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Alemanha

Federação dos Desterrados completa 50 anos

Criticada por defender posições dúbias relacionadas à II Guerra, BdV completa meio século de existência, representando dois milhões de alemães expulsos do Leste Europeu. Governo aprova construção de memorial polêmico.

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Angela Merkel (e) felicita a presidente da BdV, Erika Steinbach, pelo cinqüentenário da organização

Quase 60 anos após a última expulsão de alemães de territórios do Leste Europeu que, até 1945, estiveram sob domínio nazista, este capítulo da história ainda não foi encerrado. É o que diz a Federação dos Desterrados, que neste sábado (27/10) festejou meio século de existência.

Com cerca de dois milhões de sócios, a BdV propõe-se a "preservar a diversidade das tradições e o patrimônio cultural dos alemães no leste". Ao mesmo tempo, tem cobrado indenizações, um tema delicado, principalmente nas relações entre a Alemanha e a Polônia.

Em 2003, os governos dos dois países assinaram uma declaração, segundo a qual "não deveria mais haver espaço para indenizações". Juridicamente, porém, a briga continua. As atividades da organização comercial Preussische Treuhand, que cobra indenizações e devolução de bens, inquieta principalmente os poloneses.

Fama de revanchistas

Segundo a BdV, entre 1945 e 1950, cerca de 15 milhões de alemães foram expulsos de sua pátria no Leste Europeu. Cerca de oito milhões teriam ido para a então Alemanha Ocidental, aproximadamente quatro milhões para a Alemanha Oriental.

Em torno de 2,5 milhões de alemães teriam morrido durante a fuga da então Prússia Oriental, Silésia, Pomerânia e dos Sudetos – uma cadeia de montanhas na fronteira entre a República Checa a Polônia e Alemanha.

A primeira tentativa dos desterrados de fundar uma associação, logo após a Guerra, foi impedida pelos aliados, porque eles eram considerados revanchistas. Segundo a revista Der Spiegel , entre os membros da organização havia três vezes mais integrantes da SS (Schutzstaffel) do que na média da população alemã.

Embora dois dos primeiros presidentes da BdV tivessem sido social-democratas, as relações da entidade com o Partido Social-Democrata (SPD) sempre foram tensas. Sobretudo durante o governo de Willy Brandt, que forçou a reaproximação com o Leste Europeu. Nessa época, muitos desterrados abandonaram o SPD.

Reduto das SS?

Deutschland Berlin Vertriebene Deutschlandhaus am Anhalter Bahnhof

Provável sede do futuro centro de documentação sobre os desterrados, em Belim

Desde a criação de um Centro contra a Expulsão, em 2000, a aceitação pública da BdV melhorou. Após uma longa polêmica, os partidos da coalizão governamental (SPD e CDU/CSU) acabam de aprovar a idéia de construir,em Berlim, um centro de documentação sobre os desterrados.

Mesmo assim, a desconfiança em relação à BdV persiste. Por ocasião do cinquentenário, o vice-presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Dieter Graumann, conclamou a entidade a "romper com a funesta tradição de estabelecer paralelos entre o Holocausto e o desterro".

A líder da bancada verde na câmara baixa do Parlamento alemão, Renate Künast, disse que a BvD precisa "abandonar seu nacionalismo dúbio e finalmente reconhecer as fronteiras européias, renunciar a indenizações estatais e privadas, bem como impedir qualquer atividade de extrema-direita".

Em entrevista à emissora de televisão alemã ZDF, a presidente da BdV, Erika Steinbach, nascida Polônia em 1943 e hoje deputada federal alemã pela CDU, reiterou a intenção da Federação dos Desterrados de "trabalhar por uma Europa em que os povos convivam pacificamente. As fronteiras européias naturalmente serão reconhecidas", garantiu. (vw/gh)

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