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Economia

Fabricante de ventiladores aposta na tecnologia para ganhar mercados

Após inovar e instituir um novo padrão de mercado, alemã Ziehl-Abegg se tornou a maior produtora de ventiladores industriais do mundo. Empresa aposta na criatividade para expandir ainda mais sua área de atuação.

Tudo começou com uma invenção. Em 1897, Emil Ziehl desenvolveu o rotor externo, um motor elétrico em que o eixo é preso, e o motor gira sobre este eixo, como no ventilador de teto. Assim, o motor tem um melhor desempenho rotacional.

Mas, num primeiro momento, o mundo não se interessou pela invenção. E Ziehl fundou uma empresa em 1910, sediada no bairro berlinense de Weissensee, começando a produzir motores elétricos clássicos, utilizados nos dirigíveis Zeppelin e em aviões da Lufthansa. "Eles não se destinavam a mover as aeronaves, mas a produzir eletricidade para as centrais de rádio e de controle", explica Rainer Grill, porta-voz da Ziehl-Abegg. Após a Segunda Guerra Mundial, os equipamentos de produção foram levados pelo Exército Vermelho, obrigando a empresa a se mudar para a pequena cidade de Künzelsau, no estado de Baden-Württemberg, e recomeçar a partir do zero.

Em 1957, o sucesso

O lado bom de uma situação como aquela é que o empresário tende a ficar mais disposto a assumir riscos e a tentar algo completamente novo. Assim, em 1957 a família Ziehl tirou da gaveta a velha invenção de 1897, empregando a tecnologia do rotor externo em ventiladores. Ele instituiu desta maneira um padrão de mercado que ajudou a empresa em seu caminho rumo ao sucesso. Hoje, a Ziehl-Abegg é a maior fabricante mundial de grandes ventiladores industriais.

Pedro Santos, Ingenieur, Ziehl-Abegg

Ziehl-Abegg investe na qualificação e na criatividade de seus funcionários

"Você vê fora de supermercados grandes caixas brancas que fazem parte do sistema de refrigeração. Dentro delas, estão funcionando ventiladores Ziehl-Abegg", diz Thomas Brommer, representante autorizado e gerente de vendas da Ziehl-Abegg. "A engenharia ferroviária também é uma área muito interessante para nós, no mundo inteiro. Fornecemos, por exemplo, ventiladores para a empresa ferroviária estatal da Índia."

Galinhas e porcos saudáveis

Por falar na Índia, nesse país mais da metade da safra estraga porque não há uma cadeia refrigerada ligando os agricultores aos vendedores. Os ventiladores da Ziehl-Abegg são utilizados na agricultura não só para refrigerar como também para ventilar, por exemplo, estábulos. "Um bom clima garante que galinhas e porcos fiquem mais saudáveis", afirma Brommer, acrescentando que mesmo as vacas produzem, assim, mais leite e trazem maior lucro aos agricultores.

Segundo Brommer, a produção de ventiladores cresceu nos últimos anos entre um e dois pontos percentuais a mais que o restante do setor de produção de máquinas, devido à grande importância desses aparelhos para a indústria. E a cada dia surgem novas áreas de atuação, como a energia eólica. "Não fazemos as grandes hélices, mas uma usina eólica possui mais de 20 ventiladores para refrigerar e otimizar parte dos equipamentos.

Qualidade é tudo

É exatamente aí que a confiabilidade dos produtos desempenha um papel crucial. Pois se um ventilador deixa de funcionar em uma usina eólica offshore, toda a operação da usina é comprometida. E os custos de reparos em alto-mar são imensos. "Quando o nosso produto é instalado, ele funciona. Esta é a nossa exigência", garante Brommer. Um ventilador da Ziehl-Abegg, segundo ele, costuma durar várias décadas e muitas vezes sobrevive à máquina de que faz parte.

Firma Ziehl-Abegg in Künzelsau

Brommer mostra hélices inspiradas na asa da coruja

A companhia deve seu alto nível de qualidade e sua liderança tecnológica sobretudo a seus funcionários. “A estrutura de Ziehl-Abegg é voltada não só para a produção, como para a pesquisa”, ressalta Brommer.

Dos mais de 3 mil funcionários, 300 são envolvidos com pesquisa. Cerca de 7% do faturamento anual são investidos no desenvolvimento de novos produtos e no aperfeiçoamento dos antigos. "Damos a nossos funcionários liberdade para tomar decisões e produzir algo novo. Eles podem ampliar os limites da tecnologia", diz o gerente de vendas da empresa.

Aprendendo com as corujas

Foi assim em 2006, quando os engenheiros de Ziehl-Abegg decidiram aproveitar os conhecimentos da natureza para tornar seus ventiladores mais silenciosos. Mais especificamente, eles aprenderam com as corujas.

"A coruja é um caçador noturno e voa de forma extremamente silenciosa. Descobrimos que o serrilhado na parte de trás das asas faz com que ruídos sejam reduzidos durante o voo. E isso, nós repassamos para nossos produtos", explica Brommer.

Nem todos os experimentos dão origem a um produto de sucesso. Mas, como empresa familiar, a Ziehl-Abegg dispõe de serenidade para superar uma derrota sem maiores traumas ou, quando está convencida do produto, investir nele até que dê certo.

O melhor exemplo disso é o motor elétrico de cubo de roda para ônibus. Nele, o motor é instalado diretamente em uma roda, onde uma técnica complexa controla a velocidade. "O motor inteiro desaparece no pneu ou na roda. É uma revolução para a indústria de ônibus", avalia Thomas Brommer.

Apostando no motor elétrico

Os motores Ziehl-Abegg são empregados há anos em ônibus na Holanda e na Suécia. "Com o motor elétrico, o tráfego fica 90% mais silencioso. E quando o ônibus é abastecido com energia renovável, como fazem nossos clientes no norte da Suécia, então a emissão de dióxido de carbono chega a zero", diz o porta-voz Rainer Grill. Por isso, essa tecnologia também é muito interessante na Alemanha, de acordo com Thomas Brommer.

Firma Ziehl-Abegg in Künzelsau

Motor de cubo de roda: tecnologia equipa ônibus na Holanda e na Suécia

Ele calcula que esse tipo de motor também ganhe a indústria de ônibus no país dentro de cinco a dez anos, o que pode fazer com que o volume de negócios de Ziehl-Abegg venha a dobrar rapidamente. Para estar preparada para essa expansão, a empresa está construindo uma nova fábrica perto de sua sede. As novas instalações, orçadas em cerca de 24 milhões de euros, devem estar concluídas no final do ano, e empregarão 1.400 funcionários adicionais.

Mas por que o nome Ziehl-Abegg, já que só existe a família Ziehl? Um senhor Abegg existiu realmente. Entretanto, ele desapareceu ainda antes da fundação da empresa, em 1910. Emil Ziehl decidiu deixar o nome da nova companhia, para não ter que jogar fora o papel timbrado recém-impresso.

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