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Mundo

Explosão de carros-bomba aumenta tensão na fronteira entre Turquia e Síria

Atentados matam dezenas e deixam mais de cem feridos. Governo turco suspeita de participação das tropas sírias nos ataques. Governo em Ancara apoia rebeldes da Síria.

A explosão de dois carros-bomba na cidade turca de Reyhanli, próximo à fronteira com a Síria, deixou pelo menos 30 mortos e mais de cem feridos neste sábado (11/05). O ataque aumentou a tensão na região, onde moradores temem que o sangrento conflito sírio possa estar se expandindo para o país vizinho.

Um das bombas explodiu na frente da prefeitura da cidade, enquanto o outro carro foi aos ares perto do prédio dos correios. Reyhanli é um dos principais destinos de refugiados da Síria – cerca de 25 mil pessoas que fugiram do país vizinho agora vivem por lá – e também local de atividades dos rebeldes.

Segundo o vice-primeiro-ministro da Turquia, Bülent Arinç, o governo de Bashar Al-Bashar é "suspeito, como sempre". No entanto, não houve reivindicação imediata pela responsabilidade dos atentados. Também não houve declarações de Damasco a respeito.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, avaliou que os atentados podem estar ligados aos conflitos na Síria ou mesmo relacionados às recentes negociações de paz entre o governo da Turquia e os rebeldes curdos, na tentativa de pôr um fim no conflito que já dura 30 anos. Caso se confirme a ligação entre as explosões e a situação na Síria, este terá sido o atentado com maior número de mortes já registrado desde o início dos embates no país vizinho, há dois anos.

Apoio a rebeldes

Turkei Syrien Bombenanschlag

Para primeiro-ministro turco, atentados podem estar ligados aos conflitos na Síria

O governo em Ancara vem apoiando os insurgentes que lutam contra as tropas do presidente Bashar al-Assad. O suporte é considerado fundamental pelos rebeldes, que usam o território turco como base logística e centro de treinamento.

Em visita a Berlim, o ministro turco do Exterior, Ahmet Davutoglu, garantiu que o país vai reagir. "Há aqueles que querem sabotar a paz na Turquia, mas não vamos permitir isso", afirmou. "Ninguém deveria tentar testar o poder turco, nossas forças de segurança vão tomar todas as medidas necessárias".

O principal grupo da oposição Síria, a Coalizão Nacional Síria, condenou os ataques em Reyhanli e afirmou estar ao lado "do governo e do simpático povo turco". Para o grupo, estes "hediondos ataques terroristas são uma tentativa de se vingar do povo turco e puni-lo por seu honroso apoio ao povo sírio".

Pressão sobre os EUA

As explosões ocorrem dias antes da viagem do primeiro-ministro turco aos Estados Unidos. Observadores acreditam que o incidente deverá aumentar a pressão sobre a Casa Branca para que demonstre apoio à Turquia. Durante a semana, Erdogan afirmou que seu país vai apoiar a imposição, pelos EUA, de uma zona de exclusão aérea na Síria, e alertou que Damasco ultrapassou há muito tempo a "linha vermelha" estabelecida pelo presidente Barack Obama, devido ao uso de armas químicas.

Em fevereiro passado, um carro-bomba explodiu em território sírio perto da fronteira com a Turquia. Na ocasião, 14 pessoas morreram. O ministro turco do Interior culpou os serviços de inteligência e os militares sírios pelo atentado. A tensão na região levou a Alemanha, a Holanda e os EUA a enviarem duas baterias de mísseis de defesa aérea para proteger seu aliado na Otan.

MSB/ap/rtr/afp

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