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Cultura

Exposição retrata a invenção do Romantismo

Duzentos anos após surgir como movimento artístico, o Romantismo está mais atual do que nunca. O Museu Folkwang de Essen dedica uma exposição a um dos seus principais representantes: Caspar David Friedrich.

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'Mulher no Sol da Manhã', de 1818. Uma das salas da exposição no Folkwang mostra somente pessoas de costas

"Feche o seu olho físico, para que você possa ver a cena com o seu olho espiritual, então faça com que o quadro volte à luz do dia e com que os outros sintam, de fora para dentro, aquilo que você viu no escuro".

É com este ditado, que poderia ser de Kant, mas é do próprio pintor, que o Museu Folkwang de Essen abriu a exposição Caspar David Friedrich: A Invenção do Romantismo. Com cerca de 70 telas a óleo e 100 desenhos e aquarelas, ela representa uma das maiores exposições já realizadas do pintor romântico alemão.

Após uma série de mostras de grandes mestres, realizadas no Folkwang, os curadores acertaram em cheio em trazer ao público um dos principais pintores do movimento romântico alemão: O Romantismo está mais atual do que nunca, na arte contemporânea.

Romantismo como invenção

Caspar David Friedrich in Essen 2006 Lebensstufen

'Os Degraus da Vida', de 1835, o preferido da rainha Sílvia, da Suécia

Ruínas, montanhas, paisagens invernais, pessoas de costas escondendo o ponto de fuga e olhando para uma linha de horizonte que divide em duas a composição. Os motivos de Caspar David Friedrich se repetem.

De forma bastante didática, a exposição nos mostra como o artista montou seus quadros de forma intencional, para provocar sentimentos que nos atingem como se fossem nossos. Daí seu título, Invenção do Romantismo. Não que Caspar David Friedrich tenha sido seu criador, mas foi o grande inventor de um mundo subjetivo e ideal, caracterizando assim o próprio movimento.

Mostrando-nos que o Romantismo é sobretudo subjetividade, a exposição do Folkwang de Essen vem também a afastar deste movimento artístico a idéia de algo sentimental e melódico.

Suecos e alemães

Caspar David Friedrich in Essen Das Eismeer

'Mar de Gelo – A Esperança Fracassada', de 1823/1824, abre a exposição

Nascido em 1774, em Greifswald, hoje Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Caspar David Friedrich mudou-se para Dresden em 1798, onde viviam os pintores Otto Runge e Georg Kersting, e poetas como Ludwig Tieck e Novalis. Dresden transformou-se no centro do Romantismo alemão.

Instrospecção, religiosidade e amor à natureza caracterizam a personalidade de Caspar David Friedrich. Ele retomou motivos da Idade Média na pintura, recusando a tendência neoclássica de cópias dos antigos mestres. Entre os amigos próximos que o influenciaram está o nome de Johann Wolfgang Goethe.

Para entendermos a pintura de Caspar David Friedrich é preciso entender também a época em que viveu, marcada pelas guerras napoleônicas e pela busca de uma identidade alemã. O Iluminismo ainda soltava seus raios, já ofuscados todavia pela consciência de uma alienação provocada pelo início da industrialização.

Greifswald foi território sueco até 1815, e é por isto que a rainha Sílvia da Suécia, uma grande admiradora do artista, apadrinha a exposição. A rainha comentou, ao abrir a exposição: "Sou um Caspar David Friedrich ao contrário, nasci alemã e me tornei sueca, enquanto ele nasceu sueco e se tornou alemão".

Seu quadro preferido desde criança, segundo o programa de televisão Brisant, é a tela Os Degraus da Vida, um trabalho tardio do alemão, que mostra três gerações de uma família a observar barcos no horizonte. "É um símbolo da importância da família e de um conviver harmônico entre as gerações", afirmou a rainha.

Mundos ideais

"Solidão como o sentimento romântico fundamental – este tema central encontra sua tradução principalmente na representação da natureza, carregada de valores simbólicos".

Caspar David Friedrich in Essen Das Kreuz im Gebirge

'A Cruz na Montanha', de 1808 : utilização de um motivo religioso em um novo contexto

O que poderia ser uma definição do trabalho de Caspar David Friedrich é na realidade a introdução do catálogo da exposição Mundos ideais, realizada em 2005 na Schirn Kunsthalle de Frankfurt. A intenção era apresentar ao público uma nova tendência na arte, que muitos chamam de Novo Romantismo, marcado pela representação da necessidade de segurança e intimidade em uma sociedade caracterizada pela mobilidade e pelo sumiço dos laços sociais.

Alguns importantes quadros de Caspar David Friedrich também poderam ser vistos na exposição Melancolia em Berlim, sendo inclusive o cartaz da exposição.

Como observa Volkhard App, da emissora DeutschlandRadio, apesar de ter vivido 200 anos atrás, o fato de ter produzido quadros completamente artificiais, faz de Caspar David Friedrich, um pintor muito moderno em tempos de escapismos e mundos virtuais.

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