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Cultura

Exposição destaca a teatralidade nas artes plásticas

Mostra em Düsseldorf expõe obras de artistas que se dedicam à encenação teatral e fazem uso de estruturas narrativas em seus trabalhos, a fim de refletir sobre questões como identidade, autenticidade e representação.

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'Sem depressão no céu', ensaio em vídeo de Mathilde ter Heijne

A mostra Talking Pictures: Teatralidade em trabalhos contemporâneos de cinema e vídeo, no museu K21, em Düsseldorf, dá continuidade à recente exposição no mesmo espaço, que ao lado de outros quatro museus alemães recapitulou os 40 anos da videoarte. Com uma especificidade: a atual seleção se concentra num aspecto que, entre os anos 1960 e 1980, foi secundário no cenário das artes plásticas: a encenação.

O ponto de partida da exposição foi o desejo da curadoria de expor a reconciliação das artes plásticas com o teatro. Uma tendência observada desde a década de 1990 e que surgiu após anos de narizes torcidos por parte das artes plásticas para tudo o que pudesse carregar a conotação de "teatral" (entendido no sentido do exagero, da falsidade e do maneirismo).

Hibridismo de linguagem

A partir dos anos 1990, houve então uma reorientação das artes plásticas em direção a estruturas narrativas, sem que estas, no entanto, apareçam nos trabalhos cronologicamente. As formas usadas para levar a narrativa ao espectador são diversas: monólogos, diálogos, entrevistas, som em off, etc. E as obras em questão recorrem, via de regra, ao uso de textos poético-literários. São obras híbridas, que transitam entre o cinema, o teatro e a literatura, através da inserção de elementos da moda, dança, ópera e performance.

O mote talking pictures da mostra em Düsseldorf, por sua vez, não remete apenas à tradição das "imagens que falam", sendo também uma referência direta ao advento do som no cinema, como fica explícito na colagem de filmes Garlands (Grinaldas), do artista norte-americano T.J. Wilcox, que digitaliza imagens feitas em super 8, para depois transferi-las para 16 mm e projetá-las para o espectador.

Mostrando estórias

A palavra, tratada pelos artistas com menos atenção do que a imagem, passa a ganhar espaço a partir da presença freqüente de um "roteiro" a ser seguido. A arte começa não exatamente a contar estórias, mas a mostrar estórias, como em uma das mais interessantes obras da exposição: The Intruder (O Intruso), da belga Ana Torfs.

The Intruder

Instalação 'O Intruso', de Ana Torfs,

La Grande Galerie

'A Grande Galeria', de Danica Dakić

A artista leva o espectador a três locações distintas, ao acompanhar uma trupe de teatro em várias estações geográficas e diversos momentos, desde as tentativas de chegar a Alemanha em 2003, passando pela dissolução do grupo por falta de recursos em 2004 até uma visita ao enclave roma em Preoce e Plementina, na Albânia.

Dakić usou um catálogo do museu parisiense Louvre, bem como a pintura Vue Imaginaire de la Grande Galerie en Ruines (1796), do pintor Hubert Robert, em que aparecem ciganos, cartomantes e batedores de carteira. Tendo a "grande galeria de ruínas" ao fundo, os protagonistas (atores leigos) escolhidos por Dakić contam suas próprias histórias, confrontando o espectador com as esferas do real e dos estereótipos da ficção.

"Escrevemos o roteiro ou representamos apenas o que está, há muito, escrito?", pergunta uma psicóloga estilizada de cigana e inserida no vídeo pela artista para refletir em frases soltas sobre aspectos da representação. A encenação, no trabalho de Dakić, é usada para questionar os papéis impostos pelas sociedades não apenas ao indivíduo, mas também a uma determinada etnia – "A primeira coisa da qual você deve abdicar na Europa é sua identidade", diz um dos personagens.

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A artista une o som em off de vozes impostadas à projeção de diapositivos em sépia, para encenar a obra de mesmo nome do autor belga Maurice Maeterlinck (1862-1949). A peça lendária teve sua estréia em 1861, numa noite beneficente em prol do poeta Paul Verlaine e do pintor Paul Gauguin, tendo sido encenada posteriormente tanto por Konstantin Stanislavski quanto por Vsevolod Meyerhold.

Em sua instalação, Torfs coloca o espectador frente a protagonistas estáticos ("presos" pela inércia da fotografia) e usa o exagero da entonação da fala para exacerbar o caráter sufocante do drama familiar. A artista já havia usado diapositivos aliados a som em off em seu Anatomy, trabalho em vídeo com 25 atores, que reconstrói o julgamento dos culpados pelo assassinato dos comunistas Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht em Berlim.

Identidade e representação

De formas distintas, as dez obras expostas, criadas por artistas de nove nacionalidades diferentes, buscam referências históricas para refletir sobre questões contemporâneas, como a situação da minoria rom na Albânia, tema do trabalho de Danica Dakić, que nasceu em Sarajevo e hoje vive em Düsseldorf.

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