Exposição em Berlim aborda sexualidade e o papel da mulher no futebol | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 04.07.2011
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Cultura

Exposição em Berlim aborda sexualidade e o papel da mulher no futebol

Em cartaz no Museu Gay de Berlim, mostra alusiva à Copa do Mundo feminina reúne a visão de 22 artistas sobre a participação da mulher no futebol e a homossexualidade no esporte.

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'Private dancer', de Katja Schneider

Em alusão à Copa do Mundo de futebol feminino, realizada na Alemanha, o Museu Gay de Berlim apresenta uma exposição em que diversos artistas investigam a complexa relação entre gênero, homossexualidade e futebol, explorando o esporte como fenômeno social e cultural, no qual a redefinição de papéis só pode acontecer a preço de muita controvérsia.

Em campos como a pintura, a escultura, o vídeo, a instalação e os documentários, os trabalhos de 22 artistas reunidos na exibição transitam pelo tema, indo do retrato abstrato à estética nos gramados, da homossexualidade ao papel social da mulher no esporte, passando pela definição dos gêneros.

"Foram abertas inscrições e recebemos uma quantidade enorme de interessados. Alguns dos trabalhos já existiam e se encaixavam no tema. Outros foram desenvolvidos especialmente para a exposição", conta Birgit Bosold, diretora da exposição, chamada Andererseits ("por outro lado", em tradução livre).

Estádios vazios

Ausstellung andererseits im Schwulen Museum Berlin

Obra da artista Franziska Vollborn

Para uma mulher, jogar futebol é mais difícil do que parece. Em 1956, a Federação Alemã de Futebol (DFB) proibiu a presença das mulheres nos gramados, alegando que a agressividade do esporte não fazia parte da natureza feminina. O banimento caiu em 1970, mas o primeiro campeonato nacional de futebol feminino no país apoiado pela entidade só aconteceu em 1990.

Hoje, mais de um milhão de mulheres praticam o esporte na Alemanha, e o time alemão é um dos mais poderosos do mundo. As alemãs já foram sete vezes campeãs europeias e duas vezes campeãs do mundo. Mesmo assim, o esporte ainda recebe pouca atenção da mídia. "Mesmo em partidas importantes, com um bom número de espectadores pela televisão, os estádios estão sempre vazios", lamenta Bosold.

A igualdade de direitos ainda é um sonho distante nos campos de futebol, mesmo em países como a Alemanha. "Como o futebol feminino muitas vezes não é profissional, muitas das jogadoras têm problemas em se dedicar somente ao esporte", ressalta a curadora da exposição.

Para trazer um pouco mais de atenção da mídia e mais dinheiro ao esporte, o slogan da Copa desde ano é "O lado mais bonito de 2011". O ajuste da imagem das jogadoras ao perfil do público masculino heterossexual é, segundo Bosold, um preço muito alto a se pagar. "Não podemos criar uma imagem consistente em cima de um estereótipo. Esse slogan expressa que, para o mundo masculino, a beleza ainda é o melhor que as mulheres podem oferecer", completa.

Homossexualidade nos campos

Outro ponto abordado na exibição é a questão da homossexualidade. Um tema que aparentemente não é tabu na sociedade alemã, onde diversas celebridades artísticas e políticas são abertamente gays, como o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit.

Mas, no mundo do futebol masculino alemão, ainda permanece assunto proibido devido ao jogo de poder, segundo Bosold. "O futebol masculino é como um clube fechado e cheio de poder. Um elemento homossexual quebra esse círculo, e o risco de se perder o poder é assustador. Um membro homossexual enfraquece o grupo e pode manchar sua reputação e, consequentemente, seu poder", diz a responsável pela mostra.

Quadros de Katja Schneider abordam o homossexualismo no futebol masculino

Quadros de Katja Schneider abordam o homossexualismo no futebol masculino

A ambiguidade do relacionamento entre jogadores de futebol é o tema da obra da artista Katja Schneider. Baseadas em fotos reais de jogadores, as pinturas descontextualizam seus personagens do campo e revelam que o contato entre homens no gramado tem mais elementos homoeróticos do que o aceitável no meio. Em contraponto, no futebol feminino a homossexualidade é melhor aceita dentro do grupo, mas gera um marketing negativo para o público heterossexual masculino.

Dois documentários que fazem parte da exposição trazem questões interessantes. O diretor alemão Tom Weller mostra em seu filme como a tradicional divisão dos sexos no esporte não vale para os jogos gays, onde os transsexuais competem de acordo com sua identificação psicológica.

Já o filme da alemã Christine Olderdissen, feito em 91, mostra a viagem de um time feminino de Berlim para uma competição em Dresden. Ao selecionar o filme, os responsáveis quiseram levantar a discussão sobre o que mudou no esporte nesses 20 anos.

A exposição questiona o futebol como um esporte tradicionalmente masculino, mostrando que ele também pode ser o espaço ideal para as mulheres conquistarem força e poder.

A exposição Andererseits está em cartaz no Museu Gay de Berlim até o dia 25 de setembro.

Autor: Marco Sanchez
Revisão: Alexandre Schossler

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