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Cultura

Exposição pode romper tabu sobre RAF

Durante duas décadas, a "Facção do Exército Vermelho" - RAF - cometeu na Alemanha uma série de crimes. Uma exposição planejada em Berlim sobre a "era do terrorismo" provoca controvérsias antes mesmo de ser concretizada.

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Hanns-Martin Schleyer, representante do empresariado alemão, seqüestrado e morto pela RAF em 1977

Pelo menos trinta pessoas morreram em conseqüência dos ataques da Facção do Exército Vermelho na Alemanha, dentre elas empresários e políticos, como o presidente da Confederação dos Empregadores no país, dois banqueiros conhecidos e o Procurador Geral da República.

Os membros fundadores da RAF eram estudantes e intelectuais oriundos de uma classe social rica e bem educada, que lutavam contra o que chamavam de sistema imperialista na Alemanha ocidental de então. O meio escolhido para destruir a ordem social vigente era a violência. Nos anos 70, foram conduzidos no país vários processos judiciais contra os terroristas. Condenados, os protagonistas do movimento acabaram se suicidando na prisão.

Tabu parece romper-se

O projeto da exposição sobre a RAF, que poderá ser aberta ao público a partir do segundo semestre de 2004, ainda não foi concluído. Apesar disso, a possibilidade aventada pela mídia de que a organização terrorista pudesse vir a ser tema de uma mostra desencadeou em solo alemão uma verdadeira onda de indignação. O pivô dos protestos foi o artigo publicado por um grande jornal popular do país, que noticiou o "escândalo" e o "ápice do mau gosto" representado pela exposição.

Vários parlamentares das bancadas da CDU, SPD e Partido Liberal apoiaram rapidamente a opinião divulgada pelo jornal. A crítica ao projeto é fundada na acusação de que a mostra Mito RAF poderá contribuir para a construção de uma lenda e em torno da organização terrorista, servindo até mesmo para glorificar a RAF.

Enquanto as vozes da indignação ecoam cada vez mais alto, até o governo federal foi questionado em função das verbas em torno de 100 mil euros, que serão liberadas pelos cofres de Berlim, caso a exposição seja realmente realizada. Familiares das vítimas dos ataques da RAF apelaram até mesmo para o chanceler federal Gerhard Schröder, exigindo que a mostra seja cancelada.

Sim ou não?

Szene aus dem Film Baader

Cena do filme «Baader», de Christoph Roth

O espaço de exposições Kunst-Werke, em Berlim, pretende, apesar de toda a polêmica, levar o projeto adiante. O diretor artístico da casa, Klaus Biesenbach, resume: "O turbilhão de discussões públicas diz que o país precisa dessa exposição. As controvérsias em torno do assunto são a prova de que há interesse e necessidade de se debater a questão".

As acusações de que a exposição pode vir a glorificar a organização terrorista - responsável por uma série de assassinatos, assaltos a bancos e outras atividades criminosas - é revidada por Biesenbach. Segundo ele, o projeto pretende expor as conseqüências dos atos cometidos pela RAF, com o intuito de desmitificá-los, torná-los isentos de qualquer aura gloriosa, tornando assim o cerne trágico da organização visível para o público. Para o diretor do Kunst-Werke, é de suma importância, neste contexto, expor jornais da época, documentos, além de instalações de artistas, fotografias e até pinturas que tematizam a questão.

Descuido infeliz

Biesenbach lamenta que os autores do projeto não tenham se dirigido desde o início aos parentes deixados pelas vítimas dos ataques da RAF, que deverão, em breve, receber uma carta a respeito. O objetivo é envolver estas pessoas no planejamento da exposição.

O político liberal Burkhard Hirsch – que foi nos anos 70 Secretário do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestfália – acredita que é de todo legítimo que a sociedade relembre os acontecimentos da época envolvendo a RAF. No entanto, segundo Hirsch, deve-se ter clareza sobre quem se quer homenagear: se os criminosos ou as vítimas, ou se a exposição pretende questionar quem eram esses terroristas, como eles chegaram a fazer o que fizeram e o que realmente provocaram.

Algumas instituições que haviam apoiado a idéia de início distanciaram-se do projeto nas últimas semanas. Um exemplo é o mecenas Jan Philipp Reemstma, fundador do Instituto para Pesquisa Social de Hamburgo, que proibiu recentemente os organizadores de captarem recursos para a exposição usando seu nome. A Central Federal para Formação Política, por sua vez, acentua que, no momento, ainda faltam subsídios para uma cooperação entre o organismo e os autores do projeto da exposição.

A condição para uma participação do departamento governamental em um programa de apoio à exposição seria a conclusão de um projeto para a mostra que combata a construção de qualquer lenda em torno dos terroristas da RAF. Além disso, espera-se que os organizadores respeitem critérios científicos ao tratar do tema e integrem os parentes das vítimas dos atentados na preparação do projeto.

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