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Alemanha

Fábrica alemã lança medicamento oral contra leishmaniose

Vantagem do remédio é sua administração oral. Fabricante, ministério alemão e OMS buscam doadores para a distribuição gratuita ou a preços baixos. Leishmaniose afeta 12 milhões de pessoas no mundo, inclusive no Brasil.

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Esperança para quem sofre da doença, como esta afegã de 4 anos

A pesquisa e fabricação de medicamentos contra doenças tropicais recebe pouca atenção da indústria farmacêutica. Dos quase 1400 medicamentos lançados no mercado nos últimos 25 anos, apenas 13 combatem doenças tipicamente tropicais.

Com o incentivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério alemão de Cooperação Econômica e da ONG alemã Action Medeor, o fabricante Zentaris, de Frankfurt, produziu e vai disponibilizar gratuitamente 100 mil doses de um novo medicamento contra a leishmaniose.

A doença ocorre em 88 países, em sua maioria pobres. Brasil, Bangladesh, Índia, Peru, Irã, Arábia Saudita, Síria e alguns países da África são os mais afetados. No Brasil, ela também é conhecida como febre dum-dum. A doença foi descrita pela primeira vez em 1903 pelo inglês William Leishman.

Em variantes como o calazar e a febre negra, ela infecta 500 mil pessoas todos os anos em 88 países. A doença é transmitida por mosquitos que transportam o parasita de uma pessoa para outra. São protozoários que se desenvolvem no trato alimentar do inseto hospedeiro ou vivem e se multiplicam nas células de um hospedeiro intermediário mamífero.

Existem quatro formas principais do mal: três que se manifestam através de ulcerações e erupções na pele e a visceral, que é fatal quando não tratada, pois ataca o fígado, baço e nódulos linfáticos e provoca perda de peso. Zonas rurais, favelas e regiões carentes de saneamento básico são as áreas mais propícias para a disseminação da leishmaniose.

Descoberta por acaso

Impavido Medikament Leishmaniose Krankheit Zentaris AG

Impavido, o medicamento oral contra leishmaniose

O novo medicamento foi descoberto pela Zentaris por acaso, ao desenvolver pesquisas sobre o câncer. O miltefosine, registrado sob o nome comercial Impavido, significa um avanço em relação aos tratamentos disponíveis atualmente, pois pode ser ministrado em forma de cápsulas.

Os tratamentos disponíveis, além de exigirem injeções, podem provocar outros problemas sérios, como diabete. Na Índia, país mais atingido pela leishmaniose visceral, cerca de 60% das vítimas têm infecções resistentes às terapias aplicadas até agora.

Num estudo feito na Índia no ano passado, foi observada a segurança e eficácia do miltefosine em 299 pacientes com mais de 12 anos de idade, afetados pela leishmaniose visceral. O grupo foi comparado a 99 voluntários também infectados e que receberam doses intravenosas da droga anfotericina B.

Seis meses após o tratamento, 94% das pessoas que receberam miltefosine e 96% dos pacientes do outro grupo foram considerados pelos pesquisadores como curados da doença. Entretanto, também o miltefosine pode provocar efeitos colaterais, como vômitos e diarréia, ainda que apenas por alguns dias.

Nas últimas semanas, a doença voltou a se manifestar no Iraque, em conseqüência da guerra. Para lá serão enviadas as primeiras remessas do medicamento, informou nesta segunda-feira (05) a ministra alemã de Cooperação Econômica, Heidemarie Wieczoreck-Zeul.

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