado de máquinas não está aquecido. "Muitas das peças usadas nos carros fabricados no Brasil vêm de fora. Por isso, não conseguimos vender todas as máquinas que esperávamos", explica Cruz.

A compensação deverá vir através da expansão internacional. Cruz pretende dobrar o faturamento da Boneli, que hoje gira em torno de seis milhões de reais anuais.

Do ponto de vista conjuntural, um dólar fraco não atrapalha muito os brasileiros. "30% da nossa máquina são componentes importados, o que nos prejudica. Mas já temos vantagem de custo sobre a concorrência, o que pode nos favorecer", diz Cruz.

EMO Werkzeugmaschinenbau-Messe in Hannover 2007

Bom negócio: máquinas alemãs crescerão 15% em 2007, com lucros de 12 bilhões de euros

Na Alemanha, por outro lado, um euro forte que torne os produtos mais caros no exterior pode atrapalhar os fabricantes. A indústria alemã de máquinas e utilitários vende mais da metade de seus produtos no mercado internacional. "Na Europa, a cotação do euro não tem importância. Mas, em mercados importantes como o norte-americano e o asiático, que calculam em dólar, o euro forte nos machuca muito", diz Martin Reuber, diretor de Desenvolvimento da firma alemã SMS Meer.

Renovar mão-de-obra é difícil

Outro problema – não só na Alemanha – é encontrar mão-de-obra qualificada para abastecer o setor. A EMO dedicou um evento especial a jovens estudantes e profissionais, para interessá-los pela indústria de máquinas.

"Existe uma grande dificuldade de se encontrar mão-de-obra qualificada", explica Sérgio Cruz. "Os que estão no mercado estão muito bem empregados, ou não têm as qualificações necessárias", afirma.

Leia mais