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Mundo

"Falta união à UE na crise migratória", diz Juncker

Presidente da Comissão Europeia faz apelo dramático para que países-membros atuem em sintonia e não distingam estrangeiros por religião: "Europa é um continente onde, em algum momento, quase todos foram refugiados."

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, usou nesta quarta-feira (09/09) seu discurso anual no Parlamento Europeu para cobrar os Estados-membros a agirem de forma mais unificada para enfrentar a maior crise migratória no continente desde a Segunda Guerra.

"Não estamos num bom lugar. Há uma falta de Europa na União Europeia e há uma falta de união na União Europeia", disse Juncker. "Os europeus deveriam lembrar que a Europa é um continente onde, em algum momento, quase todos foram refugiados."

No discurso sobre o "estado da União", Juncker anunciou oficialmente um plano, já antecipado ao longo da semana pela imprensa, para redistribuir pela União Europeia 160 mil refugiados que estão nos chamados "países de linha de frente".

O mecanismo estabeleceria quotas de realocação emergencial de 120 mil refugiados atualmente em países como Itália, Grécia e Hungria. Ele seria combinado com esquema semelhante destinado a 40 mil refugiados na Itália e na Grécia, já revelado em maio.

O custo seria de 1 bilhão de euros, e a divisão levaria em consideração a situação econômica de cada país e a quantidade de asilos oferecidos até hoje. A Alemanha, por exemplo, receberia 31 mil refugiados hoje em trânsito nos Estados do sul europeu.

"O inverno está chegando. Será que nós realmente queremos famílias dormindo em estações de trem e tendas em noites frias?", questionou o político luxemburguês. "Não há religião, crença ou filosofia quando se trata de refugiados."

Na semana passada, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, declarou que a onda de refugiados de maioria muçulmana ameaça abalar um continente de raízes cristãs – uma tese rejeitada pela chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Symbolbild Flüchtlinge Italien

Juncker quer realocação de refugiados nos países de "linha de frente"

"Não é hora de ter medo"

Juncker confirmou um plano comum da UE para a lista de "países seguros de origem", cujos cidadãos seriam sujeitos a deportações rápidas se infringirem as leis de imigração da UE. Ele pediu aos Estados-membros que permitam que os refugiados trabalhem desde o primeiro dia enquanto suas candidaturas para asilo sejam processadas.

"Não é hora de ter medo. É hora de adotar ações audaciosas e determinadas para a União Europeia", disse Juncker, sendo aplaudido pelo Parlamento Europeu em Estrasburgo. "São 160 mil pessoas que a Europa terá de receber em seus braços. Isso tem de ser feito de forma compulsória. Eu convoco o Conselho [Europeu] a concordar em receber 160 mil durante o encontro entre ministros do Interior em 14 de setembro."

O presidente da Comissão Europeia também pediu que os países juntem esforços para formar um sistema de asilo comum e uma revisão do sistema de Dublin, que estipula que as pessoas devem pedir asilo somente no país de entrada na UE. Ele também cobrou melhoras na agência europeia de fronteira (Frontex) e a criação de uma guarda costeira europeia.

A Comissão Europeia, segundo ele, vai tomar atitudes mais profundas "nos próximos dias" contra os países-membros que não estão aplicando as leis de asilo da UE.

Juncker pediu que a Europa não tema a onda de requerentes de asilo porque o continente tem uma responsabilidade histórica de dar refúgio aqueles que precisam de proteção internacional.

"É verdade que a Europa não pode abrigar toda a miséria do mundo, mas vamos ser honestos e colocar as coisas como elas são. Existe certamente um número de refugiados importante, sem precedentes, que está vindo para a Europa no momento. No entanto eles ainda representam 0,11% da população total da UE", disse.

MP/dpa/afp/rtr

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