Falco retorna nas telas de cinema | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 10.06.2008
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Cultura

Falco retorna nas telas de cinema

Na Áustria, o filme de Thomas Roth estreou em fevereiro, exatos dez anos após a morte de seu maior popstar. Em junho, o filme baseado na vida da excêntrica figura entrou em cartaz na Alemanha.

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Manuel Rubey interpretou o ídolo e cantou ele próprio as músicas do filme

Exatos dez anos após a morte de Falco, em 6 de fevereiro deste ano, estreou nas telas de cinema da Áustria um filme baseado na vida do excêntrico popstar. Após uma primeira apresentação na abertura do Festival de Cinema de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental no final de abril, o filme Verdammt, wir leben noch entrou agora em circuito comercial na Alemanha.

A película começa com o final, o trágico acidente que pôs fim à vida do único músico capaz de emplacar um hit em alemão no topo da parada de sucesso dos EUA. Hanz Hölzel, seu nome de nascimento, se encontra à frente de um bar, ouvindo as músicas do novo álbum com o qual planejava seu retorno após uma fase retirada, e falando ao telefone, convidando amigos para a festa de seu 41º aniversário.

Manuel Rubey spiet Falco

'Rock me, Amadeus' foi a única canção em alemão a alcançar o nº 1 da Billboard

Uma testemunha ocular, encenada pela cantora e ex-modelo Grace Jones, conta o que viu naquele fatídico 6 de fevereiro de 1998 na República Dominicana, onde o astro vivia. Ele liga o carro, faz a curva e bate de frente com um ônibus que vinha em alta velocidade. Especulações sobre suicídio existem até hoje.

"Nenhuma simpatia"

A partir daí, o diretor Thomas Roth lança mão de flashbacks para resgatar diversos momentos da vida do ídolo, sua personalidade polêmica e psicologicamente desgastada. "Roth resistiu à grande tentação de encenar a vida de Falco como um mórbido mito de morte, dividindo-a em duas fases", elogiou o Tagesspiegel.

"A primeira é história social, resgatando em cores mornas a imagem de uma Viena perdida, onde o jovem Hans cresce em meio a papéis de parede floridos e música folclórica, peepshows e uma escola de padres piaristas."

"Sua primeira apresentação solo", continua o jornal, "é um choque". "O filme encena o nascimento da personagem Falco como uma quebra. A câmera mostra os rostos descrentes da platéia, enquanto, em meio a hippies tardios, no palco brilha uma figura de terno branco impecável e óculos de sol pretos, com gel segurando os cabelos para trás."

Manuel Rubey spiet Falco

Uma vida de excessos em cima e por trás do palco

A excentricidade do cantor também foi ressaltada pelo Süddeutsche Zeitung. "O Falco criado por Thomas Roth não é exatamente uma simpatia de pessoa. É narcisista, um pouco megalomaníaco, o que às vezes o leva ao sucesso, outras vezes, à incapacidade de se deixar ajudar."

O jornal admite que o filme de Roth tem "algo de muito artificial, encenado, com movimentos lentos de câmera", lembrando que a imprensa austríaca o criticou por essa sua falta de naturalismo. No entanto, salienta que "uma biografia que não imita a vida é um raro prazer" e que "a teatralidade do filme deixa espaço para aquilo que não se pode visualizar" e talvez por isso seja "a maneira certa de descrever uma vida feita inteira de encenações".

O yuppie que era rapper

Também a atuação do austríaco Manuel Rubey, que interpretou pessoalmente as músicas de Falco para o filme, foi muito elogiada, com seu olhar diabólico e o visual adequado. "Apesar de começar timidamente, ele aos poucos vai se transmutando na figura de Falco, que também teve que se transformar na personagem que imaginara, inspirado pelo Ziggy Stardust de David Bowie", sintetizou o Süddeutsche Zeitung.

Manuel Rubey spiet Falco

Yuppie antecipado?

Se, por um lado, Falco era tido por alguns como o primeiro rapper branco, por outro antecipou a figura do yuppie, sem entretanto fazer parte de uma estratégia calculada de marketing.

"Por mais que no final o filme abuse por vezes do visual kitsch de videoclipes, impressiona como um retrato artístico de alguém que não soube lidar com seu próprio sucesso, mas que – entre drogas e excessos – compôs a trilha sonora da década que começou com ele. Falco era a década de 80", conclui o Tagesspiegel. A ele atribui-se a ousada descrição do zeitgeist da época: "Quem se lembra da década de 80, não a viveu".

Em 100 minutos, o filme de Thomas Roth mostra o indivíduo por trás do astro e, por mais que no filme o personagem diga "Eu só vivo uma vez e, do jeito que vivo, uma vez basta", na tela o popstar renasce outra vez.

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