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Esporte

Exposição sobre racismo no futebol sofre retaliação

A Federação Alemã de Futebol suspende apoio financeiro porque organizadores se recusam a retirar cartazes com frases do presidente da entidade.

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Mayer-Vorfelder: "O que será do Campeonato Alemão, se os loiros se mudarem para além dos Alpes?"

A exposição "Local do crime: estádio - Racismo e discriminação no futebol" abriu na quinta-feira (10), em Hamburgo, com um calote. A Federação Alemã de Futebol (DFB) cortou seu patrocínio de 5 mil euros (R$ 10,6 mil) em represália aos organizadores. A entidade exige a retirada de frases pronunciadas por seu atual presidente, Gerhard Mayer-Vorfelder, da exposição.

A Aliança dos Torcedores Ativos de Futebol (BAFF), organizadora da exposição, se recusa a acatar a exigência da DFB e considera o pedido uma demonstração de falta de maturidade e responsabilidade do órgão máximo do futebol alemão.

"O conflito deixa claro que a Federação não está pronta para enfrentar declarações dubiosas de seu presidente e seu desagradável comportamento no passado", diz nota da BAFF.

Frases preconceituosas - Apresentada inicialmente em Berlim, a exposição inclui três frases de Mayer-Vorfelder. "O que será do Campeonato Alemão, se os loiros se mudarem para além dos Alpes e os polacos jogarem na Bundesliga?", disse certa vez o hoje presidente da DFB.

Recentemente, ele indagou: "Se no jogo entre Bayern de Munique e Energie Cottbus só dois germânicos começarem jogando, alguma coisa poderá estar errada."

Ao comentar a conquista da Copa do Mundo de 1998 pela França, Mayer-Vorfelder teria mais uma vez revelado seus preconceitos: "Se a Alemanha não tivesse perdido suas colônias em 1918, nossa seleção nacional provavelmente também só teria jogadores da África." A atual Namíbia foi colônia alemã.

Guerra ideológica - A DFB não questiona a autenticidade das citações, mas o assessor de imprensa da Federação, Gerhard Meier-Röhm, considera difamatória a exibição das frases, tal como estão apresentadas. Ele afirma que falta o contexto em que elas foram ditas. A BAFF anunciou ter rearrumado em Hamburgo os painéis com as frases do cartola para "sua melhor compreensão".

O cientista Gunter Pilz, que estuda a violência, apoiou a organização da exposição, porém afastou-se dela após várias tentativas de intermediação. "Eu estava e estou absolutamente convicto da necessidade desta exposição, mas não permito que me usem numa guerra ideológica", justificou. Segundo Pilz, os organizadores estão menos interessados em sensibilizar a juventude para o tema e mais em atacar a imagem da DFB.

De todo modo, o cientista considera as afirmações de Mayer-Vorfelder altamente problemáticas. "Mas não se pode delas concluir que ele é um radical de direita", observa. No entanto, Pilz espera "naturalmente de alguém em tal posição que meça exatamente suas palavras".

A Associação dos Jogadores Profissionais (VdV) também retirou seu apoio na quinta-feira. Seu vice-presidente, Michael Preetz, afirma que os organizadores alteraram o espírito da exposição. "Eu me distancio especialmente devido à associação entre o presidente da DFB e o pensamento direitista", declarou o atacante do Hertha Berlim, que era patrono da mostra.

Sobrevivência - A presidente do Partido Verde, Claudia Roth, abraçou a causa dos organizadores da exposição e prometeu ajuda de mil euros (R$ 2,1 mil). Ela apela que outros partidos sigam a iniciativa. "É correto não se intimidar em expor a opinião de altos dirigentes", disse Roth.

Sem o apoio da DFB e de quase todos os clubes da Bundesliga, as duas próximas etapas da exposição, em Bochum e Hanôver, correm o risco de serem canceladas. A mostra também é apoiada pela União Européia e a Rede de Torcedores de Futebol contra o Racismo na Europa (Fare).

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