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Turismo

"Faixa da morte" vira roteiro de ecoturismo

Quinze anos após a reunificação alemã, a faixa por onde passava a "cortina de ferro" tornou-se um cinturão verde que abriga espécies raras e atrai turistas. Museus da fronteira mostram resquícios da guerra fria.

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Visitantes analisam as instalações da antiga fronteira em Mödlareuth

Com uma pequena mochila nas costas e um bloco de anotações na mão, o escritor Landolf Scherzer, do sul da Turíngia, caminhou 400 quilômetros em 15 etapas ao longo da chamada "faixa da morte", que marcava a fronteira entre a Alemanha Ocidental (capitalista) e a Alemanha Oriental (comunista) até 1989. O resultado são 394 páginas, que compõem o livro Der Grenz-Gänger (expressão alemã usada para definir quem transita entre dois mundos).

Scherzer quis "caminhar nos rastros dos guardiões de dois universos – capitalismo e comunismo – para ver a realidade de perto". Só interrompia a solidão de sua marcha para encontros com moradores das cidades e povoados da antiga fronteira.

Deutsch-deutsche Grenze

Linha da fronteira que dividiu as duas Alemanhas até 1989

Apesar de ainda ter encontrado pedaços das cercas de arame farpado e algumas das ameaçadoras torres de vigilância, ele constata que a fronteira já teria se apagado do mapa, não fosse a luta de ambientalistas para preservar uma fauna e flora raras e o empenho de historiadores para manter viva a memória recente do país.

No último trecho, foi acompanhado pelo amigo e escritor Günter Wallraff, com que trocou idéias sobre as diferenças entre os dois lados. "À certa altura, chegamos a um ponto em que não sabíamos mais se estávamos no Leste ou no Oeste. Algumas casas decadentes insinuavam que estávamos no lado oriental. Fizemos uma aposta. Wallraff disse "Leste"; eu, Oeste. Descobrimos, depois, que nos encontrávamos no que foi a Alemanha Ocidental", conta.

Museus e trilhas

Grenzlandmuseum Teistungen

Teistungen tem 300 metros de 'cortina de ferro' em estado original

Não é preciso imitar Scherzer ou Wallraff para descobrir que um passeio à Sperrzone (zona de interdição) vale a pela. Sobretudo, para quem gosta de natureza e se interessa por história. Do Mar do Norte à República Tcheca, boa parte da antiga faixa de segurança, de 50 a 200 metros de largura e quase 1400 quilômetros de comprimento, parece um oásis verde na Alemanha densamente povoada.

Onde a ex-Alemanha Oriental expulsou dezenas de milhares de seus habitantes e, a partir de 1952, tentou impedir qualquer fuga através de cercas de metal, valas, minas e milhares de soldados na "operação insetos", surgiu um ambiente propício para espécies de plantas e animais ameaçadas de extinção.

Ambientalistas vêem na antiga "faixa da morte" uma "linha da vida", pontilhada por 17 ambientes naturais preservados, destinos ideais para o turismo ecológico. Relíquias da "cortina de ferro" podem ser vistas em mais de trinta museus da fronteira, que convidam à reflexão sobre a história em caminhadas por "trilhas didáticas".

Mödlareuth, a "pequena Berlim"

Die Werra

Vista sobre o rio fronteiriço Werra (Hessen) em direção a Lindewerra, na Turíngia

Algumas delas passam por cenários idílicos, como as margens do rio Werra, que marcava um trecho da divisão alemã em Hessen. No final do verão, pode-se observar ali a chegada de milhares de pássaros do norte da Europa, que fazem escala na região a caminho do sul do continente.

Um dos pontos de partida prediletos para longas caminhadas é o antigo marco das três fronteiras (União Soviética, RDA e RFA), próximo a Prex, na Baviera. Dali se pode, por exemplo, seguir pela estrada de patrulhamento até Mödlareuth, que os americanos batizaram de little Berlin. A partir de 1966, o povoado foi dividido em dois por um muro de 700 metros de comprimento e 3,4 m de altura, que substituiu as cercas de metal e madeira de 1949.

Em Teistungen, perto de Worbis, na Turíngia, ainda é possível ver 300 metros do complexo sistema de barreiras da "cortina de ferro" em estado original.

Ponto mais quente da guerra fria

Grenzstraße bei Point Alpha

Geisa (Turíngia): onde circulavam tanques militares, hoje se pode passear próximo ao "Point Alpha"

O ponto central do cinturão verde, um monumento natural inaugurado pelo ex-presidente soviético, Mikhail Gorbatchov, em 2002, virou atração turística. O chamado Portal Oeste-Leste (WestÖstliches Tor), formado por dois carvalhos de 12 metros de altura interligados por uma barra de aço inoxidável, convida a cruzar a antiga fronteira.

Nas montanhas centrais alemãs (Rhön), entre Rasdorf, no Estado de Hessen, e Geisa, na Turíngia, encontra-se o memorial Point Alpha, o ponto extremo-oriental de observação das forças armadas norte-americanas.

Três esquadrões do regimento Blackhorse guarneciam o centro da linha de defesa da Otan, próximo a Fulda, onde se esperava uma eventual invasão das tropas do Pacto de Varsóvia. O Museu da Fronteira Rhön "Point Alpha" documenta a história do "ponto mais quente da guerra fria".

O Estado da Turíngia controla o maior trecho da "linha da vida" – 763 quilômetros. Sobretudo no lado oriental, ainda há muita natureza intacta. Na opinião da presidente da organização ecológica BUND, Angelika Zahrnt, com uma injeção de recursos da União Européia e do governo federal alemão, a antiga "faixa da morte" pode-se transformar "em modelo de ecoturismo na Alemanha. Ela ainda tem potencial econômico".

O cinturão verde alemão pode fazer escola na Europa. Em setembro de 2004, representantes de todos os países fronteiriços à "cortina de ferro" reuniram-se na Hungria para discutir a criação de um cinturão verde europeu, que iria de Murmansk (no norte da Rússia) até Burgas (Bulgária). Pelo menos a semente do megaprojeto já foi lançada.

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