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Cultura

Exposição destaca a estética fotográfica da Alemanha socialista

Na Alemanha Oriental, fotógrafos enfrentavam dificuldades e até corriam perigo para exibir seus trabalhos. Reunindo 250 trabalhos de 34 artistas, mostra em Berlim abrange quatro décadas de fotografia artística do país.

Em um fim de semana normal, a Berlinische Galerie, no bairro de Kreuzberg, na capital alemã, recebe entre 300 e 600 visitantes pro dia. No primeiro fim de semana deste mês de outubro, foi um pouco diferente. Entre 1.600 e 1.900 pessoas foram ver a recém-inaugurada exposição Sociedade fechada: Arte fotográfica na RDA de 1949 a 1989.

O curador Ulrich Domröse ficou muito feliz com o grande interesse do público, o que mostra que ele e os outros três curadores da exposição foram no caminho certo. Tais exposições, reunindo 250 trabalhos de 34 fotógrafos diferentes, não precisam de data certa para serem sucesso e sim um conceito condizente, uma boa seleção de obras e um placar promocional que chame a atenção.

Ausstellung - Geschlossene Gesellschaft Berlinische Galerie

"Mulher em vermelho", de Erasmus Schröter: linguagem vibrante e transgressiva para a época

Imagens sedutoras

Este último quesito foi realizado com a fotografia intitulada Mulher de vermelho, do fotógrafo Erasmus Schröter, realizada em 1985 em Leipzig. Sua linguagem pictórica vibrante pode parecer totalmente familiar aos olhos atuais, mas na época era inovadora, transgressiva e opaca.

Por que usar flash? Por que aquela mulher? Essa foi uma imagem espontânea ou encenada? Há um mistério nessa fotografia, como muitas outras na exposição, o que as tornam ainda mais sedutoras.

Esse é o objetivo da exposição: mostrar as fotos não como um registro histórico e esclarecedor sobre a vida na antiga Alemanha Oriental, mas por suas qualidades artísticas e estéticas.

Ausstellung - Geschlossene Gesellschaft Berlinische Galerie

As limitações técnicas do filme colorido de então compõem o estilo de Jen Rötzsch

Foco na arte

Devido a essa escolha pela estética e pelo artístico, imagens do campo do jornalismo, moda e da fotografia amadora foram deixadas de fora da exposição. "Nos concentramos apenas na fotografia como uma forma de expressão da intenção artística. Em fotógrafos que desde o começo usaram sua mídia para produzir imagens que refletiam o que estavam pensando ou sentindo", explicou Domröse.

O resultado é um novo e desconhecido espectro de imagens que vão da ironia desafiadora dos autorretratos a paisagens urbanas quase minimalistas.

Alguns dos fotógrafos participantes foram homenageados nos últimos anos por amplas exposições individuais ou por publicações, como por exemplo, Gundula Schulze Eldowy. É desafiador ver seu trabalho ao lado dos de seus colegas, principalmente porque a exposição não mostra uma escola ou movimento fotográfico específico.

A única particularidade comum entre os artistas é terem feito seu trabalhado durante o mesmo período e terem usado sua fotografia para se relacionar com a realidade, sendo descobrindo-a, processando-a intimamente ou até para fugindo dela.

Ausstellung - Geschlossene Gesellschaft Berlinische Galerie

O minimalismo de Ulrich Wust destaca a natureza transitória das paisagens urbanas

Censuradas ou amenizadas

O trabalho de Gundula Schulze Eldowy é representado na exposição por uma série de relaxados nus em preto e branco. "Sempre fui uma criança mimada e atrevida", brincou, ao se lembrar da sua primeira exposição individual na Alemanha Oriental. Ela contou que duas horas antes da abertura, o diretório regional do SED, o partido único, que governava o país, enviou uma comissão especial ao evento. "Eles ficaram tão tocados pelas fotos, que me disseram que não iriam cancelar a exposição, mas somente tentar amenizá-la e me pediram ajuda para tirar algumas das fotos da parede", lembrou Eldowy. Ela teve sorte e também coragem.

Na exposição, fica patente a diversidade das formas encontradas pelos artistas entre 1949 e 1989 para divergir do coletivo e driblar a censura, expressando a própria opinião de forma pictórica.

Autor: Ricarda Otte (mas)
Revisão: Marcio Damasceno

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