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Cultura

Exposição mostra como a industrialização fez o tempo “passar mais rápido”

A vida cotidiana está cada vez mais acelerada, gerando mais estresse. Apesar de toda tecnologia, os dias parecem mais curtos. Um museu em Berlim mostra como a aceleração moldou a percepção do homem sobre o tempo.

O primeiro controle remoto foi desenvolvido nos Estados Unidos em 1934. Então, ele se conectava ao aparelho através de um cabo. Em meados dos anos 1950, os controles sem fio entraram no mercado. Eles se tornaram comuns na década de 1970 – uma invenção prática que possibilitou a mudança fácil e rápida dos canais de televisão.

Um controle remoto de 1986 é uma das 250 peças em exibição no Museu da Comunicação em Berlim, que ilustra o quanto nossa vida é influenciada pelo fenômeno da aceleração. E não apenas desde a invenção do controle remoto, do computador ou do smartphone, mas também desde os primórdios da Idade Moderna.

Otimização e racionalização

"O tempo é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda parte", disse Albert Einstein. Por milhares de anos, as pessoas se locomoviam lentamente, a pé ou em cavalos, burros, camelos e elefantes. Todos se moviam em ritmos similares, e as distâncias percorridas eram limitadas e previsíveis.

O correio quebrou esse ritmo natural no final do século 15. Em vez de utilizar apenas um mensageiro, começou-se a usar vários simultaneamente – assim eles podiam se revezar nas viagens, tornando as entregas mais rápidas. Os comerciantes, que perceberam cedo que tempo é dinheiro, apoiaram a expansão do sistema postal.

Ausstellung TEMPO TEMPO! Im Wettlauf mit der Zeit

O correio quebrou o ritmo natural da vida no final do século 15

"A aceleração é o resultado da otimização e da racionalização", diz Klaus Beyer, curador, ao lado de Katrin Petersin, da exposição Tempo Tempo! Im Wettlauf mit der Zeit (Tempo Tempo!, em uma corrida contra o tempo, em tradução livre) em cartaz em Berlim.

A aceleração tem sido gradual, mas constante ao longo dos séculos. Assim, estão expostos no Museu da Comunicação quadros de horários do correio do início do século 18, nos quais a pontualidade das viagens era intensamente controlada; modelos de carruagens e trens; relógios de ponto; telex e objetos do cotidiano, como zíper; grampeador; caderno de taquigrafia e caneta esferográfica.

Tempo é dinheiro

A industrialização obrigou os trabalhadores a cumprirem horários fixos, o que exigiu relógios mais precisos e confiáveis. O relógio se tornou, então, um instrumento indispensável de coordenação da vida cotidiana. Eles não estavam apenas nas estações de trem ou nas portas das fábricas, mas como despertador na mesa de cabeceira ou na parede da sala de estar.

Paralelamente, a industrialização levou a racionalização a outras áreas da vida. O escritório se tornou o novo local de trabalho, assegurando o espaço para as calculadoras e máquinas de escrever. O crescente número de mulheres no mercado de trabalho mudou os hábitos domésticos e criou a necessidade de fogões, aspiradores de pó e maquinas de lavar cada vez mais eficientes.

O tempo foi se tornando um recurso escasso e precioso. A eletricidade transformou a noite em dia, e a indústria começou a desenvolver novos produtos que tinham a palavra "velocidade" em seus nomes ou rótulos. Com a aceleração dos meios de transporte, a relação das pessoas com o tempo também mudou. Pontualidade se tornou algo valioso, e perder tempo, em diversos países, se tornou uma frustração. Nos séculos anteriores, o destino era o objetivo. Hoje, você quer chegar o mais rapidamente possível.

Dreiteiler Combo Ausstellung TEMPO TEMPO! Im Wettlauf mit der Zeit

A industrialização levou a racionalização em outras áreas da vida cotidiana

O tempo, como pode-se constatar durante a exposição, não é mais um presente, mas uma dimensão econômica – e deve ser usado efetivamente. Carros, bicicletas, trens e aviões se tornam cada vez mais rápidos. Enormes quantidades de mensagens são espalhadas pelo mundo em ritmo acelerado. O conhecimento se tornou algo compacto e de fácil acesso, que pode ser acessado de qualquer lugar e a qualquer hora com um smartphone que cabe no bolso.

Velocidade e ansiedade

As pessoas são fascinadas por velocidade. Elas acompanham com fervor recordes quebrados por pilotos e atletas. Mas a velocidade também traz ansiedade, e isso não é algo novo. Quando as primeiras locomotivas a vapor atingiam 40 quilômetros por hora, elas não só fascinavam pelo processo da velocidade, mas também causavam medo e rejeição.

Já se falava na "era dos nervos" em 1900. Hoje, estresse é uma realidade global, e quase todo mundo tem a sensação de não ter tempo suficiente. Mas o mundo do comércio livre também oferece respostas: as farmácias vendem remédios para dormir, chá para os nervos e máscaras contra o estresse. Bebidas energéticas e café afastam o sono. Guias de gestão de tempo estão se tornando cada vez mais populares. E, para matar a fome, os oásis de luzes fluorecentes estão abertos 24 horas.

Com velocidade e rapidez, você pode percorrer a exposição no Museu da Comunicação em Berlim. Ou até mesmo parar o tempo para percorrer esses mesmos corredores. Mas esse talvez seja o objetivo dos curadores: fazer os visitantes ficarem mais um pouco e, consequentemente, pensarem como eles utilizam o seu próprio tempo.

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