Fóruns regionais discutem soluções locais para questões globais | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 25.01.2010
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Mundo

Fóruns regionais discutem soluções locais para questões globais

Nos últimos 10 anos, vários encontros regionais foram fundados seguindo a filosofia do Fórum Social Mundial. Na Alemanha e na Europa, eles são plataforma para interação e intercâmbio de ideias.

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Em fóruns regionais, como a SOFa, temas globais ganham soluções locais

Todos os anos, há cinco anos, centenas de pessoas enfrentam as temperaturas abaixo de zero do inverno alemão para participar da Stuttgart Open Fair (SOFa), evento a céu aberto realizado em Stuttgart, no sul da Alemanha, paralelamente ao Fórum Social Mundial.

A festa reúne entidades não governamentais que promovem no lugar estandes informativos, um extenso programa cultural e workshops, onde são discutidos temas como globalização, energias alternativas, combate à fome, transformação climática e justiça social. A SOFa procura levar aos cidadãos o "engajamento civil e social e soluções locais para questões globais", como ressalta a organização do encontro.

"A Stuttgart Open Fair tem como um objetivo possibilitar que grupos civis se apresentem publicamente, por isso escolhemos a zona de pedestres de Stuttgart. Outra meta é possibilitar um fórum para que esses grupos possam conversar entre si, possam ter um intercâmbio, troquem ideias e montem uma rede de contatos", explica Johannes Lauterbach, um dos organizadores do evento.

"Filhotes" do Fórum Social Mundial

A SOFa é um dos muitos "filhotes" do Fórum Social Mundial que foram aparecendo ao redor do mundo, em âmbitos regionais. Realizado pela primeira vez em 2005, segue o mesmo lema "um mundo melhor é possível", mas obedecendo ao slogan "pensamento global, atuação local". O evento mantém a conexão com o Fórum Social Mundial e outras manifestações parecidas, transmitindo ao vivo as atividades realizadas do outro lado do mundo.

Johannes Lauterbach Stuttgart Open Fair

Para Lauterbach, fóruns locais incentivam intercâmbio em rede

"Uma das características de nosso evento é que sempre tentamos fazer transmissões ao vivo, através da internet, com o Fórum Social Mundial ou com outras atividades similares em outras regiões. Essas transmissões são mostradas ao público aqui através de um telão", ressalta.

A receita tem dado certo e crescido. Enquanto no ano passado cerca de 40 ONGs expuseram seu trabalho no encontro, neste ano são 50 estandes de 60 entidades participantes.

Os movimentos sociais conseguiram, com os fóruns sociais criados pelo mundo, e a partir da experiência de sucesso de Porto Alegre, criar um espaço de intercâmbio para os grupos de militantes sociais, políticos, ecológicos e críticos da globalização.

Dois exemplos são o Fórum Social Alemão e o Fórum Social Europeu, realizados em intervalos de tempo que vão de um a dois anos. Neles, entidades de militantes políticos trocam experiências e discutem alternativas que podem ser levadas a âmbitos mais abrangentes ou mesmo contribuir para resolver problemas locais. "Eventos locais podem apresentar de forma muito mais efetiva questões concretas, cujas soluções estão ao alcance dos próprios cidadãos individualmente", observa Lauterbach.

Cooperativa energética

Ele cita uma iniciativa criada na última edição da SOFa como um dos exemplos de sucesso da feira alemã: "Ano passado, tínhamos novas energias como um tema principal. Durante uma das oficinas foi discutida a criação de uma cooperativa de energia entre os cidadãos. Poucos meses depois, essa cooperativa foi realmente fundada e neste ano participa do nosso evento com um estande informativo, apresentando a ideia de produção de energia solar com painéis solares sobre edifícios públicos, em um projeto realizado em esquema de autogestão", lembra. "É um exemplo concreto de como os cidadãos pode atuar diretamente, fazendo parte da cooperativa", completa Lauterbach.

Ativista do grupo Attac e membro do partido A Esquerda, o político Thomas Mitsch acompanha desde 2006 o Fórum Social Europeu. "Participei pela primeira vez em Atenas, em 2006, depois em Malmö e pretendo ir ao próximo este ano em Istambul", afirma. Em sua opinião, os fóruns são ponto de discussão para temas europeus e onde cidadãos de países distintos podem discutir sobre problemas similares que enfrentam em casa.

Outros países, mesmos problemas

"Os fóruns europeus são importantes, por exemplo, quando os participantes da Espanha, França ou Inglaterra têm os mesmos problemas que nós aqui na Alemanha. Podemos nos aproximar, trocar experiências, perguntar que modos de protesto os outros promoveram para conseguirem ser atendidos nas reivindicações", diz. "É uma troca muito proveitosa de experiências e de conhecimento também", resume.

O primeiro Fórum Social Europeu foi realizado em 2002, em Florença, na Itália. "Dali praticamente nasceram os outros fóruns regionais em diversos países", recorda Mitsch. O movimento que deu origem aos fóruns regionais colaborou para um maior entrosamento entre grupos de militantes de diversas correntes e regiões, ressalta o político.

"Antes desses eventos, havia reuniões e atividades de grupos isolados, como Attac, de partidos ou sindicatos. Agora, o movimento é mais como uma rede. Não podemos esquecer que os fóruns têm a participação de diversos grupos, não só partidos, como igreja, entidades civis", diz Mitsch.

Encontro ajudou a organizar protestos locais

Stuttgart Open Fair

A SOFa está na sua quinta edição, a céu aberto, apesar das baixas temperaturas

"Nossos encontros têm tido bastante sucesso", afirma Waltraud Andruet, da organização pacifista católica Pax Christi. Ela organiza o Fórum Social do Sarre, realizado desde 2004, reunindo anualmente uma série de discussões e palestras, principalmente sobre temas daquela região alemã.

"Propomos assuntos como privatização de hospitais, integração de crianças deficientes, política educacional, endividamento do setor público, política para exilados", enumera. Segundo ela, o objetivo prioritário dos encontros não é chegar a soluções concretas, mas levar as questões à discussão pública. "Oferecemos um lugar onde as pessoas podem se informar sobre os problemas locais, muita coisa que não conseguimos saber pela imprensa", afirma.

Um dos sucessos do Fórum Social do Sarre foi a organização da resistência dos eleitores contra a privatização do sistema de distribuição de água da região. "Organizamos a produção de abaixo-assinados, de reuniões informativas e conseguimos impedir a privatização", lembra Andruet.

Para o organizador do SOFa, Johannes Lauterbach, um dos mais importantes aprendizados do Fórum Social Mundial para os eventos locais nascidos a partir da mesma filosofia é a cooperação e o intercâmbio interdisciplinar que, segundo ele, vai marcar o futuro do movimento.

"Acho que a mensagem do Fórum Social Mundial já chegou às pessoas e está ficando cada vez mais viva em nível local e fará com que projetos venham a ser desenvolvidos de forma cada vez mais forte por uma rede em que grupos de diversas áreas trabalham em questões comuns", conclui Lauterbach.

Autor: Marcio Damasceno

Revisão: Roselaine Wandscheer

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