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Mundo

Fantasma da guerra ainda ronda

Alemanha encarou a aceitação da resolução da ONU pelo Iraque como uma confirmação da sua política de rejeição total a uma guerra dos EUA para desarmar o país e destituir o seu presidente. Mas persiste este perigo.

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Saddam Hussein não abrirá todas as portas dos seus palácios, dizem analistas

A discreta manifestação de contentamento do governo alemão foi expressa pelo deputado do Partido Verde Ludger Volmer, durante debate no Parlamento em Berlim, nesta quinta-feira (14), sobre a cúpula da OTAN na próxima semana, em Praga. Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Joscka Fischer, limitou-se a exigir que a Ucrânia respeite o direito internacional e não exporte armas para o Iraque, como está sendo acusada.

O silêncio do ministro verde demonstra o ceticismo generalizado com a decisão do Iraque de permitir que os inspetores da ONU investiguem a existência de armas químicas e biológicas em seu poder. Por causa da sua rejeição total a uma intervenção militar para desarmar o Iraque e destituir o presidente Saddam Hussein, o governo social-democrata e verde do chanceler federal Gerhard Schröder havia provocado a pior crise do pós-guerra entre a Alemanha e os Estados Unidos. Indignado, o presidente americano George W. Bush nem parabenizou o chefe de governo alemão por sua vitória eleitoral em setembro. Mas ambos já fizeram as pazes nesse meio tempo.

Perigo de guerra persiste

As experiências com o Iraque justificam o temor manifestado por políticos e peritos alemães de que Saddam Hussein não abra as portas dos seus palácios para os inspetores da ONU. O Instituto Alemão para o Oriente, em Hamburgo, por exemplo, continua contando com um ataque militar contra Bagdá. "As manobras diplomáticas das últimas semanas foram apenas um rodeio", disse o presidente do Instituto, Udo Steinbach, para quem "os americanos não perderam de vista a sua meta de mudar o poder em Bagdá".

A aceitação da resolução da ONU pelo ditador Saddam Hussein, depois de ter sido rejeitada por unanimidade pelo Parlamento iraquiano, não foi uma surpresa, segundo o perito, principalmente por causa da posição dos Estados árabes, que temiam por sua estabilidade no caso de uma ação militar contra o Iraque. Mas na avaliação de Steinbach o documento que criou as bases para novas inspeções de armas no Iraque contém tantas exigências que Bagdá dificilmente irá cumpri-lo. "Eu não posso imaginar que, no final, o regime permita que se abram todas as portas dos palácios do presidente Hussein e cada câmara e toalete", afirmou. Ele conta como certa uma reação do Iraque e, neste caso, uma inevitável intervenção militar dos EUA.

Inimigo desconfiado

O Kuweit considerou que, permitindo a fiscalização de seus arsenais, indústrias e palácios, "o Iraque decidiu não desperdiçar o sangue do seu povo", mas continua cético com a possibilidade de Saddam Hussein cumprir a sua palavra. "Embora nossas experiências com o Iraque não nos permitam dizer com segurança que o seu regime vai cumprir sua palavra, tempos grande esperança de que esse regime vai agir corretamente com os representantes da ONU, a fim de mostrar ao mundo que não possui armas químicas e biológicas", disse o ministro kuweitiano das Relações Exteriores.

A desconfiança do Kuweit tem razão de ser não só porque já foi invadido pelo Iraque. Analistas e parte da imprensa na Alemanha e na Europa avaliam como um progresso a permissão para os inspetores da ONU retornarem ao Iraque, mas não vêem motivo para júbilo. A decisão que Saddam Hussein anunciou à ONU não afasta definitivamente o perigo de uma intervenção militar dos EUA. O regime anunciou com freqüência no passado sua vontade de cooperação e rompeu com suas promessas repetidas vezes. A questão é esperar para ver o que acontece desta vez.

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