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Economia

Exportações à prova de calote

Das exportações alemãs, 2,5% são asseguradas pelo governo contra calote dos compradores. Embora não figure entre os maus pagadores, Brasil é o segundo principal destino de vendas garantidas pelo seguro estatal Hermes.

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Navios sendo carregados no porto de Hamburgo

As exportações alemãs atingiram em 2002 um novo recorde, no valor de 648 bilhões de euros. Para 16,4 bilhões – o equivalente a 2,5% do total – os exportadores receberam a garantia estatal do seguro Hermes. Trata-se sobretudo de negócios de risco, devido à situação política ou econômica do país ou da empresa importadora. Caso o comprador não pague, o Hermes garante o pagamento ao exportador e assume a cobrança da dívida.

Vendas para o Brasil

No ano passado, 94% das exportações protegidas pelo Estado destinaram-se a países em desenvolvimento, da Europa Central e do Leste Europeu, assim como a Rússia e as ex-repúblicas soviéticas reunidas na CEI. As vendas para a China lideraram a concessão do seguro no valor de 1,5 bilhão de euros. Em seguida, vieram os negócios com o Brasil. Ao contrário do que se poderia esperar, a crise do real e a instabilidade do período eleitoral em 2002 não se refletiram no balanço do Hermes. Apesar da alta do risco país, os exportadores alemães recorreram menos ao seguro estatal alemão. Se, em 2001, foi preciso proteger 1,31 bilhão, no seguinte o valor baixou para 1,16 bilhão.

Apesar da prioridade na proteção aos negócios com a China e o Brasil – o que demonstra falta de confiança nestes importadores –, os dois países não figuram entre os maiores caloteiros, constantes numa lista encabeçada por Indonésia, Índia, México, Cingapura e Coréia do Sul. Pelo contrário, o Brasil aparece somente atrás da Rússia como o principal amortizador de dívidas com o Hermes. Em 2002, a conta chegou a 153,9 milhões de euros. Os principais produtos assegurados que o Brasil importa são equipamentos de telecomunicações, motores e máquinas de embalagem. Dentre os países industrializados, os principais destinos de exportações protegidas pelo Hermes são Itália, Suécia e Estados Unidos.

Seguro tornou-se lucrativo

Se há 20 anos o Hermes agravava o déficit público alemão, a situação mudou drasticamente. Desde 1998, o seguro dá lucro. No ano passado, a seguradora estatal transferiu 401,6 milhões de euros para os cofres federais. Durante duas décadas, entretanto, a crise da dívida externa nos países do Terceiro Mundo e a crise financeira nos antigos países comunistas da Europa mantiveram o seguro operando no vermelho. Ao todo, acumulou-se um prejuízo de 15 bilhões de euros.

Mercados de alto risco

Não fosse a garantia estatal, as empresas alemãs não teriam como vender para algumas regiões do planeta, importantes economicamente, mas cheias de riscos. Quando estes são altos demais, as seguradoras privadas negam a cobertura do negócio. Este ano está na berlinda, por exemplo, o Irã: 60% das exportações alemãs para o vizinho do Iraque estão recorrendo à garantia estatal.

Por outro lado, a África pouco aparece no relatório anual, devido ao baixo volume de comércio entre a Alemanha e o continente. No entanto, o aumento da renda dos países produtores de petróleo da região vêm incrementando a demanda por produtos Made in Germany, para os quais os exportadores com freqüência buscam apoio do governo.

Setores mais apoiados

O Hermes protege tanto pequenas exportações quanto grandes, como de usinas, represas e aviões. No ano passado, tiveram lugar de destaque projetos de telecomunicações, petroquímica, siderurgia, geração e distribuição de energia, exploração de petróleo, construção naval e aeronaves da Airbus.

Em casos de empreendimentos com fornecedores de vários países, estes dividem o seguro, como no caso de 58 Airbus, também assegurados pela Grã-Bretanha e França. Da mesma forma, a Alemanha participou da garantia ao foguete Ariane-5, que levou satélites de telecomunicações para o espaço.

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